Em comunicado difundido para a comunicação social mundial, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) deu conhecimento dos atletas sancionados, aos quais foram retiradas as medalhas então conquistadas em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo realizados entre 2005 e 2013.
Em função das decisões tomadas, o presidente da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU), David Howman, “saudou a conclusão da investigação de quase uma década sobre os casos LIMS/McLaren no atletismo como um “marco histórico”, descrevendo o sucesso da AIU nesses casos como “uma conquista fundamental para a integridade do desporto global”.
Como se diz em Portugal “mais vale tarde do que nunca” e a resolução deste processo pôs termo ao “folhetim” do “foje, foje” russo quanto à dopagem de um elevado número de atletas, sendo agora necessário recompor (pela World Athletics) toda a história estatística das competições envolvidas, mormente as mais significativas como Jogos Olímpicos e Campeonato do Mundo.
Acrescenta ainda a comunicação que “em novembro passado, a AIU anunciou as 12 decisões finais sobre os casos LIMS/McLaren no atletismo, encerrando um processo que começou em 2017 e resultou num total de 66 casos – decorrentes do elaborado escândalo de doping patrocinado pelo Estado russo – sendo julgados com sucesso. Como resultado de investigações exaustivas, iniciadas pelo trabalho da Agência Mundial Antidoping (WADA) e subsequentes processos da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU), vários campeões mundiais e olímpicos tiveram seus títulos cassados, incluindo a marchadora Elena Lashmanova, a lançadora de peso Nadzeya Ostapchuk, os saltadores Svetlana Shkolina e Ivan Ukhov, a corredora de 400 metros com barreiras Natalya Antyukh e a lançadora de martelo Tatyana Beloborodova.
“No total, 14 medalhistas de campeonatos mundiais e olímpicos foram punidos no atletismo graças às investigações LIMS/McLaren, o que levou a uma realocação de medalhas em larga escala sem precedentes, que remodelou fundamentalmente os pódios em grandes eventos do atletismo desde 2005.
“A investigação dos casos LIMS e McLaren não se tratava apenas de punir ofensas históricas”, argumentou Howman.
“Ao analisar incansavelmente esses dados para capturar infratores, anos depois do ocorrido, a AIU enviou uma mensagem inequívoca de que o tempo não é um santuário para os dopados. Não há prazo de prescrição para a verdade e certamente não há limites para a persistência da AIU”.
“Os processos da AIU foram construídos predominantemente a partir de evidências descobertas na Investigação McLaren encomendada pela WADA em 2016 e de evidências importantes recuperadas do Laboratório de Moscovo pela equipa de Investigação e Investigação da WADA em 2019, nomeadamente a cópia do Sistema de Gerenciamento de Informações Laboratoriais (LIMS), dados analíticos associados e amostras.
“A AIU gostaria de reconhecer e agradecer à WADA pelo seu trabalho forense altamente eficaz e incansável, tanto no contexto da Investigação McLaren quanto da Operação LIMS, que, em última análise, lançou as bases para levar esses casos ao nosso desporto”, disse Howman. “Os resultados no atletismo mostram o que pode ser alcançado por meio de uma colaboração genuína no movimento antidoping.”
Os casos LIMS/McLaren foram construídos sobre uma base de dados forenses e depoimentos de denunciantes que expuseram como centenas de testes antidoping positivos foram intencionalmente ocultados por meio da operação de um sofisticado esquema de doping na Rússia. O Laboratório de Moscovo estava no centro do acobertamento, servindo para proteger atletas que se dopavam, com o apoio do aparato estatal.
“O LIMS era um banco de dados de software usado pelo Laboratório de Moscovo para rastrear amostras e resultados de testes. Um denunciante forneceu à WADA uma cópia do banco de dados LIMS de 2015 e, quando a WADA posteriormente obteve os dados em 2019, havia evidências de alterações, emendas e exclusões deliberadas destinadas a ocultar as atividades impróprias realizadas pelo Laboratório de Moscovo, que haviam sido descritas nos Relatórios McLaren.
“Os Relatórios McLaren, por sua vez, resultaram de uma investigação independente encomendada pela WADA e liderada pelo professor de direito canadense Richard McLaren, que revelou evidências impressionantes do programa de doping patrocinado pelo Estado na Rússia. “Ao construir cuidadosa e sistematicamente seus casos contra os atletas, a AIU cruzou os dados do LIMS com os Relatórios McLaren e as evidências subjacentes e reanalisou amostras armazenadas quando relevante.
“A saltadora de triplo Anna Pyatykh, duas vezes medalhada de bronze no Campeonato Mundial, foi o primeiro caso levado à AIU em 2017, com base, em parte, nas evidências da Investigação McLaren, resultando numa suspensão de quatro anos para a atleta após uma nova análise das suas amostras do Campeonato Mundial de 2007 (Osaka) revelar a presença de metabólitos de deidroclorometiltestosterona (DHCMT).
“A corredora de meia distância Tatyana Tomashova, bicampeã mundial e medalhista de prata olímpica em 2004, recebeu a sanção mais severa dos 66 casos – uma suspensão de 10 anos confirmada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) por uma segunda violação de doping pelo uso de substância/método proibido. Depois de terminar inicialmente em quarto lugar na final dos 1500 metros femininos nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, foi elevada à medalha de prata em 2018 após a desclassificação das duas primeiras colocadas por doping. No entanto, ela foi posteriormente destituída dessa medalha de categoria superior depois que evidências do banco de dados LIMS comprovaram que ela também havia cometido violações das regras antidoping.
Houve também suspensões de oito anos para a ex-recordista mundial do lançamento de martelo Gulfiya Khanafeeva e para a corredora de meia distância Yelena Soboleva; esta última teve a medalha de prata nos 1500 metros no Campeonato Mundial de 2007 cassada”.
Ainda assim e baseada na legislação (suportada em meios científicos atualizados) que tem evoluído bastante em função da descoberta da existência de haver novas substâncias (no mercado) que influenciam outras, continuam a surgir novos casos de dopagem, numa luta que não deve “tremer”, mas, antes, reforçar a fiscalização em toda a linha de atuação.
E a verdade é que a AIU anunciou que, em relação ao presente ano de 2026, está a analisar os dados em relação a outros atletas, oriundos do Quénia, Índia, Nigéria e Rússia.
A seguir, apresenta-se a lista dos medalhados olímpicos e de campeonatos mundiais que tiveram as medalhas cassadas como resultado do processo da AIU nos casos LIMS/McLaren.

