Portugal conquistou, este sábado, dois pódios na Taça do Mundo de Paratriatlo de Alhandra, com Filipe Marques a vencer a competição na categoria PTS5, enquanto Ana Lúcia Duarte terminou no terceiro lugar, coroando com um pódio a sua estreia em competições internacionais ao serviço da Seleção Nacional.
A oitava edição da Taça do Mundo de Paratriatlo de Alhandra voltou a trazer alguns dos melhores paratriatletas internacionais a Portugal, com cerca de 80 atletas a competirem durante a manhã no Passeio Pedonal de Alhandra.
E a competição terminou da melhor forma para as cores portuguesas, com os dois representantes nacionais a subirem ao pódio. Filipe Marques voltou a mostrar a ligação especial que mantém com Alhandra e venceu a prova masculina da categoria PTS5, completando a competição em 58m36s e deixando o brasileiro Ruiter Antonio Gonçalves Silva no segundo lugar, a 31 segundos. O grego Panagiotis Alevizos completou o pódio, com 1h10m38s.
Também especial foi a manhã de Ana Lúcia Duarte. Na sua primeira competição internacional em representação da Seleção Nacional de Paratriatlo, a portuguesa terminou no terceiro lugar e garantiu desde logo um lugar no pódio da Taça do Mundo.
Um resultado que ganha ainda maior significado pelo percurso da atleta, que realizou o primeiro triatlo apenas aos 35 anos, quando vivia em Inglaterra. Depois de regressar a Portugal, juntou-se à equipa do Sporting em 2024 e iniciou o processo de classificação como paratriatleta.
A vitória pertenceu à brasileira Erica Da Rosa Rodrigues, que dominou a competição e terminou em 1h07m31s. A espanhola Maria Fuertes Artigot foi segunda, com 1h11m16s.
Ana Duarte “só” queria mostrar que o desporto é para todas e todos, com ou sem deficiência. Conseguiu isso e uma medalha de bronze.
Portugal com três homens no top-20 mundial: o líder, o sonho e a afirmação no Triatlo português
Vasco Vilaça lidera o Campeonato do Mundo e parte para a reta final a sonhar com o título. Ricardo Batista é quinto e mantém-se na luta pelos lugares do pódio. João Nuno Batista, o mais jovem dos três, subiu ao 17º lugar depois de alcançar na China o melhor resultado da carreira numa etapa do Mundial. Três portugueses, três sonhos e uma temporada que confirma Portugal entre as forças do triatlo mundial.
” A minha esperança é ter o povo português presente em Pontevedra para me ajudar nesta luta e no final, independentemente do resultado, o triatlo português vai ser o vencedor”, referiu Vasco Vilaça
Não é apenas uma fotografia feliz do ranking. Portugal chega ao momento decisivo do Campeonato do Mundo de Triatlo com Vasco Vilaça, Ricardo Batista e João Nuno Batista entre os 20 primeiros classificados, depois de uma temporada em que os três foram deixando marcas diferentes entre a elite mundial. Vasco é primeiro, com 3850 pontos, Ricardo ocupa a quinta posição, com 2470,62, e João Nuno é 17º, com 1734,41.
A poucas semanas da finalíssima de Pontevedra (24-27 setembro), os três portugueses olham para o fim da temporada com ambições distintas. Vasco luta pelo título mundial, Ricardo está no top-5 e João Nuno tem ao alcance terminar a época entre os 20 melhores do planeta.
Mas a presença portuguesa entre a elite mundial não se esgota nos três primeiros nomes. Miguel Tiago Silva ocupa atualmente a 55ª posição do ranking mundial, numa temporada em que foi 12º na etapa de Samarkand do Campeonato do Mundo e 27º em Quiberon.
No setor feminino, Maria Tomé é 26ª do mundo e Mariana Vargem ocupa a 42ª posição, dando também expressão feminina à presença portuguesa nos lugares cimeiros do ranking internacional.
