Terça-feira 31 de Março de 2020

Competições internacionais adiadas impedem preparação conveniente dos atletas paraTóquio’2020

“Todos os parceiros do Movimento Olímpico e os atletas enfrentam grandes desafios de forma a garantir os últimos lugares de qualificação para os Jogos. Em alguns países, os atletas têm mesmo dificuldade em continuar as suas agendas de treino regulares” – pode ler-se no comunicado (aprovado por unanimidade por todos os participantes) emitido pelo Comité Olímpico Internacional (COI) depois de reunir, esta semana, com as Federações Internacionais das modalidades.coi_logo_new

Situação que se verifica pelo facto de, em todo o mundo, se verificar a suspensão (e ou adiamento) do calendário das provas previstas no calendário para 2020, o que prejudica os atletas e a que se deve o surto mundial do Covid-19 que se verifica.

Referiu ainda o COI que ”à data, 57% dos atletas estão já qualificados para os Jogos. Para os restantes 43% dos lugares, o COI irá trabalhar com as federações internacionais para realizar qualquer adaptação necessária e prática aos respectivos sistemas de qualificação para Tóquio 2020, em linha com os seguintes princípios:

1. Todas as quotas e lugares que já foram alocados até à presente data permanecem alocados ao CON ou atletas que os obtiveram;

2. Permanece a possibilidade de utilizar eventos de qualificação existentes e agendados, sempre que estes continuem com acesso justo a todos os atletas e equipas;

3. Todas as adaptações necessárias aos sistemas de qualificação e todas as alocações dos lugares ainda disponíveis serão:

a) baseados nos resultados em competição (por exemplo ranking ou histórico de resultados); e

b) reflexo, quando possível, de princípios existentes dos respectivos sistemas de qualificação (por exemplo utilização de ranking ou resultados específicos de eventos continentais/regionais).

O aumento de quotas de atletas será considerado caso-a-caso, em circunstâncias excepcionais, com o apoio do Comité Organizador Tóquio 2020”.

No documento a que nos referimos, o COI salientou que “as federações internacionais irão apresentar propostas para quaisquer adaptações aos seus respectivos sistemas de comunicação, de acordo com os princípios explanados. As adaptações têm de ser implementadas em cada uma das modalidades, devido às diferenças entre os sistemas de qualificação. O COI colocou em marcha o procedimento para resolver esta situação. Quaisquer revisões necessárias aos processos de qualificação, por modalidade, para Tóquio’2020 serão publicadas no início de Abril próximo e comunicado a todos os parceiros”.

Thomas Bach, presidente do COI, salientou ainda que “a saúde e o bem-estar de todos os envolvidos na preparação dos Jogos Olímpicos Tóquio’2020 é a nossa principal preocupação. Todas as medidas estão a ser tomadas para salvaguardar a segurança e os interesses dos atletas, treinadores e equipas de apoio. Somos uma comunidade Olímpica e apoiamo-nos mutuamente nos tempos bons e nos tempos difíceis. Esta solidariedade Olímpica define-nos como comunidade.”

Depois desta reunião, o COI vai encontrar-se com os Comités Olímpicos Nacionais e com os representantes dos atletas nos próximos dias.

Entretanto a Federação espanhola de Atletismo suspendeu a realização de todas as competições nacionais e internacionais, o que levou ao cancelamento de mais uma edição do Campeonato Ibero-americano de atletismo, que se devia realizar de 21 a 24 de Maio em Tenerife, no qual deviam participar Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que são membros desta organização.

Uma notícia positiva advém do facto de os atletas portugueses de alto rendimento, que estão em preparação para os Jogos Olímpicos, poderem fazer a preparação, acção que é uma das excepções, como se depreende da nota divulgada, onde se refere que “as medidas que regulam as excepções que permitem aos cidadãos poder circular na via pública, durante o período de estado de emergência, englobam os atletas do alto rendimento e respectivos treinadores e acompanhantes, sempre que necessário”.

Resta saber se poderão utilizar as infra-estruturas desportivas indispensáveis, que podem estar encerradas ou indisponíveis e se, ainda que abertas, acarreta ou não problemas de saúde, isto é, a possibilidade de um ou outro atleta ou técnico poder ser infectado como vírus.

Um primeiro passo para a definição dos apurados para os Jogos foi a decisão tomada pela Federação Internacional de Canoagem que deliberou abdicar da realização das provas qualificativas e entregar 15% das vagas ainda existentes, em função do que se encontra regulamentado.

Recorde-se que Portugal já garantiu a presença de sete atletas, como são os casos de Fernando Pimenta (K1 1000), Emanuel Silva, João Ribeiro, Messias Batista e David Varela (K4 500), Antoine Launay (K1 Slalom) e Teresa Portela (K1 200).

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