Num dia marcado pela dureza do percurso, pelas quedas e pelo elevado número de desistências, nenhuma das três representantes portuguesas – Beatriz Roxo, Daniela Campos e Raquel Queirós – conseguiu concluir os 180,1 quilómetros da corrida de fundo do Mundial de Ciclismo de Estrada, que decorrem em Montreal (Canadá).
Ainda assim, Beatriz Roxo esteve em destaque, ao integrar a primeira fuga consistente da jornada e assumir protagonismo na fase inicial da prova.
Nos primeiros quilómetros, Beatriz Roxo lançou um ataque que daria origem à primeira fuga do dia. A corredora portuguesa chegou a integrar um grupo de quatro corredoras que alcançou cerca de quatro minutos de vantagem sobre o pelotão, assumindo-se como uma das principais protagonistas da corrida na sua fase inicial.
Num circuito particularmente exigente, percorrido por oito vezes ao longo dos 180,1 quilómetros, os Países Baixos mantiveram o controlo do pelotão e a fuga acabaria por ser anulada a 105 quilómetros da meta. Beatriz Roxo perdeu então o contacto com o grupo da frente, na primeira subida do circuito, depois de uma exibição muito ativa nas horas iniciais da competição.
A corrida acabaria por sofrer uma mudança decisiva pouco depois, na sequência de uma queda coletiva que ocupou praticamente toda a via. O incidente envolveu várias corredoras – uma delas a canadiana Magdeleine Vallieres, que conquistou o título em 2025 – e condicionou fortemente o desenrolar da prova, afastando algumas das principais candidatas aos lugares cimeiros.
Entre as corredoras afetadas esteve Daniela Campos, que foi ao chão e sofreu um forte impacto no joelho esquerdo. Apesar de ainda ter tentado prosseguir em competição, as consequências da queda acabaram por obrigá-la a abandonar. O incidente alterou por completo o rumo da sua corrida, numa altura em que permanecia integrada no pelotão principal.
Também Raquel Queirós acabou por sair prejudicada pelo momento-chave da jornada. A portuguesa ficou cortada após a queda e integrou um grupo perseguidor, mas nunca conseguiu regressar à frente da corrida, acabando igualmente por abandonar mais tarde.
A dureza da competição refletiu-se igualmente nos números finais, onde apenas 34 corredoras conseguiram concluir a prova, num dos dias mais seletivos destes Campeonatos do Mundo.
“Foi um dia muito bom, foi a minha primeira vez num Campeonato do Mundo de nível de Elites”, disse Beatriz Roxo, explicando que “surgiu uma oportunidade, onde senti que estava no local certo na hora certa e tentei a sorte para uma fuga. Foi deixar ir, acreditar, desfrutar, sofrer muito e dar o nosso melhor. Entrar no circuito já foi só desfrutar e ver as minhas colegas, foi uma experiência incrível”.
Raquel Queirós, por seu turno, referiu que “foi uma corrida dura e a minha estreia nos Campeonatos do Mundo, sendo que a única experiência ao nível desta terá sido no Europeu do ano passado. Vinha sem nenhuma expectativa, sem pressões e dei o meu melhor. Desfrutei muito desta experiência, foi muito importante”.
Daniela Campos, que esteve envolvida na queda, declarou que se tratou de uma corrida “com algumas movimentações, mas relativamente tranquila até à entrada no circuito. Infelizmente, na primeira volta completa ao circuito, houve uma grande queda que determinou o meu desfecho na prova e obviamente que é uma grande desilusão, porque venho da recuperação de uma fratura ao cotovelo e agora, mais uma queda. Contudo, há que continuar, aceitar e seguir em frente”.
“As nossas ciclistas mostraram uma grande entrega, mas estamos perante um Campeonato do Mundo, onde o nível é muito alto. Não conseguiram resistir a este elevado ritmo, ao qual ainda não estão habituadas. A Beatriz acabou por conseguir entrar na fuga e dar algum protagonismo ao nosso país. A Raquel fez a corrida que lhe foi possível e a Daniela foi vítima de uma queda, com avaria na bicicleta, que a fez perder muito tempo e impossibilitar de mostrar o que realmente poderia fazer”, resumiu Ricardo Sênos, selecionador nacional de estrada.
Este domingo disputa-se a última prova do programa dos Campeonatos do Mundo de Estrada, com a corrida de fundo de Elites masculinos. Portugal estará representado por Afonso Eulálio, António Morgado, Ivo Oliveira, João Almeida, Nelson Oliveira e Tiago Antunes.
