Sexta-feira 19 de Agosto de 2022

Campeonatos de Portugal de Atletismo regressam a Leiria este fim-de-semana

pistaatletismoO Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, volta a acolher, neste fim-de-semana, a mais importante competição do calendário nacional, como é o caso dos Campeonatos de Portugal, no caso, pela quinta vez.

Tendo-se iniciado em 1910, apenas para atletas masculinos (107ª edição agora), este evento deu guarida às senhoras a partir de 1937 (86ª edição) e que atribui os títulos aos campeões individuais.

Em termos históricos, Georgette Duarte e João Vieira (que ainda está em competição) são os atletas campeões-dos-campeões (pista, corta-mato e estrada).

A antiga atleta do Belenenses somou 46 títulos nos anos quarenta e cinquenta do século passado, em dez especialidades diferentes (embora contando com as antigas distâncias de 80 e 150 metros). Seguem-se-lhes duas lançadoras, Adília Silvério (37 títulos) e Teresa Machado (34). Fernanda Ribeiro, que chegou aos 23 títulos, tem um recorde difícil de repetir: foi campeã com 24 anos de intervalo, entre 1985 (quando se sagrou campeã dos 3000 m com 16 anos) e 2009 (campeã da maratona aos 40 anos)! Das atuais atletas, destaque para Vânia Silva (que está inscrita para participar), com 20 títulos no martelo, estando já no top’10.

No sector masculino, Matos Fernandes foi, até 1986, o atleta mais vezes campeão (36), sendo nesse ano igualado por José Carvalho. Este, face ao título do decatlo de 1944 ao longo de muitos anos indevidamente atribuído a Matos Fernandes (tratou-se de um campeonato regional), sempre lamentou não ter sabido a tempo que só lhe faltava uma vitória para se tornar o atleta mais vezes campeão de Portugal! O marchador João Vieira, com os três títulos conquistados em 2020 (aos 44 anos de idade!) e os dois em 2021 (aos 45 anos), subiu a primeiro, com 39 títulos. E ainda tem mais 20 em pista coberta… Uma curiosidade: Fernando Mamede (20 títulos) e Carlos Lopes (19) aparecem logo a seguir ao top-10.

O Sporting, com mais de 1.400 títulos, e o Benfica, a caminho dos 1.000, são, de longe, os clubes com mais vitórias individuais. No setor masculino, segue-se o CIF – Clube Internacional de Futebol, com 121 títulos conquistados nos primórdios da modalidade, entre 1910 e 1933 (e, depois, mais alguns, dispersos, até 1953), e, depois, FC Porto (84), Belenenses (69) e outro clube dos mais antigos, o Académico FC, do Porto (65).

No setor feminino, o Belenenses também passou a centena de títulos (115), estando à frente do FC Porto (72) e do Maratona (59).

É no seguimento desta carga histórica que a edição dos Campeonatos de Portugal Leiria 2022 se apresenta com os desafios habituais: que atletas conseguirão repetir os seus títulos e quais os estreantes na tabela de campeões.

Porém, o ano de 2022 tem agendadas duas das competições internacionais mais importantes: os Campeonatos Mundiais em Eugene, Oregon’22, e os Campeonatos Europeus Munique’22, para as quais estes Campeonatos de Portugal se apresentam como fundamentais para a definição da presença portuguesa, já que é uma competição de nível B (acréscimo de 100 pontos à marca obtida pelo vencedor, 80 pontos ao segundo e 70 ao terceiro, por exemplo).

Sendo ainda fundamental e necessária a presença dos atletas para poderem aceder à seleção nacional para estas competições, nas listas de inscritos constam os melhores portugueses da actualidade, que prometem a obtenção de bons resultados desportivos, assim as condições atmosféricas o permitam.

