Quinta-feira 13 de Agosto de 2026

Isasa vence em dia intenso e agitado para o camisola amarela

Depois do dia de descanso, a 87ª edição da Volta a Portugal Jogos Santa Casa regressou, ontem, à estrada, com a sexta etapa, uma ligação de 132,6 quilómetros entre Santa Maria da Feira e o Peso da Régua.

Ciclismo-VoltaPortugal-Chegada-12-08-2026Apesar de ser a menor tirada em linha, não é que tenha sido propriamente a mais fácil, bem pelo contrário: muitíssimo atacada desde o início, o pelotão teve de suar a bom suar durante toda a tarde.

Após uma primeira tentativa falhada por parte de quatro corredores de constituírem a fuga do dia, um grande grupo de 22 ciclistas – depois 21, pois Hugo de la Calle (Burgos-Burpellet-BH) teve um problema mecânico e ficou para trás – conseguiu atacar com sucesso e distanciar-se na frente da corrida.

O problema para estes 21 homens é que o grupo tinha alguns nomes incómodos no que às classificações diziam respeito: na Geral, Rui Carvalho (GI Group Holding – Simoldes – UDO) e Lucas Lopes (Efapel Cycling) eram uma ameaça pela proximidade ao Camisola Amarela Jogos Santa Casa, Alexis Guérin.

Na luta pela classificação dos pontos, a Camisola Laranja Galp, Daniel Cavia (Burgos-Burpellet-BH) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates XRG) também entraram na fuga, ao contrário de Tomas Contte.

Por isso, a Anicolor/Campicarn e a Aviludo-Louletano-Loulé estiveram sempre a trabalhar na perseguição e não deixaram os fugitivos ganhar muito tempo: a diferença nunca ultrapassou o minuto e pouco.

Dos 21 nomes da frente, dois destacaram-se entre os demais: Rúben Rodrigues (Feira dos Sofás – Boavista) somou a pontuação máxima nas duas contagens de montanha do dia e venceu depois o Prémio da Combatividade EBRO. Rui Oliveira, na busca pela Camisola Laranja Galp, só não venceu a primeira meta volante do dia, em Castelo de Paiva, porque foi André Carvalho, da Aviludo- Louletano- Loulé, o mais rápido.

Em Cinfães e Mesão Frio, em dois momentos bem distintos da corrida, foi o português da UAE Team Emirates XRG a obter a pontuação máxima.

Mas se em Cinfães ainda foi no grupo original da fuga, em Mesão Frio Rui Oliveira já só seguia com Xabier Isasa (Euskaltel-Euskadi), com quem viria a disputar o triunfo ao sprint na meta.

É que se essa primeira fuga já tinha pouca possibilidade de sucesso, pior ficou quando Tiago Antunes (Efapel Cycling), o terceiro classificado da Geral, conseguiu fazer a ponte para a frente da corrida. O pelotão empenhou-se ainda mais na perseguição e o largo grupo foi absorvido.

Isso não desmotivou Rui Oliveira porque, depois de várias tentativas por parte de outros nomes, o campeão olímpico conseguiu novamente ganhar vantagem na frente e levou consigo Isasa, numa altura em que a corrida caminhava a passos largos para o fim, e a uma intensidade alta.

Nesse entretanto, outras coisas importantes aconteciam mais atrás, com a Camisola Amarela em jogo. Um grupo de nove ciclistas conseguiu distanciar-se do pelotão e acendeu ainda mais a corrida. Porquê? Porque nesse grupo estavam Artem Nych (Anicolor/Campicarn), Tiago Antunes (Efapel Cycling) – outra vez – e Adrià Pericas (UAE Team Emirates XRG), segundo, terceiro e na altura quarto classificados, respetivamente.

Sob a perspetiva de perder alguma da vantagem na liderança, Guérin teve inclusivamente de pôr-se ao trabalho, antes de chegarem mais reforços do conjunto da Anicolor/Campicarn. Ainda assim, insuficiente: o francês acabou por deixar fugir 23 dos 72 segundos de vantagem com que partiu para o dia sete da Volta face ao colega Nych.