Os seis corredores portugueses vão enfrentar (a partir das 14h) um percurso de 273,7 quilómetros e 3803 metros de desnível acumulado. A partida será dada em Brossard, antes da entrada em Montreal e da passagem para o exigente circuito final em torno do Mont Royal.
Taça de Portugal de pista em Tavira
Numa jornada disputada sob o sol algarvio e que reuniu 62 atletas, ficaram conhecidos os vencedores finais da edição de 2026 nas diferentes disciplinas, encerrando uma temporada marcada pelo equilíbrio competitivo e pela evolução dos jovens corredores portugueses.
As corridas de Juniores proporcionaram algumas das disputas mais equilibradas do dia.
No setor masculino, Leonardo Leandro (DunasVale / Pereira&Gago) venceu o Scratch, Rodrigo Felisberto (CC Loulé / Matdiver / Golfejardim) triunfou na Eliminação, enquanto a Corrida por Pontos terminou com Afonso Guerreiro (DunasVale / Pereira&Gago) e João Silva (Paredes / Reconco) empatados com 23 pontos, com o corredor da formação paredense a ser classificado em segundo, mas a vencer a Perseguição Individual e o Quilómetro.
Nos rankings finais, Rodrigo Felisberto conquistou a Taça no Scratch e Vicente Saraiva (Sardanetas BTT / A. R. Grada) venceu o título na Eliminação. Quanto às disciplinas de Perseguição Individual e Quilómetro, foi João Silva o vencedor e na Corrida por Pontos a Taça de Portugal teve um desfecho com um raro empate entre Afonso Guerreiro, João Silva e Vicente Saraiva, todos com 910 pontos.
No setor feminino, Bárbara Cunha (Triumtérmica / Águias de Alpiarça) venceu o Scratch e a Eliminação, Bruna Carmo (Atum General / Tavira / Madre Fruta) foi a mais forte na Corrida por Pontos e Laura Simões (Korpo Activo/Penacova) venceu a Perseguição Individual.
As contas finais da Taça consagraram Laura Simões como vencedora absoluta: conquistou o Scratch, Eliminação, Corrida por Pontos, Quilómetro e Perseguição Individual, ou seja, o total das disciplinas em disputa.
Nos Cadetes masculinos, Bruno Nogueira (Cantanhede Cycling / VESAM) voltou a estar em evidência, vencendo todas a classificação em todas as disciplinas em prova: Scratch, Eliminação, Corrida por Pontos, Quilómetro e Perseguição Individual.
O corredor confirmou igualmente a liderança em todas as classificações finais da Taça, encerrando a temporada com um pleno nas quatro disciplinas.
Entre as Cadetes femininas, Carolina Bernardo (Cantanhede Cycling / VESAM) foi a mais forte no Scratch, na Corrida por Pontos, Quilómetro e na Perseguição Individual. Lúcia Martins (CDASJ / Cyclin’Team / Município de Albufeira) triunfou na Eliminação.
Nos rankings finais, Carolina Bernardo venceu as classificações de Scratch, Corrida por Pontos, Eliminação, Quilómetro e Perseguição Individual, fazendo o pleno nesta Taça de Portugal de Pista de 2026.
Em Juvenis masculinos, Samuel Gomes (Landeiro | Matinados | Matias & Araújo) venceu o Scratch e o Quilómetro este sábado. Os resultados permitiram-lhe conquistar a classificação final do Quilómetro no ranking da Taça, enquanto Rodrigo Alves (Paredes / Reconco) assegurou a vitória final no Scratch.
Nas Juvenis femininas, Inês Chaves (Clube de Ciclismo de Tondela / ADRT) venceu o Scratch e Lara Silva (Escola Cantanhede Cycling / VESAM) foi a mais rápida no Quilómetro. Nas contas finais da Taça, Matilde Fernandes (Landeiro | Matinados | Matias & Araújo) conquistou a classificação geral do Scratch, enquanto Lara Silva venceu o ranking do Quilómetro.
Este domingo arranca a Taça de Portugal de Pista para Elites Amadores e Masters, primeira de duas jornadas da competição, igualmente no Velódromo de Tavira. O programa contempla as disciplinas de Scratch, Corrida por Pontos e Eliminação, além das provas destinadas ao Paraciclismo. Tal como hoje, as atividades começam às 9h30, reunindo atletas masculinos e femininos numa das principais infraestruturas nacionais dedicadas ao ciclismo de pista, em velódromo aberto.



