Pela pena de Gianni Merlo, o eterno Presidente da AIPS, recordou que “Jorge Ribeiro deixou-nos. Tinha 77 anos. Foi nosso tesoureiro de 2005 a 2013, mas para mim, ele foi um amigo que permitiu que nossa Associação crescesse de forma saudável e conquistasse o respeito de todos”.
Acrescentou ainda que “Jorge Ribeiro fez um excelente trabalho nos primeiros anos do seu mandato, lidando com as situações mais delicadas com um cuidado exemplar. Ele sempre foi muito escrupuloso e decisivo. Jorge era um homem que conhecia as dificuldades como a palma da mão”.
Discorreu ainda Gianni Merlo que “Jorge era um homem que conhecia as dificuldades como a palma da mão”.
Jorge Ribeiro nasceu no Porto, Portugal, em 1949. Como jornalista, começou a escrever para o semanário “Actualidades”, depois para o “Norte Desportivo”, e trabalhou na rádio Emissores do Norte Reunidos (1969).
Durante o serviço militar, foi enviado a Moçambique como correspondente de guerra, retornando em 24 de abril de 1974. Essa experiência marcou a sua vida, e escreveu livros descrevendo os seus sentimentos sobre a guerra. Nos meses seguintes, juntou-se à equipe de Manuel Alegre na Emissora Nacional e no “O Primeiro de Janeiro”.
Jorge integrou ainda a equipe que cobriu o “caso Rádio Renascença” no Porto.
Estudou jornalismo em Paris e Praga. Estagiou em agências de notícias como a EFE em Madrid e o Izvestia em Moscovo. Em 1978, ingressou no “JN”, onde foi editor-chefe. Foi presidente da TEP e depois nosso tesoureiro. Posteriormente, lecionou na universidade.
Rico em ideias, Jorge era um homem repleto de novas ideias e sempre respeitoso com os princípios da honestidade e da abertura para ajudar os outros.
“Ao longo dos anos” – reforçou Gianni Merlo – “senti muita falta do seu pensamento crítico e da sua sagacidade. Quando falava, sempre acertava em cheio. Era um lutador pela independência e pela liberdade de imprensa. Detestava compromissos. Nunca teve medo de confrontos com quem pensava diferente, pois respeitava as ideias alheias, mesmo quando não concordava com elas.
Possuía uma vasta experiência, que lhe permitia compreender a evolução potencial de diversas situações. Para a nossa Associação, repito, a sua contribuição foi fundamental. Adeus, Jorge”.
Registe-se ainda que Jirge Ribeiro desempenhou as funções de Presidente do CNID-Associação dos Jornalistas de Desporto em Portugal, tendo sido a Direção por si liderada a única a organizar, no Porto, o Congresso da AIPS em Portugal.
Mário Zambujal e os “Bons Malandros” faleceu aos 90 anos
Mário Zambujal foi jornalista desportivo na RTP, ficando conhecido como apresentador do “Grande Encontro”. Foi também jornalista de A Bola, subdiretor do jornal desportivo Record e chefe de redação do jornal O Século e do Diário de Notícias.
Estreou-se na literatura com a “Crónica dos Bons Malandros”, em 1980, a sua obra mais conhecida. Pelo seu contributo para a comunicação e literatura, foi condecorado em 1984 com a Ordem do Infante D. Henrique.
Faleceu esta quinta-feira, no Hospital da Luz, onde estava internado há várias semanas.
A notícia da morte foi divulgada nas redes sociais pela editora Clube do Autor, que recorreu ao título do seu romance mais conhecido para lembrar o “eterno bom malandro”.
“O seu legado será sempre relembrado por todos, sobretudo pelos seus fiéis leitores, bem como a sua enorme alegria de viver. Neste momento de dor, o Clube do Autor demonstra a sua solidariedade e apoio à sua família e amigos”, escreveu a editora.
Nascido em Moura, Beja, em 1936, viveu na Amareleja até aos cinco anos. A família seguiu depois para o Algarve (onde Mário Zambujal chegou a jogar futebol com Aníbal Cavaco Silva), com o futuro escritor a fixar-se em Lisboa já adulto.
A primeira grande opção de carreira foi o jornalismo, iniciada no desporto, tendo passado em vários meios de comunicação, incluindo na RTP, ficando conhecido como apresentador do “Grande Encontro”, um programa de desporto.
Além da televisão, colaborou em programas de rádio, dos quais se destaca o “Pão com Manteiga”, na Rádio Comercial com Carlos Cruz, (no qual foi coautor dos textos posteriormente reunidos em livro).
Foi também jornalista de A Bola, onde se iniciou como jornalista profissional em 1960, chefe de redação do jornal O Século, onde viveu o 25 de Abril, e do Diário de Notícias, director do jornal de espetáculos Se7e e do semanário Tal & Qual, e colunista do diário 24 Horas.
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Mário Zambujal foi ainda presidente do Clube de Jornalistas, pelo qual recebeu o Prémio Gazeta, em reconhecimento da Carreira.Com queda para a escrita desde cedo, publicou aos 15 anos o seu primeiro texto, um conto, no semanário “Os Ridículos”.
A sua estreia na literatura deu-se em 1980 com a Crónica dos Bons Malandros, um livro adaptado ao cinema, por Fernando Lopes, e a uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa.
A sua obra mais recente, ‘O último a sair’, foi publicada em 2025.
Da vasta obra ligada à escrita, fazem ainda parte guiões de várias séries de televisão, como Lá em casa tudo bem (juntamente com Raul Solnado e Nuno Teixeira), Isto é o Agildo, Nós os Ricos, e “Os Imparáveis. Assinou ainda textos em coautoria, de teatro de revista como Não Batam Mais no Zézinho, Isto É Maria Vitória ou Toma Lá Revista.
A 30 de Julho de 1984 foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Mário Zambujal foi ainda um dos Fundadores do CNID, Associação de Jornalistas do Desporto em Portugal, tendo ocupado também cargos diretivos nos primeiros tempos do clube, criado em 1966.
Fica a um adeus aos dois amigos, sentimentos à família e que descansem em paz!
Fotos: AIPS / Clube do Autor

