A partir das 19h45 desta quinta-feira, o recinto do Sporting Clube de Portugal será o palco da festa, que se deseja positiva, comemorativa do início de mais uma edição da Liga das Nações, onde os rapazes de Cristiano Ronaldo e Companhia se tem portado da melhor maneira.
Primeiro, porque começou por ganhar na estreia (1-0) aos Países Baixos, tendo voltado a conquistar o troféu na época passada (2-2 / 5-3 desempate) frente á Alemanha, pelo que se abre, de novo, o esplendor de Alvalade para dar o pontapé de saída.
Não diferindo muito do que registado nos últimos anos, a equipa nacional volta a contar com os melhores jogadores, aguardando-se que possa dar mais uma alegria ao país, tendo Jorge Jesus escolhido o seguinte naipe de jogadores:
Guarda-redes - Diogo Costa (FC Porto), Rui Silva (Sporting) e Samuel Soares (Benfica);
Defesas - Gonçalo Inácio (Sporting), João Cancelo (FC Barcelona), Diogo Dalot (Manchester United), Nuno Tavares (SS Lazio), Nuno Mendes (PSG), Renato Veiga (Villarreal CF), Rúben Dias (Manchester City) e Tomás Araújo (Benfica);
Médios - Bruno Fernandes (Manchester United), João Palhinha (Benfica), João Neves (PSG), Rúben Neves (Al Hilal), Vitinha (PSG) e Bernardo Silva (Real Madrid);
Avançados - Cristiano Ronaldo (Al Nassr), Fábio Silva (BV Borussia Dortmund), Francisco Trincão (Al Ahli), Francisco Conceição (Juventus FC), Gonçalo Ramos (AC Milan), João Félix (Al Nassr), Pedro Neto (Chelsea FC) e Rafael Leão (Galatasaray).
O Visit Portugal Stage, palco principal do Portugal Football Summit, a decorrer na FPF Arena Portugal, foi o local escolhido pela Federação Portuguesa de Futebol para fazer a conferência de antevisão do Portugal-País de Gales, jogo inaugural do Grupo A4 da Liga das Nações que esta quinta-feira tem lugar no Estádio José Alvalade (19h45).
Numa sala repleta – até Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo saudaram a iniciativa e disseram que foi a conferência mais concorrida a este nível – o selecionador, que se vai estrear neste lugar, salientou que “é o topo da minha carreira como treinador, porque é a minha Seleção. Era um sonho e um objetivo. Foi atingido. O que foi introduzido? Pelo menos algumas ideias teóricas, práticas não. É acreditar muito na inteligência dos jogadores.”
Acrescentou que “se calhar, daqui a uns anos, vou-me recordar desse meu primeiro dia como selecionador a fazer um jogo em Alvalade, com uma emoção muito forte. Mas não sou um treinador de muitas recordações. Nos momentos de títulos, normalmente, nunca me lembro das datas. Espero que seja uma estreia com uma vitória.”
Quanto ao adversário de logo à noite (País de Gales), adiantou que “o melhor momento de jogo de Gales é a bola parada ofensiva. É uma equipa com jogadores fortes e com ideias coletivas, principalmente nos cantos curtos. É uma equipa bem trabalhada, tem uma base. É uma equipa agressiva a defender, taticamente defende muito bem. Agora temos de arranjar soluções.”
Sobre se Cristiano Ronaldo jogará, referiu que “se não acontecer nada de especial, o Cristiano vai jogar de início. Estou numa Seleção que tem os melhores jogadores do mundo. Onde participamos é para ganhar. Somos os detentores do título e vamos querer defendê-lo.”
Acrescentou que “O Cristiano Ronaldo é um símbolo de Portugal e da seleção. Mas só isso não chega para que ele jogue sempre. Dou um exemplo: fizemos [ao serviço do Al Nassr] vários jogos em Hong-Kong e quando ele jogou estavam 55 mil pessoas nas bancadas; quando não jogou estavam três mil.”
Sobre se Palhinha vai alinhar, Jorge Jesus referiu que “um [Cristiano Ronaldo] tem estatuto e por isso posso dizer, o outro não tem, por isso não digo. Não sei como me vou sentir ao ouvir o hino, mas uma coisa posso garantir, sei o hino todo.”
Adiantou ainda que “diziam que ser selecionador não era a mesma coisa que ser treinador de um clube. Mas não tenho notado isso nos primeiros tempos. Todos os dias trabalho na Federação. Muito sinceramente, não tenho sentido essa diferença. O futebol está a evoluir, os sistemas táticos têm de variar no mesmo jogo. Tem de haver mudança consoante aquilo que o jogo esteja a ditar. Para isso é preciso jogadores inteligentes. E é fácil treinar quando os jogadores são inteligentes. Os grandes jogadores, queiramos ou não, são inteligentes.”