Na frente, o “grupo dos nove” de tudo fez para alcançar a dupla que seguia mais perto da meta, mas sem sucesso. No duelo final, no Alto Douro, Xabier Isasa superiorizou-se a Rui Oliveira e estreou-se a vencer na Grandíssima, perante a desilusão de Oliveira, tão perto e tão longe da tão sonhada vitória, novamente.

Ainda assim, o português sai de Peso da Régua com a Camisola Laranja Galp: ultrapassou Cavia e é ele o novo líder da Classificação dos Pontos.

“O dia foi muito duro, sempre ao máximo. A fuga era muito grande, fomos alcançados, mas consegui atacar novamente. Estava com muito boas pernas e consegui ganhar ao sprint”, referiu Isasa, após a etapa.

Ciclismo-VoltaPortugal-CaAmarela-12-08-2026Na Geral, agora menos confortável, Alexis Guérin continua a ser primeiro e a envergar a Camisola Amarela Jogos Santa Casa, enquanto na montanha, Oscar Rota segue com a Camisola Azul Continente. Adrià Pericas reforçou a liderança da Juventude, Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis.

“Foi uma etapa muito rápida, o Artem [Nych] ganhar-me cerca de 20 segundos é perfeito para mim. O importante é que a Camisola Amarela esteja na equipa [Anicolor/Campicarn]. Ainda tenho 50 segundos de vantagem, estou tranquilo”, garantiu Guérin.

A Volta a Portugal segue agora para Vieira do Minho, local que recebe a partida para a sétima etapa: um dia de novidades e que promete uma chegada emocionante nas Termas do Gerês.

A partida está prevista para as13h25 e a chegada para as17h13, após 153 km a rodar com convicção.

Volta a Portugal atravessa mata de albergaria com dispositivo excecional de proteção ambiental

A passagem da Volta a Portugal por uma das áreas de maior valor natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês foi autorizada pelo ICNF e estará sujeita a um conjunto particularmente exigente de condicionantes, algumas inéditas no ciclismo. A organização decidiu ainda alargar as medidas de proteção previstas, reduzindo a caravana ao mínimo indispensável e estendendo a cerca de 11 quilómetros o troço interdito ao público.

A passagem da 7ª etapa, que esta quinta-feira, ligará Vieira do Minho à Vila do Gerês, atravessará a Mata de Albergaria sob um dispositivo excecional destinado a proteger e valorizar uma das áreas de maior sensibilidade ecológica do país.

A passagem da prova foi autorizada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), na sequência de uma análise que teve em consideração não apenas a circulação do pelotão, mas também os diferentes elementos associados à realização de um evento desta dimensão.

Reconhecendo o excecional valor natural da Mata de Albergaria, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, a organização da Volta a Portugal cumprirá escrupulosamente todas as condicionantes estabelecidas pelo ICNF, adotando ainda medidas adicionais de proteção, algumas delas inéditas no contexto da prova, para reduzir ao mínimo a presença e o impacto da caravana naquele território.

Troço de 11 km interdito ao público

Uma das principais condicionantes estabelecidas pelo ICNF determina a interdição da presença de público entre a Preguiça e a Portela do Homem.

A organização da Volta a Portugal decidiu, porém, alargar esta restrição alguns quilómetros, fazendo-a começar ainda antes, junto ao Parque de Campismo do Vidoeiro. No total, serão aproximadamente 11 quilómetros de percurso sem presença de público.

Ciclismo-VoltaPortugal-MataCuidados-12-08-2026Neste setor, os adeptos não poderão permanecer junto à estrada para assistir à passagem dos corredores. A organização apela, por isso, ao cumprimento rigoroso das indicações das autoridades e à escolha de outros locais do percurso para acompanhar a etapa.

Também a circulação automóvel estará condicionada em ambos os sentidos, entre as 00h00 e as 18h00 de hoje.

De acordo com os dados oficiais disponíveis, cerca de 22.500 veículos atravessaram a Mata de Albergaria durante o mês de agosto de 2025, o equivalente a uma média aproximada de 725 viaturas por dia.

Tendo em consideração o período de condicionamento estabelecido para esta quinta-feira, a organização estima que a medida evitará a circulação de mais de 600 viaturas pela Mata de Albergaria durante as 18 horas em que vigorarão as restrições.

