O Panathlon Clube de Lisboa organizou hoje a sua sessão mensal, desta vez dedicada ao tema “Ética nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno”. Na sessão moderada pelo jornalista Tiago Almeida, o Diretor-Executivo do Comité Olímpico de Portugal, Pedro Farromba, foi um dos convidados, juntamente com Maria João Cascais, Presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal, Inês Viegas, coordenadora de Desporto do Comité Paralímpico de Portugal e Pedro Gonçalves, comentador desportivo de modalidades de inverno em contexto olímpico.
O evento pretendeu criar um momento de reflexão crítica sobre o momento competitivo que se vive nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos nomeadamente na dimensão dos desportos de neve e gelo, sendo os membros do painel convidados a começar por comentar a relação entre o risco inerente às modalidades desportivas em relação aos requisitos de espetacularidade das modalidades.
Pedro Farromba assumiu que os desportos de inverno têm um nível de risco elevado devido “à neve, gelo, descidas em velocidade e contacto físico constante, sendo também isso que lhes dá a espetacularidade”.
Foram recordados os vários casos que aconteceram nos Jogos Olímpicos de inverno deste ano e que colocaram atletas em perigo, sendo aceite que esse é um dos fatores que cria uma base de espetadores interessados em acompanhar as competições. Pedro Farromba afirmou novamente que está em processo de consolidação a “educação desportiva da nossa sociedade, o que se traduz em maior interesse nos Jogos Olímpicos de inverno” e elencou ainda alguns dos mecanismos de segurança a nível de equipamentos pessoais e de competição que atualmente os atletas utilizam de forma a minimizar a possibilidade de acontecer uma situação de risco.
A primeira presença portuguesa nos Jogos Paralímpicos de inverno, que se iniciam na próxima semana, foi também um dos temas em debate, sendo visto pelo Diretor Executivo do COP como uma “oportunidade para aproveitar a visibilidade e conseguir mais atletas” para esta dimensão.
O segundo tema colocou em debate a justiça competitiva e a análise à equidade com que os vários países se apresentam em competição. Pedro Farromba relembrou que “as realidades são diferentes e o potencial económico dos países dita muito das suas vantagens, mas o potencial desportivo tem muito a ver com a educação desportiva a partir da escola”. Pegando no exemplo de sucesso da Noruega nos desportos de inverno, defendeu que “o sucesso de muitos atletas portugueses, a forma como a comunicação social olha para o atleta, aliado à valorização social do desporto pode trazer-nos muito mais medalhas do que o investimento tecnológico”.
A sessão, que decorreu no auditório do Comité Olímpico de Portugal, encerrou com um momento de perguntas e respostas.

