Quinta-feira 01 de Outubro de 7587

COP e SIGA parceiros na consciência sobre o abuso de menores no desporto

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A “Sport Integrity Week“, promovida pela SIGA (Sport Integrity Global Alliance), da qual o português Emanuel Medeiros é o CEO, discutiu “a protecção de menores de abusos morais e sexuais no desporto”, que decorreu, por via telemática, durante a semana passada, como aqui demos nota.

Segundo a informação veiculada pelo COP, num painel moderado pelo Director-geral do Comité Olímpico de Portugal, João Paulo Almeida, e no qual participaram Joana Dias Alexandre (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa-ISCTE), Bruno Avelar Rosa (Qantara Sports), Cristina Matos Almeida (Instituto Português do Desporto e Juventude-IPDJ), e Miguel Nery (Faculdade de Motricidade Humana-FMH).

Cristina Matos Almeida enquadrou o problema como “um assunto que foi tabu durante muito tempo.” Apesar da sua importância, tem sido “silenciado, mas devemos falar muito acerca dele”, reforçou. A especialista do IPDJ abordou a existência de campanhas, em particular a “Start to talk”, do Conselho da Europa, como ferramentas importantes para que seja criada uma consciencialização em relação ao problema, o que implica mais um passo: “Se começamos a falar do assunto, precisamos de ter um sistema que responda. Se não existir, vai ser um problema.”

Um jovem abusado em cada sete, antes dos 18 anos, foi o dado apresentado por Filipa Dias Alexandre (ISCTE). “Estamos a falar de um assunto muito importante”, cujas consequências são extremamente negativas. “Temos de ser vigilantes e temos de desenvolver sistemas de protecção”, acrescentou, alertando para um factor que dificulta a abordagem deste fenómeno: “Para as crianças é muito difícil falar do assunto.”

Miguel Nery (FMH), criticou a “falta considerável de programas para fazer a prevenção destes casos”, o que lança alguma desorientação: “As pessoas não sabem o que fazer.” Depois levantou mais uma dificuldade ligada ao trabalho que é desenvolvido a um nível ‘macro’. “Muitas coisas estão a ser feitas, mas não chegam ao nível ‘micro’.”

João Paulo Almeida introduziu na discussão a pouca consciencialização que os decisores têm em relação ao abuso de menores no desporto. Como abordar o problema perante esta situação?

“Vamos em direcção a um momento melhor para que o sistema desportivo possa ter mais consciência do problema”, respondeu Bruno Avelar Rosa (Qantara Sports). Mas “precisamos de um caso mediático”, acrescentou em analogia às denúncias públicas desencadeadas por atletas de topo que colocaram a protecção de menores de abusos sofridos no desporto na agenda internacional.

“Este é um assunto silencioso, é algo que nos deve preocupar. Há políticas que estão a ser desenvolvidas, mas em Portugal parece que ainda não sentimos o problema. Não precisamos esperar pelo escândalo para actuar.”

Joana Dias Alexandre considerou que neste ponto o trabalho principal é “estabelecer normas específicas” para abordar o fenómeno, “como se fez em relação à violência doméstica.” E “é preciso informar os pais” sobre o abuso de menores no desporto.

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