Domingo 09 de Agosto de 2020

Jogos Olímpicos de 1980 sob o signo do boicote e da ”Guerra Fria”

coi_logo_newSe bem que os Jogos Olímpicos tenham sido, quase sempre, o maior evento desportivo mundial de todos os tempos, nem sempre as coisas decorreram da melhor forma, como o foram em 1972 e em 1980.

No primeiro dos anos indicados, como muitos ainda recordam, realizados (21 de Agosto a 5 de Setembro) na cidade alemã de Munique, na República Federal da Alemanha, os Jogos tiveram como factor significativo o “massacre” perpetrado pelos fundamentalistas da organização “Setembro Negro”, que fizeram um assalto armado à Cidade Olímpica e mataram 17 membros da equipa de Israel, na altura do conflito “israelo-palestino”, processo que ainda se mantém nos dias de hoje.

Em 1980, em Moscovo, no tempo da “guerra fria”, os muitos países do ocidente optaram pelo “boicote” aos Jogos, devido ao facto da então URSS ter invadido o Afeganistão, o que levou os Estados Unidos a liderarem a ausência em massa dos “não-alinhados” com os russos.

Nesta 22ª edição dos Jogos Olímpicos de Verão, efectuados entre 19 de Julho e 3 de Agosto, com os soviéticos a ocupar o Afeganistão e impossibilitados de persuadir o COI a cancelar ou adiar os jogos, o presidente americano Jimmy Carter pressionou o Comité Olímpico (USOC) Norte-Americano a retirar-se, o que foi seguido por outros governos de leste e oeste.

Ainda assim, 80 nações (das 149 inscritas), correspondendo a 5.217 atletas (1.124 mulheres e 4.093 homens) estiveram presentes, entre as quais Portugal, ainda que com um reduzido número de atletas, porquanto não foi feita uma selecção mas sim fizeram a viagem apenas os que, com mínimos cumpridos, quiseram tomar parte.

João Campos, José Sena e Anacleto Pinto foram os homens do atletismo que vestiram as cores nacionais, o primeiro a concorrer nos 1.500 metros (7º na sua série, com 3.44,40, num total de 41 participantes), o segundo nos 3.000 obstáculos (não terminou) e o último na maratona, onde foi 16º entre 75 participantes, completando os 42.195 metros no tempo de 2.17.04.

Os outros atletas lusos presentes foram os nadadores Paulo Frischknetcht (100 e 200 livres), Rui Abreu (100 livres, 100 costas e 200 livres); os judocas António Roquete (-78 kg), João Paulo Mendonça (-60 kg) e José Branco (- 65 kg); o halterofilista Raúl Diniz (- 52 kg); as ginastas Maria Avelina Alvarez (Artística) e o boxeiro João Manuel Miguel.

Em termos de curiosidade e no que atletismo diz respeito, recorde-se também do despique “tórrido” entre os britânicos Steve Owett e Sebastian Coe (o actual presidente da World Atlhetics) com o primeiro a ganhar o bronze nos 800 metros e o segundo a prata nos 1.500 metros.

Registe-se que foi também em 1980 que Angola e Moçambique se estrearam nos Jogos Olímpicos, respectivamente com 13 e 14 atletas.

Curiosidade ainda para o facto de estes Jogos terem como slogan “Óh desporto, tu és a paz! Mesmo a propósito.

Não será por boicote nem por qualquer “massacre” mas é crível que a Rússia não esteja representada nos Jogos Olímpicos de Tóquio’2020 (mas em 2021), face ao “doping de estado” que as entidades russas introduziram no cerne das actividades desportivas que promovem, há muitos anos, no seu país.

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