A temporada de Vasco Vilaça tem sido marcada por uma regularidade quase absoluta. O português abriu o Mundial em Samarkand da melhor maneira possível, conquistando a primeira vitória da carreira numa etapa do WTCS e devolvendo Portugal ao lugar mais alto do pódio do circuito mundial pela primeira vez desde 2012.
Não ficou por aí. Depois de não competir em Yokohama, Vasco voltou em Alghero e tornou a vencer, desta vez impondo-se a Miguel Hidalgo. Seguiram-se três segundos lugares consecutivos: Quiberon, Hamburgo e Londres. Cinco participações no Campeonato do Mundo em 2026 e cinco presenças no pódio: duas vitórias e três medalhas de prata. Em Londres, apenas Matthew Hauser conseguiu bater o português num sprint final que confirmou o duelo entre ambos pelo título.
Vasco não esteve em Weihai e viu Hauser aproximar-se, mas o décimo lugar do australiano na China acabou por manter o português numa posição privilegiada. Com 3850 pontos contra 3495,76 do campeão mundial, Vilaça continua a ser o homem que todos perseguem.
Depois do bronze mundial conquistado em 2025, vamos esperar para ver o que nos reserva Pontevedra.
Também Ricardo Batista está a viver uma das melhores temporadas da carreira. Começou o Mundial com um sólido oitavo lugar em Samarkand, mas foi em Alghero que deu um novo passo entre a elite. Num final disputado ao sprint, Ricardo conquistou o bronze, a sua primeira medalha individual numa etapa do WTCS.
Em Quiberon, Ricardo confirmou que Alghero não tinha sido um resultado isolado. Voltou a ser terceiro, atrás de Dorian Coninx e Vasco Vilaça, somando a segunda medalha de bronze consecutiva e chegando então à melhor posição da carreira no ranking do Campeonato do Mundo.
Hamburgo e Londres foram menos favoráveis, com o português a terminar em 23.º e 24.º, respetivamente, mas os dois pódios conquistados mantêm-no bem colocado à entrada para a fase decisiva. Ricardo é atualmente quinto classificado, a escassos dez pontos do quarto lugar e ainda com margem para mexer nas contas dos lugares cimeiros.
João Nuno: de promessa a realidade entre os melhores
Se Vasco luta pelo título e Ricardo procura chegar ao pódio, a história de João Nuno Batista é a da afirmação definitiva entre a elite.
O mais jovem dos três começou 2026 a dar sinais do que poderia fazer. Ainda antes do arranque do Mundial, foi segundo na Taça da Europa de Quarteira, apenas atrás de Vasco Vilaça.
Em Samarkand, na primeira etapa do Campeonato do Mundo, foi 20.º. Pouco mais de um mês depois, em Alghero, deu um salto enorme: terminou em sétimo lugar, então a melhor classificação da carreira no WTCS, e subiu 25 posições no ranking.
A corrida italiana teve ainda outro dado histórico. Ricardo, terceiro, e João Nuno, sétimo, tornaram-se no primeiro par de irmãos a terminar ambos no top-8 de uma prova WTCS desde os irmãos Brownlee.
Depois dos 34º e 32º lugares em Hamburgo e Londres, João Nuno respondeu da melhor forma possível em Weihai. Na China, numa corrida feita de trás para a frente, terminou quarto, a apenas um lugar do primeiro pódio da carreira no Campeonato do Mundo. Foi a sua melhor prestação de sempre na competição e valeu-lhe uma subida de dez posições, até ao atual 17º lugar do ranking.
Aos 20 anos, o antigo campeão mundial de juniores já não é apenas um nome apontado ao futuro. Está entre os melhores do presente.
Vasco Vilaça procura transformar uma temporada extraordinariamente regular num título mundial. Ricardo Batista tenta levar ainda mais longe um ano em que conquistou as primeiras medalhas individuais no WTCS. João Nuno Batista procura fechar a época de estreia plena entre os grandes do top-20.
Os objetivos são diferentes. A realidade que os une é a mesma: Portugal chega à reta final do Campeonato do Mundo de 2026 com três homens instalados entre a elite mundial do triatlo.
