Sexta-feira 06 de Março de 2026

COP assinalou Dia da Mulher com reflexão sobre representação feminina no desporto

O Comité Olímpico de Portugal assinalou o Dia Internacional da Mulher com uma cerimónia que pretendeu refletir sobre o lugar da mulher no desporto e os impactos da representação na carreira e nas oportunidades.

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COP

Fernando Gomes, Presidente do COP, deu mote à sessão: “Não se trata apenas de contar quantas vezes as atletas aparecem nas notícias, trata-se de perceber como são retratadas, de avaliar o peso dado às suas conquistas e de perceber que tipo de histórias se contam sobre mulheres no desporto; estes dados permitem-nos agir com maior foco e responsabilidade”.

Um dos pontos altos da tarde foi uma mesa de debate que juntou várias perspetivas sobre a narrativa do desporto feminino e os condicionalismos inerentes à representação feminina no desporto.

Telma Monteiro, medalhada olímpica de Judo, deixou um conselho a todas as mulheres que pretendem enveredar por um caminho no desporto: “É um desafio muito grande conseguirmos afirmar a nossa identidade e os nossos valores quando estamos num caminho de procura de reconhecimento e visibilidade. O que me orgulho muito é que todas as minhas decisões foram de encontro àquilo que eu penso, ao que são os meus valores. Se queremos fazer uma mudança, temos de tomar decisões que não são fáceis, por isso o meu conselho é que sejam corajosas”.

Margarida Silva, medalhada no Atletismo nos Jogos Surdolímpicos reforçou a mensagem de coragem. “Mostrar-me enquanto mulher, atleta e surda é ter coragem para mostrar aquilo que somos, o que defendemos e o que representamos, o que somos e os nossos princípios”.

Maria Estarreja, Diretora de Marketing do grupo Lusíadas Saúde e outra das convidadas da mesa-redonda, trouxe a visão das marcas para a conversa. “As marcas gostam de estar próximas de quem tem valores sólidos. Porque os valores são muito importantes e por isso quando pensamos se faz sentido ou não patrocinar… não é só pelo mediatismo, é tudo o que está à volta e os valores são mais importante do que o tempo de antena que vai haver”.

Nuno Dias, jornalista e antigo atleta de Karaté defendeu que a comunicação deve ser mais equitativa para que o “tratamento de homens e mulheres seja promovido de forma igual. O jornalista deve relatar factos, tem o dever de informar”.

Diana Gomes é a atual Secretária-geral do COP e a primeira mulher a cumprir tais funções na instituição portuguesa, depois de um percurso na Natação coroado com duas participações olímpicas. Agora nas funções de dirigente, Diana Gomes foi elogiada pelo Presidente do COP na sua intervenção: “A presença de Diana Gomes como Secretária-geral é um sinal concreto de mudança institucional ao mais alto nível. A diversidade não é um adorno, é competência. É capacidade de ver problemas por múltiplas perspetivas e de desenhar respostas mais eficazes. E esse é o compromisso do COP!”.

Na sessão, Diana Gomes tomou a palavra para apelar ao poder transformador do desporto: “O desporto tem uma capacidade única de refletir a sociedade mas também de a transformar. Aquilo que acontece no desporto tem impacto muito para além dele. Para transformar perceções é preciso algo mais profundo: reconhecimento mediático, estruturas desportivas sólidas e um compromisso institucional consistente. Que saibamos afirmar o desporto como um espaço que continua a abrir caminhos, a dar visibilidade ao mérito e a garantir que nenhuma rapariga sinta que está sozinha num lugar que também lhe pertence”.

O Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, ficou com o momento de encerramento da cerimónia, tendo destacado o caminho que está a ser percorrido para que o desporto se torne mais equitativo, dando como alguns exemplos o desporto escolar, bem como o universo de treinadores e de dirigentes. “Cabe-nos a todos nós tomar opções corajosas para trazermos para agenda esta discussão. Precisamos de referências no desporto, são elas que criam a ilusão nas crianças e são várias as entidades que nos podem ajudar a fazer este percurso. Quando as crianças veem a Telma [Monteiro] ou a Margarida [Silva] veem um sonho, uma possibilidade, veem-se naquele lugar”.

 

Projeto POWER apresentou as suas conclusões

A sessão contou também com a apresentação das conclusões do projeto “POWER – The portrayal of women athletes in sports media”, da responsabilidade da Sport Evolution Alliance e que foi apresentado pelo coordenador Thiago Santos.

De entre as várias conclusões, obtidas através da análise de milhares de artigos na imprensa digital e tradicional, bem como da realização de um grupo focal, destacam-se as seguintes:

- presença intermitente de atletas femininas nas notícias, falta de narrativas ao longo do ano;

- foco quase exclusivo no desempenho desportivo imediato, pouco espaço para liderança, impacto social ou histórias pessoais;

- monopólio editorial do futebol masculino, mesmo em países com forte tradição desportiva feminina;

- falta de dinamismo visual; ausência frequente de imagens ou uso limitado a retratos estáticos;

- falta de metas claras para o equilíbrio de género na cobertura mediática.

Pedro Dias, gestor de projetos na área da Igualdade de Género e Inclusão no Comité Olímpico Internacional, fez uma comunicação online onde elencou várias iniciativas que têm sido desenvolvidas no Movimento Olímpico e afirmou que “quando abrimos portas às mulheres no desporto não estamos só a criar oportunidades, estamos todos a trabalhar por um desporto melhor. A igualdade de género no desporto não acontece por acaso. Acontece quando se decide agir e essa mudança está em curso”.

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