Sábado 08 de Agosto de 2020

K4 1000 sem força para medalha mas com Diploma(s) de efectiva superação

Final do K4 1000Mts. Jogos Olímpicos Rio 2016.

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Emanuel Silva, João Ribeiro, Fernando Pimenta e David Fernandes não tiveram força física e anímica suficiente para chegar, no mínimo, ao bronze, o que a canoagem merecia inteiramente face ao extraordinário trabalho feito por este quarteto em três provas.

Alcançando três Diplomas, a melhor modalidade – em termos de conjunto – portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro confirmou porque venceu durante esta época cerca de duas dezenas de medalhas (ouro, prata e bronze) nos vários campeonatos mundiais, europeus, taças do mundo e da europa, mas não teve uma leve ponta de sorte para ser coroada no pódio.

Sim, que para se ganhar também é preciso ter sorte. Nem sempre os mais audazes são protegidos. Foi pena. Mas há que voltar a trilhar o caminho brilhante feito este ano, independentemente da medalha olímpica não ter vindo para Portugal.

Na prova deste sábado, com a Alemanha a sair completamente “disparada” para a medalha de ouro, na passagem pelos 250 metros Portugal seguia em quarto e já sem dar mostras de que tinha capacidade psíquica para “remar contra a maré”, o que foi confirmado nos 500 metros, onde a formação lusa baixou para sexto lugar, já sem qualquer hipótese de chegar a qualquer medalha, porquanto a Eslováquia e a República Checa perseguiam o barco alemão.

Nos 750 metros, Emanuel e seus companheiros passaram na 7ª posição, perfeitamente fora do 4º e 5º lugares e com grandes dificuldades em manter-se “à tona”, vindo a concluir no sexto lugar com uma vantagem de apenas seis milésimos da França, que foi 7ª.

Os tempos finais também confirmam a diferença existente, com Portugal a ficar a mais de cinco segundos dos campeões alemães (3.02.14), embora mais perto (dois segundos) da Eslováquia (3.05.04) e da República Checa (3.05.17), embora do pódio.

Esta foi a única presença portuguesa neste sábado, que termina este domingo com quatro atletas lusos em acção.

 

Últimos representantes lusos em fim de festa neste domingo

 

Dos maratonistas Ricardo Ribas e Rui Pedro Silva (13h30) não se esperam resultados por aí além, em função das marcas que conseguiram este ano (Rui Pedro Silva nem correu nenhuma maratona em 2016), pelo que se parte de uma incógnita.

No ciclismo, David Rosa e Tiago Ferreira vão estar presentes (16h30) na prova de BTT – XCO, onde também pouco se sabe, se bem que há quatro anos o comportamento tido, em estreia, foi positivo.

Pela meia-noite, a cerimónia de encerramento, que terminará com a entrega da bandeira olímpica aos representantes do governo de Tóquio, onde será a edição de 2020.

 

Mais campeões olímpicos neste sábado

 

No Andebol (feminino), a Rússia venceu a França por 22-19 e conquistou o título de campeão olímpico, enquanto a Noruega ganhou o bronze depois de ganhar (36-26) à Holanda.

No Futebol, foi sofrer de princípio até … ao desempate pela marcação de grandes penalidades.

O Brasil adiantou-se no marcador, com um golo de Neymar, ainda na primeira parte, tendo a Alemanha (que afastou Portugal nos quartos-de-final) empatado aos 60’, com um golo de Max Mayer, resultado que se manteve até final dos 90 menos e também não sofreu alteração no prolongamento, pelo que houve necessidade da marcação de grandes penalidades.

E aqui a felicidade esteve com os brasileiros, com o mesmo Neymar a marcar a última grande penalidade e dar ao Brasil o primeiro título olímpico, que se ajusta ao desenrolar em campo durante os 120 minutos de jogo, ante uma Alemanha que vendeu cara a derrota mas que viu outra equipa que fala português a “vingar-se” da derrota infligida a Portugal nos quartos-de-final, que nos afastou de poder estar nesta final.

A medalha de bronze foi alcançada pela Nigéria, que bateu as Honduras por 3-2.

No Triatlo, a nova campeã olímpica é a norte-americana Gwen Jorgensen, que cobriu o percurso no tempo de 1.56.16, sendo a medalha de prata para a suíça Nicola Spirig (1.56.56) e a britânica Vicky Holland (1.57.01), uma competição disputada praticamente metro a metro durante todo o tempo.