Numa primeira linha, destacam-se os atletas que já obtiveram a marca de qualificação para os Mundiais (mas que terão de ser selecionados para a sua participação efetiva): Lorene Bazolo (Sporting) nos 100 e 200 metros; Cátia Azevedo (Sporting) nos 400 metros; Marta Pen (individual) nos 1.500 metros; Patrícia Mamona (Sporting) no triplo salto; Auriol Dongmo (Sporting) no lançamento do peso; Liliana Cá (individual), no lançamento do disco; Solange Jesus (Feirense) na maratona; e Pedro Pichardo (Benfica) no triplo salto.

Fechado o período de qualificação, as marchadoras Inês Henriques (CN Rio Maior), Vitória Oliveira (Sporting Braga) e Sandra Silva (AC Póvoa de Varzim), e os marchadores, João Vieira (CN Rio Maior) e Rui Coelho (Benfica) foram considerados elegíveis para participar nos 35 km marcha, por se situarem dentro das quotas definidas pelo World Ranking.

Para os Mundiais de Oregon’22, outros oito atletas estão dentro das quotas do World Ranking, mas as contas finais terão de esperar mais alguns dias, pois grande parte dos países escolheram este fim-de-semana para realizarem os seus campeonatos nacionais. Estão dentro das contas, os atletas: Vera Barbosa (Sporting) nos 400 m barreiras; Evelise Veiga (Sporting) no salto em comprimento; Jessica Inchude (Sporting) no lançamento do peso; Irina Rodrigues (Sporting) no lançamento do disco; Ana Cabecinha (CO Pechão), nos 20 km marcha; Tiago Luís Pereira (Sporting) no triplo salto; Francisco Belo (Benfica) no lançamento do peso; e Leandro Ramos (Benfica) no lançamento do dardo.

Outros 14 atletas (masculinos e femininos) estão entre os que ainda podem aspirar à obtenção de um lugar nas quotas de qualificação pelo World Ranking.

Quanto aos Campeonatos Europeus de Munique’22, para além dos que obtiveram marca de qualificação para Eugene, e que poderemos ver em Leiria, estão em condições de serem seleccionados os atletas: Jessica Inchude (Sporting) no lançamento do peso; Irina Rodrigues (Sporting) no lançamento do disco; Ana Cabecinha (CO Pechão) nos 20 km marcha; Inês Henriques (CN Rio Maior) nos 35 km marcha; Susana Cunha (Feirense) na maratona; Samuel Barata (Benfica) nos 10 000 metros; Etson Barros (Benfica) nos 3 000 m obstáculos; Leandro Ramos (Benfica) no lançamento do dardo; Hermano Ferreira (Casaense) e Luís Saraiva (Sporting Braga) na maratona; João Vieira (Sporting) nos 35 km marcha; e ainda a estafeta de 4×100 metros.

Depois, entre posições no World Ranking ou à espera de as alcançar, estão cerca de três dezenas de atletas, com metade deste número a terem reais possibilidades de poderem competir em Munique.

Este conjunto de atletas com aspirações internacionais, estão em boas condições para poderem obter recordes dos campeonatos, sendo que há alguns bem “velhinhos”, especialmente os dos 3.000 metros obstáculos (8m24s40”, obtido por José Regalo), que já soma 35 anos, e dos 800 metros masculinos (1.47,09, obtido por Mário Silva), que já vai em 31 anos!

Ainda vêm do século passado os recordes femininos dos 200 metros (23,15, de Lucrécia Jardim) e dos 1 500 metros (4.09,59, de Marina Bastos), ambos obtidos em 1994; e os recordes masculinos dos 5.000 metros (13.23,09, de António Pinto), obtido em 1994; dos 1.500 metros (3.37,1, manual, de António Travassos), obtido em 1997; e dos 400 metros barreiras (49,42, de Carlos Silva), obtido em 1999.

Uma panóplia de informação que pode ajudar os adeptos da modalidade – e também atletas em competição e mais antigos – a recordar o que foram os tempos de ouro da modalidade, tentando-se recuperar a mística latente nos tempos que todas as figuras de primeira linha estavam presentes e que provocada o enchimento das bancadas do antigo Estádio José Alvalade e, até, do Estádio Nacional.

O evento pode ser seguido, via Streaming, no site da FPA pelo Youtube e Facebook

 

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