Quarta-feira 26 de Fevereiro de 2020

Frederico Varandas para “Unir o Sporting”

© JCMyro 2018

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De inesperado a vencedor, sem dúvida que foi uma “grande” corrida de fundo para Frederico Varandas e João Benedito, com um resultado histórico na votação dos 22.510, quer presencialmente, que correspondiam (19.159) quer (via correios) por votos por correspondência (3.351).

Como é óbvio, Varandas chamou a si a parte de leão (45.019 votos = 43,32 %) – e foi eleito o 43º presidente do Sporting – enquanto Benedito se ficou pelos 39.187 votos (36,84 %), enquanto José Maria Ricciardi se fixou no terceiro lugar, com 15.481 (14,55 %), resultados que foram cimentados ao longo do período eleitoral e na última semana, dando origem a várias sondagens que não fugiram desta regra.

Quiçá por serem mais jovens, Varandas e Benedito tiveram mais “pedalada”, passando por todo o lado onde houvesse associados para votar, em especial no “balneário”, já que parece terem sido os únicos que se dirigiram aos atletas do clube, todos filiados (por “obrigação dos contractos profissionais”), o que alguém se terá olvidado.

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© JCMyro 2018

Embora ligado especificamente ao futebol – onde foi médico do futebol sportinguista de 2011 até Maio passado – Varandas criou facilmente uma empatia com toda a estrutura sportinguista e, recorde-se, foi o primeiro a anunciar que se candidataria a presidente do Sporting. “Candeia que vai na frente alumia sempre mais” – diz o ditado – pelo que se confirmou ter chegado primeiro e mais “iluminado”.

Dos outros candidatos – que representaram 3,76 % dos votos (3.002), pouco mais se poderia esperar, sendo até de admirar os 2,36 % (2.504) adquiridos por Dias Ferreira, que “teima” sempre avançar sabendo que não será vencedor. Aliás como os outros dois que se estrearam (Fernando Tavares Pereira, com 0,90 % (954) e Rui Jorge Rego, com 0,50 % (544) e não tiveram a visão de que as candidaturas não iam dar a lado nenhum, nem “beliscar” (para cima ou para baixo) os outros concorrentes.

Na tomada de posse, este domingo, Varandas desfilou um conjunto de itens para trilhar o caminho do futuro, ao encontro de recolocar o Sporting no seu local certo, mais a mais numa altura em que ou “se apanha ou se perde o combóio da Europa”.

Com as alterações regulamentares aplicadas pela FIFA, especificamente as da área financeira, é certo e sabe que os leões só podem trabalhar para chegarem aos 80 milhões de euros da Liga dos Campeões e não aos cerca de 15 milhões que correspondem à Liga Europa, onde vai participar na presente época.

Uma tarefa árdua quanto mais é pública que as necessidades urgentes em Alvalade rondam os 200 milhões de euros, que contabilizam uma “almofada” para o futuro, ainda que tendo necessidade de ir vendendo as “pérolas” que singrarem na Academia, onde este “potencial humano” parece estar a decrescer.

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© JCMyro 2018

“Virámos uma página e o passado ficou para trás” – frase referida na tomada de posse – pode ser considerado, ao mesmo tempo, que “o futuro é nosso, do Sporting”, ainda que até Novembro o clube que angariar receitas extraordinárias para liquidar os compromissos existentes no presente momento, não se conhecendo ainda os resultados da época de 2017/2018 (que deveriam ter sido analisados até Junho passado), se bem que se aponte para mais um défice “pesado”.

Nas eleições mais participadas de sempre – em que os associados mais jovens aumentaram numericamente, grupo que será reforçado ano a ano, “substituindo” os setentões existentes – Varandas percebeu que tem muito que fazer, num mandato de quatro anos, tempo curto para se poder obter resultados de vulto, mas que vale a pena tentar, mormente no futebol, com os leões a atingir quase vinte anos sem conquistar um título nacional na categoria principal.

Para além do que definiu no programa, importa o dia-a-dia – para colocar o Sporting em dia – e projectar o futuro, onde a sorte é também um factor importante, ainda que dê muito trabalho como o Mestre Moniz Pereira sempre disse depois de Carlos Lopes ter conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

“Nasci no Sporting, cresci no Sporting, respiro o Sporting, mas não sou o Sporting. A minha missão é servir o Sporting Clube de Portugal”, segundo referiu Varandas, o que é importante mas não chega para atingir o pódio. Há muito por fazer, que não renegará, mas outro dos principais factores é a gestão interna.

© JCMyro 2018

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Frederico Varandas terá Rogério Alves com presidente da Mesa da Assembleia Geral, cargo que desempenhou anos atrás e num momento também algo quente, cabendo do Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar, Joaquim Baltazar Pinto, a garantia do cumprimento da regulamentação geral e específica do clube, o que também é uma tarefa hercúlea, pelo menos se verificarmos que um dos primeiros processos a decidir seja a proposta de expulsão do anterior presidente do clube.

Há que acreditar que o Sporting vai encontrar “o fio à meada” e que estará de regresso ao top no prazo mais curto que for possível.

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