Sobre novas dinâmicas, referiu que “o futebol é arte jogado pelos jogadores e arte por quem treina. Futebol não é uma ciência exata. A criatividade faz a diferença. Tenho uma forma de olhar para o jogo diferente da do antigo selecionador. Podem jogar os mesmos jogadores, mas sinto que posso criar uma dinâmica. Sou apologista de um médio defensivo, recuperador, que compense várias valências dos centrais, por exemplo. Gosto mais de jogar com um segundo avançado do que com um terceiro médio.”
Sobre a formação da equipa, Jesus relatou que “chego ao primeiro jogo sem uma base de treino, por isso não vou alterar tudo, isso até atrofiava os jogadores. Mas posso dizer que os jogadores que têm mais tempo de treino, mais base de treino comigo, vão jogar.”
Cristiano Reinaldo convocado para o jogo de abertura
Para o capitão nacional, Cristiano Ronaldo referiu que “o meu objetivo são os dois. Os 1000 golos e a Seleção tentar ganhar esta Liga das Nações. É uma nova era, sendo que devemos dar os parabéns ao míster Martínez pelo trabalho excelente que fez na Seleção. Sendo de outra nacionalidade por vezes é difícil pelos ataques constantes que lhe faziam. É uma nova era com o míster Jorge Jesus, que todos conhecemos e bem. Só espero que as coisas possam correr-lhe bem a ele porque se lhe correrem bem, correm a todos nós, aos portugueses. Tenho a certeza de que vai fazer um excelente trabalho. Estamos preparados. Vão ser quatro jogos em 15 dias e é difícil. Mas o nosso plantel é bastante grande e tem bastante talento, vamos estar preparados.
Sobre o selecionador, salientou que “foi uma escolha perfeita pelas características que todos conhecemos do míster Jorge Jesus. O passado é o passado. É uma nova era, um ar diferente, conceitos diferentes, táticas diferentes, um idioma diferente. O que mais desejo é que as coisas possam correr da melhor maneira. O míster já referiu bastantes vezes que muitos dos jogadores que estão cá já trabalharam com ele e quando é para adiantar o processo é mais fácil. Estamos todos confiantes e com a esperança de que as coisas vão correr bem. Começa já amanhã com uma grande equipa, mas a equipa está bastante preparada. Vai ser um desafio longo porque o míster vai ficar bastantes anos. Desejo-lhe o melhor e tenho a certeza de que foi a melhor opção.”
De vez em quando as coisas não correm tão bem, mas Cristiano respondeu que “não posso ser sincero a 100 por cento. Tenho de ser politicamente correto. Há tantos anos que jogo futebol, sempre fui recebido bem em quase todos os sítios. Nalguns mais hostilmente, porque jogava num Real Madrid, Manchester United ou Juventus. Foi, possivelmente, o ano em que senti mais carinho. Não digo que em Portugal não o sinta. Sinto que os portugueses gostam bastante de mim e têm um carinho especial para mim. Sei e entendo muito bem que alguns canais gostam de me atacar e tentam matar-me, mas isso não tem hipótese. Só mesmo com uma caçadeira e mesmo assim ainda me desvio da bala. Mas já estou acostumado. Há 20 e tal anos que ando nisto. Fica-me gravado as pessoas que gostam de mim, não as que não gostam. O que eu posso controlar, eu controlo. O que não posso, não controlo. Fico sempre com as pessoas que gostam de mim. Em todos os estádios. Mesmo no estádio do FC Porto, podia haver rivalidade porque me criei no Sporting. No do Benfica, acho que não jogamos mais lá, foi o que li. Espero que isso possa voltar a acontecer, porque é um estádio em que a Seleção se dá bem. Sinto um grande carinho dos portugueses. Não é por meia dúzia de pessoas que não gostam de mim que não sinto o carinho dos portugueses.”
Quanto ao fim da carreira, salientou que … “não sei… Gostava de responder a essa pergunta, mas não sei. Recebi um conselho, a partir dos meus 30 e muitos anos, que é: vive o momento, não penses no amanhã. Não sei. É possível? É. Bastante provável? É. Mas vai acontecer? Não sei. Aviso, sim.”
