Quarta-feira 25 de Março de 2026

Duas medalhas de ouro e uma de prata em mundiais de pista curta no melhor de sempre do atletismo português a este nível

Portugal concluiu a sua melhor prestação de sempre em Campeonatos do Mundo, em Torún (Polónia) elevando a fasquia para três medalhas numa só edição, sendo duas de ouro (Agate Sousa e Gerson Baldé) e uma de prata (Isaac Nader).

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FPA/Sportmedia

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FPA/Sportmedia

No concurso do salto em comprimento, Gerson Baldé (26 anos) saltou 8,46 metros na última tentativa para se sagrar o novo campeão do mundo e ser, também, o primeiro português de sempre a conquistar este título. Depois de estar grande parte da prova arredado do pódio, o saltador mostrou que ainda tinha uma palavra a dizer e não … disse, gritou. O atleta luso foi o único a passar a marca dos 8,40, e em grande estilo.

Com este salto, assinalou também a melhor marca mundial do ano e aumentou o recorde de Portugal, que já lhe pertencia.

Na competição feminina e ao fim de seis tentativas, Agate Sousa alcançou o lugar mais ambicionado do pódio, confirmando o estatuto que trazia para a Polónia, devido a ter a melhor marca do ano, tornando-se a segunda portuguesa a alcançar este feito, depois de Naide Gomes (Valência’2008).

A recém número um do mundo da disciplina apresentou-se com “sentimentos de alegria” no momento de prestar declarações, afirmando que “é o meu primeiro título a nível mundial, assim como a minha primeira grande competição indoor. Estou realmente muito feliz. Neste momento estou focada em recuperar, não estou a pensar nas próximas provas, mas se for é com o mesmo espírito de garra. Agradeço ao Dr. Gomes Pereira por me ter dado ‘luz verde’ no início da época, quando estava a pensar abdicar da pista curta. Além do trabalho feito com o treinador Mário Aníbal na pista, o psicológico e a mente [também contam]. Esta medalha representa o esforço que tenho feito com o meu treinador e com o médico que me acompanha. É por eles, e pelos portugueses, que fiz isto e estou feliz.”

ATL-MundialPistaCurta-Nader-22-03-2026Isaac Nader – que era de quem se esperava um novo título – não teve a mesma luz que se verificou no passado recente, porquanto se refugiou atrás do pelotão, progrediu com alguma dificuldade até chegar à frente do grupo quanto este já estava noutro andamento, obrigando o atleta luso a maior esforço, que o coibiu, na reta final, de lutar ombro a ombro com o espanhol vencedor, tendo “desistido” quando viu a força motriz do vencedor a ser mais forte. Mas a prata não deslustra, antes ilustra o coletivo, porquanto duas medalhas de ouro e uma de prata são trunfos mais que suficientes para justificar a aposta neste mundial, em ano sabático.

Com o tempo 3.40,06, Nader arrecadou uma nova medalha para o seu currículo e ajudou a completar o medalheiro mais recheado da história de Portugal numa só edição de Campeonatos do Mundo em pista curta.

Na terceira final da tarde com protagonistas portugueses, os velocistas das estafetas atravessaram uma prova com mais adversidades do que as anteriormente calculadas. Pedro Afonso, Ericsson Tavares, Omar Elkhatib e João Coelho cronometraram 3.08,34 minutos e terminaram no sétimo posto mundial, com Ericsson Tavares a sair da pista em maca, após ter sido pisado durante a prova.

Formação que tinha batido o recorde nacional na primeira série de apuramento, com 3.04,75 minutos.

Em declarações, o porta-voz dos recordistas, João Coelho, não se absteve quanto à ambição lusa: “Não olhamos a adversários. Sempre que entramos na pista é para vencer. Estamos no nosso melhor, conseguimo-nos classificar e isso é que interessa. Estamos bem posicionados, a lutar pelas medalhas e é para eles não se esquecerem que nós somos pequeninos, mas grandes.”

A equipa feminina das estafetas registou uma nova marca a bater na disciplina dos 4×400 metros, através dos 3.31,37 minutos alcançados nas meias-finais dos Mundiais, com uma equipa composta por Sofia Lavreshina, Fatoumata Diallo, Clara Martinha e Carina Vanessa a bateram a marca que vinha de Glasgow’2024 (3.31,93).

Jéssica Barreira participou nos 60 metros barreiras registando 8,29 segundos durante as eliminatórias, insuficiente para a qualificação para as meias-finais.

No final da competição, Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, agradeceu a toda a delegação que representou Portugal nesta edição que se revelou histórica:

“Parabéns a todos! Não só aos medalhados, mas a todos, porque independentemente dos nossos medalhados, aqueles que não tiveram melhores prestações contribuíram para este grande, grande sucesso. Foram todos extraordinários. Eu tenho dito repetidamente: ‘Portugal tem dos melhores atletas do mundo’. Isto é surpresa para mim? Não. Porque os melhores estão aqui para isto. Parabéns a eles, parabéns aos seus treinadores e a todos os intervenientes que contribuíram para este grande feito. Este sucesso não é só deles, é de todos, de uma equipa muito extensa, muitos deles nem são visíveis, e por isso os meus sinceros parabéns. Portugal não tem uma arena. Não tem as melhores condições para eles treinarem, se calhar também não. Mas Portugal demonstrou que, mesmo sem as condições dos melhores do mundo, conseguimos estar à altura deles. Quando nós tivermos isso tudo, como é que será? Estes resultados vão motivar muito os nossos jovens para que continuem a treinar, para um dia serem como estes grandes campeões.”

António José Seguro, o novel Presidente da República, publicou uma nota de felicitações no site da Presidência, em que destaca a “emoção até ao final” na conquista de Gerson Baldé, considerando um “magnífico último salto para a história” que “fez, novamente, a Bandeira Nacional subir ao lugar mais alto do pódio nestes mundiais”.

A terminar as felicitações, o Presidente da República voltou a congratular os três medalhados, “cuja prestação muito honra os portugueses e enobrece o desporto nacional, mas também a Federação Portuguesa de Atletismo e a todos os que representaram Portugal nestes mundiais”.

A Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, também assinalou a conquista nas redes sociais, assinalando este como “um resultado extraordinário e prova do talento, trabalho e dedicação. Um orgulho para Portugal!”.

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