Caravana reduzida ao mínimo indispensável

A habitual dimensão da caravana da Volta sofrerá igualmente uma redução significativa durante a travessia deste setor. Não haverá caravana publicitária e cada uma das 17 equipas só poderá fazer-se acompanhar, junto do pelotão, por apenas um dos seus dois carros de apoio.

Os segundos carros das equipas serão encaminhados antecipadamente e de forma faseada, reduzindo a concentração de tráfego e garantindo que, no momento da passagem da corrida, permanece no troço apenas o apoio considerado indispensável.

A caravana que acompanhará os corredores que permanecem em competição ficará, assim, reduzida aos meios estritamente necessários ao funcionamento desportivo e à segurança da prova.

Além dos carros de apoio das equipas, estarão autorizadas duas ambulâncias e 25 viaturas da organização, onde se incluem os carros dos comissários e dois veículos de apoio neutro. Das 25 motos que integram habitualmente a caravana, apenas 15 atravessarão este troço junto da corrida.

O objetivo é reduzir ao mínimo indispensável o número de veículos presentes na Mata de Albergaria durante os poucos minutos necessários à passagem do pelotão, assegurando simultaneamente todas as condições de segurança e assistência exigidas por uma competição desta dimensão.

A passagem ficará, assim, limitada aos corredores que permanecem em competição e aos meios considerados indispensáveis à segurança e ao funcionamento desportivo da corrida.

Sem helicóptero, drones ou amplificação sonora

O dispositivo especial implicará também alterações significativas na habitual operação de cobertura e acompanhamento da Volta a Portugal.

Durante a passagem pela área abrangida pelas restrições, não serão utilizados meios aéreos de captação de imagem, nomeadamente o helicóptero e os drones que habitualmente acompanham a corrida.

Estará igualmente proibida qualquer amplificação sonora, bem como a instalação de estruturas fixas associadas ao Prémio de Montanha localizado neste setor.

A passagem da corrida será, desta forma, deliberadamente discreta, reduzindo não apenas a circulação, mas também o ruído e a presença de estruturas habitualmente associadas à competição.

Sem área de descarte e exclusão para quem deixar resíduos

As medidas excecionais estendem-se também ao comportamento dos próprios corredores. Ao contrário do que acontece noutros pontos das etapas, não existirá qualquer área de descarte ao longo deste troço.

Será absolutamente proibido aos corredores atirar bidões, embalagens de gel ou qualquer outro resíduo para o chão, estando prevista pela organização a exclusão da prova em caso de incumprimento.

A medida pretende assegurar que nenhum resíduo resultante da passagem do pelotão permanece numa área de tão elevado valor ambiental.

Após a passagem dos corredores e das viaturas autorizadas, todo o troço será ainda percorrido e verificado, procedendo-se à recolha de qualquer eventual resíduo que possa ser encontrado.

O ICNF acompanhará a realização da etapa e será posteriormente elaborado um relatório de avaliação, destinado a verificar o cumprimento das condições estabelecidas.

Respeitar, valorizar e homenagear a Mata de Albergaria

A organização da 87ª Volta a Portugal encara a passagem pela Mata de Albergaria não apenas como um momento desportivo, mas também como uma oportunidade para chamar a atenção para o valor excecional deste património natural e para a importância da sua preservação.

Por essa razão, todas as condições determinadas pelo ICNF serão integralmente cumpridas e, em alguns casos, reforçadas por decisão da própria organização.

Sem público ao longo de cerca de 11 quilómetros, sem caravana publicitária, sem meios aéreos, sem amplificação sonora, sem áreas de descarte e com a circulação da caravana que acompanha o pelotão reduzida ao mínimo indispensável, a passagem da Volta será efetuada sob um conjunto de regras particularmente restritivas e algumas inéditas nesta prova.

A organização está a trabalhar em estreita articulação com as autoridades para compatibilizar a passagem da maior prova do ciclismo nacional com a preservação dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A Volta passará pela Mata de Albergaria para dar a conhecer um património único, mas sobretudo para o respeitar, valorizar e homenagear.

 

Fotos: Rodrigo Rodrigues e Igor Martins / FPC

© 2026 Jogada do Mês. Todos os direitos reservados. XHTML / CSS Valid.