Chegar aos mil golos suscitou o seguinte comentário “admiti que quero chegar e vou chegar. Obsessão não. Nunca faço as coisas por obsessão porque nunca saem como nós queremos. Papa recordes? O resto é desfrutar o dia-a-dia. Agora é a Liga das Nações com um novo selecionador, espero que as coisas possam correr da melhor maneira. Mas quero muito esse recorde, sim.
Regressar a Alvalade é um destino? “Sentimento especial porque foi quase lá que começou a minha história bonita no futebol. Tenho muito orgulho nisso. Representar a Seleção, passado tantos anos durante praticamente onde me estreei para o Mundo, é muito bonito. É sempre um prazer vir à Seleção, representar as cores do meu país. Depois de tantos anos, é como se fosse a primeira vez. Entro em campo com aquele sentimento de alegria, paixão, muita emoção também. O que mais quero é que entremos com o pé direito, independentemente se é o estádio do Sporting. Mas será mais especial por ser naquela casa.”
Prosseguindo … “venho à Seleção porque faço a diferença no meu clube e sou uma mais-valia não só lá, e posso aportar bastantes coisas aqui à Seleção. Tudo o que o míster precisar de mim na Seleção, para jogar, para sair, para entrar ou não jogar, o orgulho que tenho de representar Portugal… Ninguém tem mais internacionalizações do que eu. Isso diz muito o prazer e o gosto que tenho de vir à Seleção. Não é por mais outra coisa, por mais que vocês possam pensar. É mesmo um orgulho e uma paixão vir à Seleção, não tenho outro interesse qualquer. Sei que o míster conta comigo e por isso estou aqui. É poder ajudar dentro de campo com as minhas exibições, não com o currículo que eu tenho. E também fora, por ser o capitão, ter muitos anos de casa e conhecer muitas dinâmicas do que é o futebol e a Seleção e poder ajudar este grupo de trabalho no que precisarem de mim”.
Passagem de testemunho? “Se o míster não contar comigo, eu posso sair já hoje, não tem problema nenhum. Quando não quiserem contar comigo na Seleção… Quando eu sentir que não estou aqui a fazer nada, que não dou nada dentro de campo, que não faça golos ou faça mau ambiente ou que não queiram que esteja aqui, agarro na minha bola e vou-me embora. Se eles contam comigo, eu conto com eles, os portugueses contam comigo, é por isso que eu sigo na Seleção. O que puder dar a Portugal, que tenho a certeza que continuo a dar, basta ver os números para ver a diferença que eu faço… O dia em que não contarem comigo não há problema nenhum. Serei sempre um espectador da Federação, ajudarei no que precisarem de mim e serei sempre o espectador número um desta Federação.”
Adiantando … “não penso no dia de amanhã. Só dia a dia. Não tenho idade para pensar no futuro. Para mim, o presente é o mais importante. Sei que muitos estão doidos para que não venha já. Sinto pela maneira como fazem as perguntas. Não são todos, são meia dúzia. Mas foco-me nas pessoas que gostam de mim, que querem que continue aqui, que têm paixão por mim, que vão ao estádio para ver a Seleção e também o Cristiano. É a minha grande paixão para continuar a vir cá.”
Marcar golo 1000 pelo Al Nassr ou Seleção: “pela Seleção, claro. Como disse o míster, era a cereja no topo do bolo. Marcar o golo 1000 na Seleção era o culminar de mais uma história bonita. Oxalá.”
Considerou terminar a carreira depois do Mundial? “Claro. Penso sempre nas minhas decisões, no futuro, no presente. Sou um pensador. É por isso que me vêm aqui agora, significa que vou continuar. Falei com o nosso presidente, com o nosso treinador, eles contam comigo. Eu ainda acredito que sou capaz de ajudar a Seleção Nacional a atingir o que quer. Posso dar à Seleção Nacional o meu apoio através de golos e também fora do futebol. É uma geração jovem, mas o
“Estou bem comigo próprio. Com o passar dos anos fica-se com experiência, vê-se coisas que não vão mudar. Os críticos vão estar lá, não posso negar isso. Mesmo quando fazes as coisas certa, as pessoas criticam. Imagina se fizeres errado. O mais importante é que eu sei quem sou, sei o que fiz para estar aqui. Sei o que fiz para ter o sucesso que tenho. Sei o porquê de as crianças adorarem o Cristiano, porque me veem como exemplo. É o mais importante para mim. Vou continuar a fazer isso mesmo quando me retirar daqui a 10 anos. Estou feliz comigo. Não interessa se jogo amanhã, se descanso no jogo seguinte. Não me interessa. Eu sinto-me bem. As pessoas à minha volta estão bem, confiam no meu trabalho. Sou uma pessoa feliz”.








