Segunda-feira 22 de Julho de 2024

Auriol Dongmo com ouro e Belo às portas do bronze no europeu de pista coberta

Jose Antonio MIGUELEZ / FP Atletismo

Jose Antonio MIGUELEZ / FP Atletismo

Auriol Dongmo fez soar os “alarmes” antes do quinto e último ensaio válido para conquistar a medalha de ouro – perfeitamente justificada – na estreia no europeu de pista coberta, porquanto tinha sido apeada por uma sueca, no que foi uma tarde portuguesa no Pavilhão de Torun (Polónia).

Liderando a final desde o segundo ensaio (19,21) – depois de ter feito um nulo na entrada – Auriol bem suou para garantir a primeira medalha de ouro que uma lançadora portuguesa conseguiu neste tipo de competições, o que fica para a história do atletismo nacional, cada vez mais recheada de resultados de alto gabarito.

Depois dos 19,21, Auriol desceu a 19,07 e 19,08, quando viu a sueca Fanny Roos, precisamente no lançamento anterior, chegar aos 19,29 e passar a liderar, o que levou a campeã portuguesa a ter que se encher de brio e coragem para lançar para a posteridade, a 19,34, que garantiu um ouro bem precioso, o primeiro também pessoal.

Também com outro sabor especial, porquanto é a primeira medalha da comemoração do Centenário da Federação Portuguesa de Atletismo que cumprirá 100 anos em Novembro deste ano.

Giancarlo Colombo / FPAtletismo

Giancarlo Colombo / FPAtletismo

Para a nova campeã europeia em estreia, em declarações ao site da Federação Portuguesa de Atletismo, Auriol referiu que “entrei na competição um pouco nervosa, por ser a primeira vez em europeus, mas estou muito feliz, por chegar e conquistar o ouro!”, tendo acrescentado que “olhei para ela e para a marca e disse para mim ‘Auriol’, o primeiro é o teu lugar, não é de mais ninguém, e lancei com isso na minha mente”, atleta que salientou também que “agradeço à fé e à devoção a força que me mantém nesta luta, neste trabalho, que não é só por mim, mas também pelo meu filho e também pelo meu treinador [Paulo Reis] que fez muitos sacrifícios para que eu possa estar a este nível”, terminando dizendo que “tenho o objectivo alcançar os 20 metros ainda este ano”.

Na outra final da tarde desta sexta-feira, o também lançador Francisco Belo conseguiu chegar ao 3º lugar, com um arremesso de 21,28 – na segunda tentativa, depois de um nulo – tendo seguido em decrescendo, pois fez 20,96 e 20,82, fechando com mais dois nulos.

Ainda assim está de parabéns porquanto cumpriu as regras para estar presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em Julho próximo.

Acabou por ficar na quarta posição – no que é a segunda vez, depois de Glasgow – na prova do peso, ainda que com um novo recorde nacional, o que é de realçar face ao extraordinário trabalho que tem vindo a desenvolver.

“Fica o sentimento de alegria e tristeza: alegre por bater o recorde nacional, com a qualificação para Tóquio, que são o corolário do trabalho feito ao longo dos anos e especialmente da preparação para este momento; triste, porque, como em Glasgow, voltei a ficar em quarto lugar, ultrapassado pela mesma pessoa. Mas, uma vez mais, provou-se o que disse de manhã, lancei longe, mas eles lançaram mais”, segundo referiu ao site da FPA, tendo acrescentado que “senti que faltou a cereja no topo do bolo, que era subir ao pódio e ver a bandeira portuguesa no mastro».

Na terceira final com portugueses, Mariana Machado – que na eliminatória tinha batido o recorde (de 19 anos) – acabou por terminar no 11º lugar, com 9.19,61, como se previa, bem longe dos 8.59,39 da véspera, em que retirou Jéssica Augusto da lista das recordistas dos 3.000 metros.

Fica o relevo para o novo recorde nacional da categoria de sub23, sendo certo que, com 20 anos, Mariana mantém intactos os “genes” que a mãe (a campeã Albertina Machado) lhe transmitiu ao nascer.

Segundo salientou “Nunca estive na corrida, pelo que não deu para fazer melhor, acrescentando que “tive a noção, a meio da prova, que parti depressa demais, embalada pelas mais cotadas, mas já era tarde”.

Referiu ainda que “apesar deste resultado, que está longe do que posso fazer, nestas condições, até com a lesão que tive antes dos Campeonatos de Portugal, saio contente. Consegui baixar dos nove minutos ontem, bati o recorde nacional de esperanças e cheguei à final da minha primeira competição. Imaginem se estivesse a cem por cento, como seria! É o chamado sentimento agridoce, mas tenho apenas 20 anos e ainda posso tentar mais e melhor nestes palcos”.

No primeiro quadro de medalhas elaborado após a realização das finais (nesta sexta-feira), a Bélgica e a Polónia conquistaram uma de ouro e outra de prata (para cada país), a Grã-Bretanha alcançou uma de ouro e outra de bronze, enquanto o quarto lugar é ocupado pela República Checa, Grécia e Portugal, com uma de ouro para cada qual.

Na ronda número três, neste sábado, a sessão abrirá (9h20) com a presença de Carlos Nascimento nas eliminatórias dos 60 metros, seguindo-se a actuação (10h25) de Samuel Barata e Isaac Nader nas meias-finais dos 3.000 metros e de Patrícia Mamona na qualificação do triplo-salto (11h05) – que podem ser vistas na RTP 2.

Se for apurado, Carlos Nascimento terá a final dos 60 metros pelas 19h58.

 

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