A próxima prova está agendada para Karlovy Vary, na Chéquia, dia 13 de setembro. Será a última antes da finalíssima.
João Nuno brilhou na China e ajudou Vilaça a manter a liderança no Mundial de Triatlo
João Nuno Batista terminou na quarta posição a sétima etapa do Campeonato do Mundo, disputada em Weihai (China), no que foi o melhor resultado de sempre do jovem português em provas do circuito mundial e que acabou também por ter importância nas contas do título, com Matthew Hauser a terminar apenas no décimo lugar e Vasco Vilaça a conservar a liderança do Campeonato do Mundo.
“Foi uma prova muito boa para mim e claro que este resultado significa muito, principalmente por ser o meu melhor resultado de sempre numa WTCS. Acho que mostra que o trabalho que temos vindo a fazer está a começar a aparecer e dá-me ainda mais confiança para as próximas provas. Senti-me bem durante a competição e consegui competir de uma forma mais consistente. Claro que há sempre coisas a melhorar, mas no geral estou muito contente com a forma como correu.
Agora o objetivo é continuar a evoluir e tentar manter este nível nas próximas provas. Ainda estou num processo de adaptação a este nível de competição, por isso quero continuar a aprender e a ganhar experiência. O meu principal objetivo é estar nos próximos jogos olímpicos”, salientou João Nuno Batista
O triatleta português, de 20 anos, completou os 1,5 quilómetros de natação, 38,6 quilómetros de ciclismo e 10 quilómetros de corrida em 1h41m41s, ficando a apenas 16 segundos do pódio e 33 segundos do vencedor. Um resultado que lhe permitiu escalar 10 posições na classificação do mundial, para o 17º posto, e assumir a 16ª entrada do ranking olímpico, rumo a Los Angeles 2028.
A vitória na China pertenceu ao suíço Max Studer, que revalidou o triunfo alcançado em Weihai em 2025, com 1h41m08s. O espanhol David Cantero foi segundo, em 1h41m18s, enquanto o canadiano Tyler Mislawchuk completou o pódio, com 1h41m25s.
Mas o resultado não conta toda a história da prova de João Nuno Batista.
Depois de se manter integrado no numeroso grupo da frente durante o segmento de ciclismo, o português foi crescendo ao longo dos 10 quilómetros de corrida e começou a ganhar posições numa fase em que vários dos principais candidatos ao pódio foram perdendo terreno.
João Nuno integrou o grupo perseguidor quando Studer, Cantero e Mislawchuk começaram a destacar-se e, à medida que a corrida avançava, foi deixando para trás alguns dos nomes mais fortes da prova, entre eles o australiano Callum McClusky, que terminaria em sexto, e o campeão mundial Matthew Hauser.
Na última volta, Batista conseguiu mesmo aproximar-se rapidamente de Mislawchuk e entrou diretamente na luta pelo terceiro lugar. O canadiano acabou por resistir à forte aproximação do português, que cruzou a meta em quarto, apenas 16 segundos depois.
O desempenho de João Nuno acabou também por ter importância nas contas portuguesas do Campeonato do Mundo.
Vasco Vilaça não competiu em Weihai, mas mantém a liderança das World Triathlon Championship Series (Mundial de Triatlo), depois de Matthew Hauser, um dos seus principais adversários na luta pelo título, ter terminado apenas na décima posição.
O australiano chegou à China depois de três vitórias em três participações esta temporada e um lugar no pódio em Weihai permitir-lhe-ia ultrapassar Vasco Vilaça na liderança da competição. Hauser chegou a estar entre os primeiros na corrida, mas foi perdendo posições e terminou em décimo.
Assim, mesmo sem estar presente na China, Vasco Vilaça sai de Weihai ainda na frente do Campeonato do Mundo, numa jornada em que a prestação de João Nuno Batista contribuiu também para retirar pontos importantes a um dos principais candidatos ao título.
O calendário do mundial prossegue agora em Karlovy Vary (Chéquia), antes da Grande Final de Pontevedra (Espanha), onde serão decididos os títulos mundiais de 2026, em dia 27 de setembro.




