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Júlio Cirino (como sempre foi conhecido) da Rocha, desde 1962 que se encontra ligado à corrida, mas não foi nessa área que se evidenciou como treinador, tendo maior glória como técnico de lançamentos, levantando Teresa Machado (primeira lançadora lusa finalista olímpica) e Paulo Bernardo (ex-recordista nacional do disco) entre 1984-2008, para a ribalta.
Mais recentemente, é treinador da finalista olímpica Irina Rodrigues (recordista ibérica do lançamento do disco) e que desenvolve a sua atividade (médica) na Ilha Terceira (Açores).
Pelo meio, percorreu o país a fazer preleções sobre a modalidade, foi formador em vários cursos, tendo sido treinador nacional de lançamentos entre 1997 e 2007.
Entre muitas outras atividades publicou outros trabalhos, como o corredor de meio-fundo (1986), o manual didático do treinador de lançamentos (2004), fundamentos gerais do treino para lançadores (2006), treino da força para várias modalidades desportivas (2016), tendo sido galardoado (2025) com o prémio Homenagem/Carreira outorgado pela Câmara Municipal de Ílhavo, de onde é natural.
Mas foi na corrida que deu os primeiros passos e sobre ela discorreu numa primeira edição do livro em dezembro de 2025, em que dizia “correr é uma das formas mais primitivas de fazer exercício. O Homem das Cavernas corria para caçar, defender-se dos animais predadores e mesmo para lutar contra certos grupos rivais. Tais situações exigiam que estivesse bem preparado para as surpresas que a Mãe-Natureza, amiudadas vezes, tinha para lhe oferecer. Desde esses tempos imemoriais, várias correntes metodológicas permitiram a evolução do meio-fundo e fundo até ao cometimento de proezas extraordinárias”.
No que foi dar, recentemente (junho 2026) à segunda edição na sequência de querer melhorar para deixar aos vindouros um conjunto de peripécias que são narradas, desde a corrida pedestre do período Helénico ao primeiro lustro do Século XXI, passando pela escola portuguesa de meio-fundo e fundo (autoria do Prof. Mário Moniz Pereira), “in memoriam de Mário Moniz Pereira”, o grande mestre dos primeiros maiores êxitos internacionais para o atletismo português e para o país.
Recordando, como é justo referir, que foi o pioneiro a treinar o primeiro atleta português que se consagrou como campeão mundial de corta-mato (1976), vice-campeão olímpico dos 10.000 metros (1976) e campeão olímpico da maratona (1984), o maior desiderato do desporto português no período.
Nas 431 páginas do livro ora editado, os leitores terão oportunidade de recordar e conhecer um conjunto de dados que contam a História (e as Estórias) do atletismo português, os respetivos intervenientes e muito mais.
Um livro que não seja mais um para a estante, mas que tenha consequência, como Júlio Cirino da Rocha indica um caminho trilhado pelo escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) que disse “o que você tiver herdado dos seus antepassados, conquiste-o novamente por si; de contrário, nada será seu”, frase famosa do autor presente na obra “Fausto”!
O que significa: que nenhum legado — seja cultural, familiar ou pessoal — tem real valor se for apenas recebido de forma passiva; é preciso vivenciá-lo, compreendê-lo e conquistá-lo através da nossa própria experiência de vida.

