Alexis Guérin foi o vencedor da 87ª edição da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, que terminou este domingo, no Porto e que, em 2027, completa o centenário da primeira prova realizada em Portugal a este nível.
O corredor (34 anos) foi o mais forte dos últimos onze dias de competição e confirmou a Camisola Amarela, com um minuto e dois segundos de vantagem para o colega Artem Nych. Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista) fechou o pódio final. A Anicolor/Campicarn somou a terceira vitória consecutiva na Volta a Portugal Jogos Santa Casa, depois das conquistas de Nych nas duas edições anteriores.
Mas Guérin não foi o único a festejar: a correr em casa, Rui Oliveira foi o mais rápido na emocionante chegada à Avenida dos Aliados e conseguiu o tão ansiado primeiro triunfo como profissional no ciclismo de estrada.
O ciclista luso da UAE Team Emirates XRG foi um dos mais ativos ao longo da última semana e meia, esteve perto da vitória várias vezes, mas foi na cidade portuense, perante o seu público, que conseguiu finalmente erguer os braços, confirmando da melhor maneira a camisola laranja Galp, dos pontos.
“Ainda não estou em mim. O circuito final foi tão duro, mas tive toda a minha equipa a apoiar-me. Não havia melhor maneira de conseguir a minha primeira vitória profissional. Ganhar em casa, no Porto, em Gaia… não tenho palavras. Obviamente que dedico a vitória à família do Finlay Tarling. Foi um dia muito duro para todos, parabéns a todos os atletas que lutaram estes dois dias”, afirmou Rui Oliveira após a etapa.
A décima e última jornada da Volta a Portugal partiu da Maia ao início da tarde, com cerca de 96 quilómetros a pedalar até entrar no circuito desenhado entre o Porto e Vila Nova de Gaia. A Avenida dos Aliados voltou a ser palco da consagração final: foi a décima vez que o Porto recebeu a etapa decisiva da prova e a primeira desde 2019.
Foi precisamente nesse primeiro setor da etapa, entre a partida na Maia e a entrada no circuito final, que uma fuga de cinco corredores animou a tirada: Adam Lewis (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), César Martingil (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Viacheslav Ivanov (Feirense-Beeceler), Gaspar Gonçalves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) – vencedor do Prémio da Combatividade EBRO do dia – e Eduardo Perez Landaluce (Óbidos Cycling Team).
O quinteto colaborou durante algum tempo, mas com o aproximar do fim, o pelotão aumentou o ritmo. A cerca de duas voltas da última e decisiva passagem pela meta, a fuga foi definitivamente alcançada, Diogo Narciso (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) ainda tentou depois a sorte, mas sem sucesso. A partir daí, a corrida foi dos favoritos ao triunfo nos Aliados, onde Rui Oliveira acabou por superiorizar-se à concorrência.
Guérin cortou a meta na oitava posição e garantiu definitivamente a Amarela: em 87 edições realizadas, é a primeira vez que um francês conquista a amarela, ele que leva ainda para casa a Camisola Azul Continente, da Classificação da Montanha.
“É um sonho concretizado. Ainda não estou em mim, é impressionante. Era o objetivo da equipa, o meu objetivo. Estou muito contente”, confessou ainda Rui Oliveira.
Nas classificações finais, e apesar de ter tido novamente um furo na altura decisiva da corrida – situação que já havia vivido na véspera, na etapa nove -, Adrià Pericas demonstrou o potencial que lhe é apontado e selou a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, da Juventude.
Entre a consagração histórica de Alexis Guérin e a emotiva vitória de Rui Oliveira nos Aliados, terminou mais uma edição, que ficará para sempre marcada pelos feitos desportivos, mas também pela memória de Finlay Tarling.
Porto deu luz verde para integrar grupo na organização do centenário da competição (2027)
O Porto é o primeiro município a associar-se à Volta a Portugal de 2027, ano do centenário da prova. O anúncio foi feito este domingo, após a etapa final da edição de 2026, precisamente na cidade portuense.
“Tendo no próximo ano o centenário, faço questão de que o Porto faça parte deste roteiro e somos o primeiro município a dizer que queremos estar na Volta em 2027”, revelou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.
O autarca lembrou o acidente que vitimou o jovem corredor Finlay Tarling, este ano. “Nenhum de nós se esquece de um acidente que marcou esta Volta, e que nos angustia a todos. Mas por vezes há fatores que não controlamos. No que era controlável, acho que esta edição foi um sucesso e temos condições para fazer igual no centenário. Somos o primeiro município a associar-se à Volta em 2027 e tenho a certeza de que muitos outros se associarão”, acrescentou.
Numa conferência de imprensa de balanço da edição da Prova Rainha do ciclismo nacional que agora terminou, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, também recordou o desaparecimento de Tarling, “numa edição especial para a Federação” devido à falta de tempo para organizar o evento, tendo acrescentado que “queremos agradecer aos municípios, aos parceiros e patrocinadores, que acreditaram no nosso projeto, acreditaram na modernização, internacionalização e na proximidade aos portugueses”.
“Queríamos abranger todo o território e, com a ajuda do Ezequiel [Mosquera, diretor da prova] conseguimos. Se retirássemos esses segundos que infelizmente não dão para retirar [acidente de Tarling], teria sido perfeito. Estamos a começar a trabalhar para 2027. Queremos fazer mais. Quero agradecer também à RTP pela ajuda, pela entrega e pelo gosto que têm neste trabalho. Permitiram que se desse a conhecer a Volta a Portugal”, rematou.
A mesma ideia foi partilhada por Ezequiel Mosquera. “Foi um trabalho muito intenso para nós e para a Federação, foi um contrarrelógio. Felizmente, a resposta do público foi sensacional”, disse.
“Apesar do stress, apesar de termos de fazer tudo a correr, bateram-se recordes de audiência de dez anos, isso significa muito para nós. A única nota negativa foi um lapso de tempo que foi dramático, se não tivesse acontecido o acidente teria sido perfeito. Lamentamos tudo isto, a única opção agora é continuar”, acrescentou.
Presente na conferência de imprensa esteve também Paulo Sousa. O Provedor da Santa Casa de Misericórdia revelou que a instituição será novamente parceira da Volta no próximo ano.
“Foi uma aposta ganha. Os Jogos Santa Casa regressam agora de uma forma mais expressiva, com mais proximidade a esta competição. Foi o ano do regresso, e para o ano, quando comemorarmos 100 anos da Volta, os Jogos Santa Casa estão juntos com a Volta a Portugal. É uma forma de retribuir a confiança dos portugueses”, defendeu.
Foto: Rodrigo Rodrigues e Igor Martins / FPC

