Num jogo de parada e resposta, equilibrado até final, o resultado ditou um empate a 35 golos e divisão de pontos entre Portugal e Noruega. Os Heróis do Mar somaram o terceiro ponto e viram atenções para o último jogo do Main Round, esta quarta-feira (14h30), em direto na RTP1.
Portugal entrou em campo decidido a deixar uma imagem de brio após os desaires frente a Alemanha e França. Num jogo de alto ritmo, a equipa lusa mostrou argumentos para bater o pé aos nórdicos, destacando-se a eficácia de Luís Frade e a segurança de Diogo Valério na baliza.
Contando no sete inicial com Gustavo Capdeville, Diogo Branquinho, Salvador Salvador, Rui Silva, João Gomes, António Areia e Luís Frade, a formação portuguesa bem tentou dar a volta ao “bacalhau” norueguês, mas este, mais gélido, não permitiu mais do que o empate, curto para as aspirações portuguesas.
O apito inicial deu o mote para um início frenético na Jyske Bank Boxen. Os ataques superiorizavam-se às defesas com golos de ambos os lados, ainda que com ligeiro ascendente norueguês que se firmava numa vantagem constante de dois golos. A resposta lusa não tardou: António Areia e Luís Frade (cinco golos em seis remates no primeiro tempo) reduziram a diferença para a margem mínima (8-9).
O jogo continuou num registo de parada e resposta constante, com Rui Silva a assumir a batuta da equipa e a manter Portugal encostado no marcador. Aos 16 minutos, Martim Costa, que saltou do banco para dar nova dinâmica ao ataque nacional, fez o empate. No entanto, a Noruega voltou a ser mais pragmática, em especial no contra golo, recurso tático que se mostrava decisivo.
Diogo Valério rendeu Gustavo Capdeville na baliza e, com duas defesas consecutivas, permitiu que António Areia empatasse a 15-15. Após um time-out de Paulo Jorge Pereira, Luís Frade restabeleceu a igualdade a 17, mas o conjunto nórdico, com recurso a um tempo técnico próprio, marcou e levou a vantagem mínima para o descanso (17-18).
Portugal reentrou em campo condicionado por uma exclusão de 2 minutos, que a Noruega aproveitou para dilatar a vantagem. Contudo, a resposta lusa foi liderada por Rui Silva e Martim Costa, mantendo a perseguição constante. Diogo Valério assumiu-se como a figura central deste período, somando defesas que permitiram a Luís Frade restabelecer sucessivas igualdades.
O jogo atravessou um momento crítico quando a Noruega fugiu para 20-23, mas a resiliência portuguesa voltou a vir ao de cima. Com Diogo Valério a somar intervenções decisivas (incluindo duas defesas consecutivas aos 40 minutos), os Heróis do Mar encontraram em Luís Frade o porto seguro que permitiu recuperar. O pivô assinou o 26-25, colocando Portugal na frente do marcador pela primeira vez desde o 1-0 inicial.
Francisco Costa e Martim Costa assinaram um parcial de 3-0 que colocou a equipa das Quinas com uma vantagem inédita de dois golos à entrada dos últimos 10 minutos. A etapa final foi imprópria para cardíacos com as duas equipas a procurarem o triunfo. O equilíbrio foi máximo até ao soar da buzina, com uma defesa de Diogo Valério (a 12ª) a selar o empate (35-35).
O MVP do jogo foi Luís Frade, que marcou 11 golos.
Para Paulo Pereira, Selecionador Nacional, “este empate soube a vitória, tendo em conta também alguns condicionalismos que tivemos para preparar o jogo, não pudemos contar a 100% com dois atletas [Francisco Costa e Luís Frade] que são jogadores-chave para a nossa equipa. Um deles fez um jogo fantástico e depois o ‘Kiko’ também, quando entrou. Portanto, se calhar por um lado soube um bocadinho a pouco, nós jogámos mesmo bem. Este é o Portugal que nós gostamos de ver e queremos, mas depois são pequenos detalhes que fazem com que a vitória caia para um lado ou para o outro”
Apesar de já não ter hipóteses de disputar as meias-finais, Portugal ainda pode lugar pelo quinto lugar, o que vai debater com a Espanha, nesta quarta-feira, novamente em Herning, na Dinamarca (na RTP1, em direto, pelas 14h30).


