Portugal perdeu, este domingo, frente ao Brasil, na final do Campeonato do Mundo Feminino de Futsal, que se disputou nas Filipinas, depois de ter perdido (3-0) a final, conquistando a medalha de prata.
Enquanto isso, a Espanha derrotou a Argentina (5-1) e garantiu o bronze.
Portugal e Brasil “agarraram-se” ao sonho alimentado durante tantos anos e entraram na final sem receio, conscientes das qualidades das adversárias e com uma vontade maior do que tudo. Habituadas a marcar o domínio desde cedo, as brasileiras quiseram impor-se pelo físico, antes mesmo do golo. A equipa de Luís Conceição estava preparada para esse jogo de nervos, não se intimidou nem quando sentiu na pele o preço da ousadia de defender sem medo e de olhar o Brasil de frente para a baliza.
Janice Silva teve de ser assistida (2′) depois um lance com Emilly, mas voltaria pouco depois à quadra onde Lídia Moreira assumiu a investida contra a parede amarela com toda a inesgotável energia e convicção que colocou em cada lance, e recebeu em troca a resposta implacável de quem tem a missão de defender.
Perdeu a paciência (5’) e viu o cartão amarelo por protestar, mas manteve a determinação de encontrar espaço para o golo, que ficou perto numa bola de Fifó ao segundo poste, onde Maria Pereira falhou a emenda por pouco (6′).
Do outro lado da quadra, Ana Catarina Pereira travou o poder de fogo do Brasil e entusiasmou o pavilhão ao defender o remate forte de Natalinha (6′) e dar a cara à recarga de Luana Rodrigues. O equilíbrio foi desfeito (10’), num lance rápido em que Ana Luiza recebeu um passe longo e deixou para Emilly o 0-1.
Janice Silva (11′) respondeu com um remate para defesa apertada de Bianca e, aos 16′, Ana Azevedo lançou Lídia Moreira que, na direita, aguentou a adversária e devolveu à capitã para atirar contra a saída rápida de Bianca, e encontrar Taty no caminho da recarga.
Ana Azevedo construiu ainda, com Inês Matos (16′), um lance promissor, que a defesa brasileira frustou. Portugal (17’) chegou às cinco faltas, mas aguentou até ao intervalo sem perder a personalidade e a primeira parte terminou com um remate da inevitável Lídia Moreira.
O segundo período teve Inês Matos a brilhar num corte (22′) antes de o Brasil aumentar a vantagem, numa bola que Ana Catarina defendeu para a frente e Amandinha transformou no 0-2 (23′).
Kika tentou reduziu (26′), Kaká ficou perto, e o jogo avançou para uma fase tensa: aos 28′, o Brasil pediu recurso ao suporte de vídeo para analisar um lance na área que obrigou Ana Azevedo a ser assistida; depois, foi Portugal a pedir revisão de um lance de Ana Luiza na área, em ambos os casos sem penálti.
Com o Brasil à procura de mais, Ana Catarina Pereira brilhou ao evitar golos de Emilly e Ana Luiza (30’). Débora Vanin (38’) marcou o 0-3, aproveitando uma perda de bola de Portugal no 5×4.
A equipa lusa alinhou com: Ana Catarina Pereira (gr), Ana Azevedo (cap.), Fifó, Janice Silva e Maria Pereira, tendo como suplentes Maria Odete Rocha (gr), Inês Matos, Helena Nunes, Kaká, Débora Lavrador, Kika, Carolina Pedreira Marta Teixeira e Lídia Moreira, sob a liderança do selecionador nacional Luís Conceição.
Disciplina: cartão amarelo para Lídia Moreira (5′), Maria Pereira (8′), Helena Nunes (15′)
O Brasil entrou com um cinco formado por Bianca (gr), Taty (cap.), Amandinha, Emilly e Ana Luiza, tendo como suplentes Júlia (gr), Débora Vanin, Tampa, Simone, Diana, Luana Rodrigues, Lucileia, Camila e Natalinha, sob orientação do selecionador nacional Wilson Sabóia
Disciplina: Natalinha (8′), Emilly (20′).
A comitiva portuguesa regressa a Lisboa nesta terça-feira, cerca das 19h10, estando marcada para quarta-feira (11h30) a cerimónia de homenagem à seleção na FPF Arena.
Pivot e guardiã com prémios individuais no Mundial
Portugal terminou este torneio histórico ainda com distinções individuais para Lídia Moreira e Ana Catarina Pereira. A guarda-redes do Benfica recebeu a Luva de Ouro, que consagrou a melhor guarda-redes do Mundial.
Lídia Moreira, do GCR Nun’Álvares, recebeu a Bola de Bronze, atribuída à terceira melhor jogadora da prova; Emilly e Débora Vanin, campeãs com o Brasil, conquistaram a Bola de Ouro e a Bola de Prata, respetivamente.
A camisola 14 de Portugal recebeu ainda a Bota de Bronze, que premeia a terceira melhor marcadora do Mundial. A portuguesa fez seis golos e três assistências. A Bota de Ouro foi para a brasileira Emilly (sete golos e duas assistências) e a Bota de Prata para a espanhola Irene Córdoba (sete golos e uma assistência.
Não entra na categoria dos prémios, mas foi um inequívoco momento de distinção do prestígio do futsal português a nível mundial: na cerimónia de abertura da final entre Portugal e Brasil, a FIFA convocou Jorge Braz para levar o troféu para o palco do jogo.
O Coordenador do Futsal da Federação Portuguesa de Futebol e Selecionador Nacional dos AA masculinos é uma figura incontornável da modalidade, a nível mundial, e a FIFA entregou-lhe, simbolicamente, o troféu do primeiro Campeonato do Mundo Feminino de Futsal, um sonho pelo qual se bateu durante muitos anos e que se concretizou nas Filipinas, com Portugal a brilhar entre os melhores.



