Sexta-feira 24 de Setembro de 6483

O Luar do Algarve só brilhou nos últimos soluços do jogo frente aos Irlandeses com Ronaldo a tornar-se o melhor marcador do mundo em termos de selecções

port vs irlanda 1 set 2021

DR / FPF

Numa partida que, técnica e estrategicamente, pouco teve de nota artística, valeu um Cristiano Ronaldo, que apenas surgiu nos últimos sete minutos do jogo (incluindo o tempo complementar de descontos), para salvar a honra do convento, que esteve muito perto de complicar a vida neste apuramento para o mundial do Catar2022.

Depois dos primeiros vinte minutos, em que teve oportunidade de se colocar na frente do marcador – primeiro na grande penalidade marcada por Ronaldo para o guarda-redes Bazunu defender em voo e, meia dúzia de minutos depois, de Diogo Jota ter cabeceado ao poste – a equipa de Fernando Santos como que se evaporou.

Perdeu acutilância, deixou de ter brilho porque também não havia chama, Ronaldo atirou para as nuvens e os irlandeses começaram a chegar-se à frente para tentar surpreender a formação lusa, primeiro (44’) com Rui Patrício a salvar um golo certo, dando o corpo à bola e fechando o ângulo de remate do adversário e, segundo (45’), com Egan a alcançar o 1-0, na sequência da marcação de um pontapé de canto, com o avançado a elevar-se mais que ao centrais portugueses e a desviar a bola para dentro da baliza.

Nos cinco minutos de compensação, Diogo Jota (45+3’) ainda rematou para a baliza mas o guardião irlandês conseguiu segurar a bola junto ao poste, com a primeira parte a terminar logo a seguir, onde Portugal jogou abaixo dos seus padrões normais de qualidade, como se referiu.

Portugal comandou com uma posse de bola de 64/36%, com 7-6 em remates, dos quais 2-3 para a baliza, com superioridade irlandesa, que deu no citado golo.

Para o segundo tempo, Fernando Santos foi “obrigado” a alterar o xadrez, aumentando o número de avançados, aliciando a defesa, para dar maior consistência ao ataque, ainda que sem solução prática porquanto, em cada remate feito, a bola, invariavelmente, bateu sempre num defesa e a jogada perdeu-se.

O nervoso aumentou porquanto Portugal não conseguia resolver a situação na parte final, criando oportunidades de golo mas não as concretizando, por um lado por falta de pontaria e linhas fechadas, para além da presença do guarda-redes Bazunu que deu garantia de estar atento.

A pressão portuguesa foi aumentando até ao limite e acabou por ser Ronaldo a empatar (89’) depois de um passe milimétrico de Gonçalo Guedes levar a bola à cabeça do que passou a ser o melhor marcador de sempre em jogos de selecções, que cabeceou para o 110º golo pessoal e o 1-1, que poder ter “ferido” os irlandeses, pela rapidez do lance e da réplica lusa

Com todos os “Santos” presentes (incluindo o seleccionador Fernando) e confirmando o “desnorte” irlandês, foi ainda Ronaldo que (90+5’) chegou ao 2-1, numa jogada semelhante, desta vez com João Mário a fazer voar a bola por cima da defesa, direitinha à cabeça do capitão português, que cabeceou para dentro da baliza, criando a festa final para Portugal, numa partida que não foi boa, há muitas arestas para limar, em especial, na diversificação dos jogadores para a marcação dos livres derivados das faltas cometidas, regendo as regras que não se deve repetir sempre o mesmo jogador.

Como tudo na vida, o objectivo era ganhar e cumpriu-se, mas podia ser como menos sofrimento.

No sábado, Portugal defronta um “particular” com o Qatar e, no dia 7, de novo mais a sério, defronta o Azerbaijão, que Portugal derrotou (1-0) na primeira volta, num encontro em que não se poderá voltar a passar o mesmo do que esta quarta-feira, primeiro de Setembro.

Portugal entrou em campo com Rui Patrício; João Cancelo, Pepe, Rúben Dias e Raphael Guerreiro; Palhinha, Bruno Fernandes e Bernardo Silva; Rafa, Ronaldo e Diogo Jota. Jogaram ainda Nuno Mendes, João Moutinho, João Mário, André Silva e Gonçalo Guedes.

No final, Fernando Santos salientou que “nos primeiros vinte minutos estivemos bem, ganhámos uma grande penalidade e mandámos uma bola ao poste, mas depois sentimos dificuldades em recuperar a bola, ao mesmo tempo que a Irlanda subiu no campo”, tendo acrescentado que “no segundo tempo tive que fazer as alterações que achei convenientes para ver se mudava o paradigma do jogo e ter mais consistência, o que se conseguiu e acabámos por obter uma vitória que considero justa”.

Entretanto, no início do jogo, Cristiano Ronaldo recebeu, das mãos de Fernando Gomes, presidente da FPF, o troféu de melhor marcador do Campeonato da Europa 2020.

O craque português juntou este troféu ao seu já extenso palmarés de troféus individuais, fruto dos cinco golos marcados no último europeu: dois diante da Hungria, um frente à Alemanha e outros dois diante da França.

 

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