 

Medalheiro – Estados Unidos, G. Bretanha e China no pódio

 

Após as finais das provas relativas a esta sexta-feira (na hora de fecho da redacção, meia noite e meia), houve duas alterações: a Rússia subiu ao 4º lugar por troca com a Alemanha e a entrada, no top tem, da Coreia do Sul para o oitavo lugar.

A classificação é a seguinte:

1.Estados Unidos, 111 medalhas, sendo 40 de ouro, 36 de prata e 35 de bronze; 2. Grã-Bretanha, 63 (26-22-15); 3. China, 68 (24-18-26); Rússia, 53 (17-17-19); Alemanha, 40 (16-10-14); Japão, 41 (12-8-21), França, 40 (9-17-14), Coreia do Sul, 20 (9-3-8); Austrália, 29 (8-11-10) e Itália, 25 (11-6-8).

Portugal continua a descer, mantendo-se no grupo dos últimos de nove países (passando da 73ª posição para 75ª) correspondente ao bronze de Telma Monteiro.

 

Outras notícias

 

- Por indisciplina, referido a uma “invenção” de assalto a atletas americanos, que se provou não ser verdade, o nadador Ryan Lochte foi suspenso e ficará a aguardar o processo de inquérito que a Federação de Natação e o Comité Olímpico dos Estados Unidos da América vão implementar para se apurar o que se passou e aplicar eventuais sanções. Por este motivo, dois outros nadadores, que faziam parte do grupo, foram impedidos de sair do Brasil pelas autoridades policiais, já no aeroporto.

 

- Por venda ilegal de bilhetes, através de uma empresa da qual era líder, Patrick Hikey, membro do Comité Olímpico Internacional e presidente do Comité Olímpico da Irlanda, foi detido pelas autoridades policiais brasileiras em pleno Rio de Janeiro.

 

- Mais doping. Desta vez foi o canoísta Serghei Tarnovschi (Moldávia) cujo resultado positivo levou-o à desclassificação na prova de canoagem (C1 1000), perdendo a medalha de bronze que tinha recebido.

 

- Uma das principais figuras dos Jogos Olímpicos voltou a ser o jamaicano Usain Bolt, que repetiu a proeza – concretizada em 2008 (Pequim) e 2012 (Londres) – de ganhar três medalhas de ouro em cada edição, para o caso nos 100, 200 e estafeta 4×100 metros. É obra e … a superação da superação. Recorde-se que Bolt é ainda recordista mundial das mesmas provas (9,58, 19,19 e 36,84, as duas primeiras no mundial de Berlim’2009 e a última nos Jogos de Londres (2012). Ao que parece, vai abdicar dos 200 metros porque se … “sente velho para esta distância”.

 

- Após ter sido eleita para a Comissão de Atletas do Comité Olímpico Internacional, a russa e recordista mundial do salto com vara – ainda campeã olímpica, mundial e europeia várias vezes – anunciou que abdicou da carreira como atleta para se dedicar a outras funções, se bem que dentro do desporto. Provavelmente, para “pagar o mal feito por a terem considerado dopada”, Isinbayeva poderá integrar a estrutura desportiva do seu país, que aliará (e complementará) com as funções na referida Comissão de Atletas, um primeiro passo para que, nas próximas eleições, possa integrar a lista de candidatos aos corpos sociais do Comité Olímpico Internacional.

 

- O assumir, publicamente, a sexualidade de cada um ainda não é um factor comum no dia-a-dia mas muitos não encontram qualquer problema nisso. Foi o caso, no Rio de Janeiro, da nadadora italiana Rachele Bruni ter dedicado a medalha de prata conquistada na prova em águas abertas à namorada, Diletta Faina.

 

- Não tinha, há bastante tempo, ligações com o mundo olímpico – pelo facto de ter deixado de ser Presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA) num mandato de 24 anos – mas o nome e a figura do dirigente brasileiro João Havelange devia ter sido lembrada no decorrer dos Jogos do Rio de Janeiro após a sua morte, que se verificou no dia 16 deste mês de Agosto, com 100 anos e mais três meses, porquanto nasceu em 8 de Maio de 1916.

Figura impar do desporto mundial ao longo de cerca de oitenta anos, Havelange foi nadador e jogador de polo aquático e esteve em dois Jogos Olímpicos (1936 e 1952, respectivamente em Berlim e Helsínquia) e dirigente amigo de Portugal, motivo pelo qual foi agraciado pelo nosso país por quatro vezes desde 1961, quando recebeu a medalha de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e, em 1991, a Grã-Cruz da ordem de Mérito.

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