Sábado 19 de Outubro de 2019

Manuel Mendes, com bronze na maratona, fechou com chave de ouro

paraolimpic_games2016O último dia dos Jogos Paralímpicos Rio’2016 terminou em beleza para a representação portuguesa porquanto, nas únicas três provas em que Portugal esteve presente, os atletas fizeram o pleno e conquistaram mais uma medalha de bronze (a quarta) e mais dois Diplomas, culminando num pecúlio final de quatro medalhas de bronze e vinte Diplomas, superando o que tinha acontecido em 2012, em Londres.

Manuel Mendes (T46) foi o herói no último dia ao conquistar a medalha de bronze na maratona, com o tempo de 2.49.57, numa corrida em que dos dez inscritos desistiram quatro e apenas chegaram seis atletas.

Na mesma distância mas na categoria de T12, Jorge Pina obteve o 7º lugar, correspondente a mais um Diploma, com 2.55.47, com 11 participantes, dos quais desistiram dois e um foi desqualificado.

Proeza também cometida por Gabriel Macchi, na mesma categoria, que foi 6º com o tempo de 2.43.49, com o vigésimo Diploma para Portugal.

Com as quatro medalhas conquistadas, Portugal classificou-se no 73º lugar – entre os 83 países que também lograram o mesmo feito – um pouco abaixo da 63ª posição conseguida em Londres’2012 (uma de prata e duas de bronze), mas suplantou a capital londrina em número de Diplomas (18) ao chegar-se aos vinte no Rio’2016.

Uma vez mais a superação imperou, o que é digno de registar.

Com um comentário de “receio” antes do início dos Jogos – igualar Londres já seria bom, como referiu Humberto Santos, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal – por certo que o balanço geral que vai ser feito é suficientemente claro para dizer que a satisfação é enorme, que não se esperaria tanto e que cumprimos a nossa missão em pleno.

A entrada de novos países em cada ciclo que passa, que tem tecnologia de ponta para poder começar a ganhar desde o princípio, causa sempre alguma “turbulência” aos países que militam há mais tempo, como é o caso de Portugal, que das 14 medalhas conquistadas em 1984 (1ª participação), 1988 e 1996 e das 15 em 2000, passou para 12, desceu às 7 e às 3 em 2012.

Mas pode ser que o ciclo se inverta para o futuro, primeiro porque no Rio o número subiu para 4 e, segundo, passou a haver um maior apoio governamental na promoção deste tipo de actividades, com mais escolas preparadas para ajudar os cidadãos portadores de deficiência a integrarem-se nas actividades desportivas.

Resta esperar que o projecto tenha sucesso.

Mas no sucesso também existe o insucesso. Não desportivo mas de vida. Vida que um atleta iraniano deixou ficar na cidade do samba no decorrer da competição de ciclismo. O desporto também destas coisas. No último dia, o luto, o que não se verificava há 57 anos em Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Voltando ao sucesso, também se verificou no fechar do palco (Maracanã) depois de uma cerimónia de encerramento em que, deslumbrantemente, o Rio de Janeiro se despediu do mundo no que se refere aos Jogos Paralímpicos’2016, ainda que com um semblante algo carregado pela tristeza, pelo triste acontecimento que atrás relatámos.

Esta segunda-feira haverá muita gente a regressar aos respectivos países. Outros só mais tarde por causa das ligações aéreas. Outros ainda ficarão alguns dias de férias.

Mas outros, os responsáveis técnicos do Comité Paralímpico Internacional, também tem que analisar e divulgar os dados do atleta malaio que venceu o salto em comprimento, de apenas 19 anos de idade, e que saltou 7,60, uma marca só possível aos grandes dotados, sem mazelas seja de que tipo for.

É esquisito, no mínimo, que tenha acontecido e que deixe dúvidas que devem ser esclarecidas.

Adeus Rio. Viva Tóquio’2020. Mãos à obra, desde já, como o canoísta Emanuel Silva já desafiou os poderes instituídos para começarem a tratar do planeamento para 2020.

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