Ao vencer a 20ª e penúltima etapa do Giro de Itália, aumentando a vantagem na liderança, o dinamarquês Jonas Vingegaard e a sua equipa (VISMA) tem as vistas finais colocadas nos dois principais triunfos da competição, com Afonso Eulálio a colocar-se como o melhor português na geral e o primeiro na Juventude.
Dois feitos para recordar por longo tempo, se bem que o ciclista português (22 anos, da Figueira da Foz) demonstrou bem a “massa” de que tem é feito, o que augura um futuro risonho.
“Sou ciclista, gosto de vencer, quero ganhar o máximo de corridas possível.” Quão distante parece agora a imagem que alguns ainda tinham do campeão frugal — o ciclista que faz apenas o mínimo necessário para ter sucesso e levar o prêmio em dinheiro para casa. Com Jonas Vingegaard (Visma | Lease a Bike), o Giro d’Italia de 2026 apresentou uma versão mais implacável e obstinada do grande campeão dinamarquês. E nas encostas de Piancavallo, nas montanhas de Friuli, Jonas prestou mais uma homenagem à lenda moderna da Corrida Rosa.
Palavras que também se podem aplicar à atuação da nova estrela em ascensão no ciclismo luso e internacional, como é o caso de Afonso Eulálio que, num ápice, chegou à liderança da competição, vestiu a camisola, de lider, por nove dias, teve alguns tremores nos dias que se seguiram, mas ressurgiu neste sábado a confirmar a garra da superação e, lutando, manteve o 6º lugar, com que, provavelmente, terminará o Giro no dia deste domingo.
Parecia inevitável, desde o momento em que a equipe de amarelo assumiu o controle do pelotão nas estradas planas que antecediam as duas subidas finais brutais. Tim Rex (que caras!), Victor Campenaerts (que arrancadas!), Timo Kielich e Bart Lemmen (que consistência!) e Davide Piganzoli (que futuro!) continuaram na onda de um brilhante Sepp Kuss, que havia parado nas estradas para Piani di Pezzè no dia anterior, reduzindo sem esforço a vantagem de ambas as fugas: a inicial e o contra-ataque lançado na descida após a penúltima subida por Igor Arrieta e o igualmente promissor Ludovico Crescioli.
Jonas Vingegaard mal precisou acelerar. Simplesmente encontrou seu ritmo e isso, por si só, foi suficiente para desmantelar a resistência — pernas compreensivelmente cansadas após 20 dias de corrida — dos rivais cujas ambições estavam focadas no pódio.
Felix Gall, o único ciclista que por um breve momento pareceu capaz de acompanhar o ciclista de Hillerslev, liderou a prova por vários quilômetros antes de ser alcançado por Jai Hindley, que agora parece estar a caminho de subir ao seu lado no pódio em Roma. Atrás deles, Derek Gee-West — que por vezes flertou com a possibilidade de roubar o quarto lugar de Thymen Arensman — acabou sendo alcançado graças aos esforços milionários de Egan Bernal, garantindo que todos, exceto Jonas, terminassem juntos.
Considerando que a etapa de ontem teve duas montanhas a cerca de 1.200 metros, a última na chegada, o pelotão chegou fracionado, “pingo a pingo”, onde os cinco primeiros da geral ocuparam as cinco primeiras posições, confirmando que estavam de “pedra e cal” para chegarem a Roma no top5.
Tal como Afonso Eulário, que foi 7º na etapa e manteve também o 6º na geral para o top6 fical.
Vingaard (Visma) voltou a confirmar, completando a etapa de 200 km no tempo de 5h03m55s, à frente de Felix Gall (Decathlon), a 1m15s; Jai Hindlay (Red Bull) e Derek Gee (Lidl-Trek) com o mesmo tempo. O holandês Thymen Arensman (Netcompany) foi o 5º, a 1m19s e em 7º lugar ficou o português Afonso Eulálio (Bahrein), a 2m03s.
Nelson Oliveira (Movistar) completou no 90º posto, a 33m52s d vencedor, enquanto António Morgado (Emirates) chegou no 126º lugar, a 41m17s.
Assim sendo, Jonas Vingegaard (Visma) continua comandante, com 80h17m01s, seguindo-se Felix Gall (Decathlon), a 5m22s; Jai Hindley (Red Bull), a 6m25s; Thymen Arensman (Netcompany), a 7m02s; e Afonso Eulálio (Bahrein), a 9m39s, na sexta posição.
Jonas Vingegaard (Visma) continua de rosa (líder), Afonso Eulálio (Juventude), Paul Magnier assumiu a dos pontos, a da montanha passou para Giullio Ciccone (Lidl-Trek) e a VISMA Lease a Bike comanda a tabela coletiva, com uma vantagem de 40 minutos sobre a Netcompany Ineos.
Neste domingo, encerra-se o programa do Giro de Itália’2026, num percurso dentro da cidade de Roma, numa distância de 131 km, que corresponde à etapa 21ª, que, por norma, se pode manter inócua, podendo ser o desfile para todos os ciclistas disfrutarem os últimos momentos na bela cidade italiana. A não ser que alguém queira poder “estragar” a volta de honra!.



