Quarta-feira 18 de Fevereiro de 2026

Lucas Braathen ou o brasileiro que conquistou o primeiro ouro para a América Latina

Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha de ouro para a América Latina numa Olimpíada de Inverno, competindo pelo Brasil (carregou a bandeira do país na cerimónia de abertura) e fez história.

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AIPS-Getty Images

Venceu o slalom gigante por um país onde não neva e casacos pesados ​​de inverno só são usados ​​em viagens à Europa. Histórico! Épico! Não havia adjetivos suficientes para descrever a conquista. O pai é norueguês e a mãe brasileira.

No ano passado, também durante o Carnaval, um filme brasileiro ganhou o Oscar de melhor filme internacional. Durante o desfile das escolas de samba, que atrai mais de 100 mil pessoas para o maior espetáculo a céu aberto do planeta e é transmitido para 140 países, o anúncio foi feito com o tom patriótico que a ocasião exigia. Era um prémio esperado, mas que parecia improvável – a medalha de ouro de Lucas era, até este sábado, inesperada e impossível.

Inesperado talvez seja um exagero, considerando os resultados nas etapas da Copa do Mundo desta temporada. Impossível é uma palavra que o desporto desconhece. Felizmente. E é por isso que todos os dias surgem novos heróis improváveis. Homens e mulheres que desafiam o “você não pode”, substituindo-o por “você conseguiu”. Num país onde a miscigenação e a imigração fazem parte do seu DNA, nada é mais natural do que essa mistura Noruega/Brasil.

Num português carregado de emoção, logo após a vitória, Lucas disse que se sentia feliz por representar 220 milhões de pessoas. Ele dançou um pouco de samba durante a festa (nada mais carnavalesco) e provavelmente comemorará com pão de queijo e brigadeiro. Não haverá tempo para fazerem máscaras com seu rosto simpático para este carnaval, mas seu nome na história já está garantido.

Se existem piscinas de ondas para simular competições de surf, não seria exagero imaginar pistas de esqui surgindo onde não há neve… De verdade. Talvez seja um sonho mais forte do que ganhar uma medalha de ouro olímpica que “inspire novas gerações”, como disse Lucas. É um desporto caro. O Brasil é pobre, mas felizmente algumas pessoas insistem em desafiar tudo isso e transformar o impossível em momentos felizes, em história.

Como não há tradição em desportos de inverno no Brasil, até mesmo a presença da imprensa é restrita. O Comité Olímpico Internacional concede poucas credenciais ao país. Como um canal desportivo fechado transmitiu as Olimpíadas ao vivo, pudemos acompanhar a conquista em tempo real. Os jornais correram para atualizar suas informações e produzir material para celebrar a medalha em suas edições. O ouro mereceu esse esforço – e queremos mais espaço daqui para frente.

Na próxima visita ao Brasil, de preferência após mais uma conquista nesta segunda-feira, Lucas Pinheiro Braathen será reconhecido nas ruas, dará autógrafos e será alvo de inúmeras selfies. Ele se tornou um herói nacional. Um herói que ainda chora ao ouvir o hino nacional, lutando para cantá-lo por causa de seu português precário. Ele transmite, no entanto, muita emoção. E isso é definitivamente o que importa no desporte.

É preciso treinar. Ter vontade férrea de fazer mais e melhor. Superação em Superação até entrar na Transcendência!

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” é um famoso verso do poema “O Infante”, de Fernando Pessoa, incluído na obra Mensagem. Representa a união entre a vontade divina, a ambição humana e a concretização dos Descobrimentos Portugueses, simbolizando que os sonhos, aliados ao esforço, se transformam em realidade. E Portugal descobriu o Brasil.

Lucas Pinheiro Braathen descobriu o ouro numa montanha de gelo em Itália. Num Carnaval abaixo de zero!

Mais um Deus para o Olimpo, lugar onde estão os que já partiram para os sonhos dourados do universo desportivo.

Noruega comanda medalheiro

A cinco dias do final dos Jogos Olímpicos de Inverno, quando faltam 36 competições para medalhas, a Noruega continua a comandar o medalheiro, somando 31 (14 de ouro, 8 de prata e 9 de bronze), seguindo-se a Itália, com 24 (9-4-11), Estados Unidos América, com 21 (6-10-5), Países Baixos, com 13 (6-6-1) e Alemanha, com 20 (5-8-7), havendo mais 21 países com medalhas

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