Depois do “auge” atingido no encontro frente à Dinamarca (4-2), a equipa portuguesa sofreu mais um pouco no quarto e último jogo nesta primeira fase de grupos, contra a Noruega, que venceu (2-1), conquistando o direito de estar presente nos quartos de final da Liga das Nações.
Na quarta partida, como se esperava – e como Jorge Jesus tinha previsto – o encontro teria caraterísticas diferentes, seria mais difícil e todos os cuidados eram poucos, porquanto os noruegueses dispõem de jogadores de excelente valor e poderiam aproveitar, até, eventuais falhas da formação lusa.
Complementando, Portugal chegaria também ao quarto jogo, realizados de três em três dias, o que aumentava o risco de cansaço, praticamente sem tempo para treinos mais específicos, apesar das substituições que se poderia fazer em cada partida.
Pelo descrito ou por causas adjacentes, a verdade é que a equipa portuguesa encontrou mais dificuldades no jogo deste domingo, com os noruegueses a fecharem bem as linhas atrasadas e a “bloquearem” as linhas avançadas lusas, que encontraram no Estádio do Dragão o ambiente certo para conquistar mais três pontos.
Neste compasso de vai-e-vem, o perigo para as balizas foi pouco, onde de juntou também o individualismo de algumas das “estrelas” do drama, com Vitinha a fazer o primeiro remate para a baliza (21’), forçando a nota com João Cancelo (remate de longe para guarda-redes defender), tendo Nusa retorquido com outro remate que levou Diogo Costa a defender para canto (26’), mas Cancelo insistiu no remate (29’), com a bola a divergir muito da baliza.
Numa fase de frenesim, Portugal acabou por sofrer um golo (36’), quando Ajer se isolou pelo lado direito, galgou alguns metros e rematou forte para o 2º poste, em arco, para fazer o 0-1 para os noruegueses, aproveitando um abaixamento do movimento a equipa portuguesa.
Elevando a velocidade, apanágio das equipas que querem mudar “até o mundo”, se puderem, Portugal reagiu de imediato (38’) e chegou ao empate, com um golo de Cancelo, no seguimento de um lançamento de linha lateral, com a bola a seguir ao lado direito do ataque, onde chegou Cancelo para, com o peito do pé, rematar forte e direto à baliza norueguesa onde o guardião não teve nem arte nem manha para defender.
Atá ao intervalo nada de perigo e acabou com o empate, justo para Portugal, mas não o foco que Jesus tinha em mente, tendo a formação lusa dominado, com 12-4 em remates, dos quais 6-3 para a baliza, numa posse de bola de 55/45%, vantagem que não foi aproveitada pela Equipa Portugal para ter maior folga no resultado.
No reatamento (54’), Portugal esteve à beira de marcar, mas o remate de Cancelo foi defendido pelo guardião norueguês, não aproveitando os visitantes minutos depois uma oportunidade criada, porque que a bola ficou “fora de perigo”.
Denotando o cansaço que era visível – e até esperado – nalguns elementos, Rubem Neves e Diogo Dalot foram chamados ao relvado, tocaram de imediato na bola e confirmaram que foi uma boa “jogada” de Jesus, porque a fluência ficou melhor, apesar de, taticamente, a velocidade dos jogadores ter reduzido.
Entretanto, Pedro Neto e Bernardo Silva também reforçaram a equipa e Gonçalo Ramos voltou a ser o herói, porque foi dele (79’) o “empurrão” para o 2-1, ao meter a bola na baliza adversária depois de um centro de Vitinha para João Félix colocar a bola na bandeira dourada que foi enviada para Gonçalo fazer o golo, que viria a ser o do quarto triunfo consecutivo de Portugal.
Depois deste lance, com alguns jogadores (de ambas as equipas) a pedir substituições, outros problemas surgiram, em especial por parte de Francisco Conceição (85’), primeiro por cometer falta sobre um adversário e ser admoestado com amarelo pelo árbitro, com o qual discordou e viu o vermelho, ficando a equipa com dez elementos.
Quatro minutos depois (89’) Bruno Fernandes exagerou no contato com um adversário e viu o amarelo, ficando marcado para os jogos que ainda faltam não só para terminar a fase de grupos mas para a fase seguinte, considerando o apuramento de Portugal.
A estatística final confirmou o que se passou na primeira parte, agora com 21-6 remates, dos quais 8-3 para a baliza, numa posse de bola de 59/41%, pelo que o triunfo português não sofrei contestação alguma.
Não teve o brilho alcançado na partida contra a Dinamarca, mas o triunfo luso justificou-se plenamente.
Com 12 pontos em quatro jogos, Portugal lidera o grupo 4 da Liga A, contra os 6 da Dinamarca e 3 da Noruega e Gales.
Os dois últimos jogos desta fase estão marcados para 14 de novembro (Dinamarca, em Portugal) e 17, com Gales, fora de casa.
Jorge Jesus – foi cumprido o que era preciso: ganhar!
No final da partida, o selecionador nacional, Jorge Jesus, salientou que “tudo aquilo que projetámos em relação à Noruega e ao valor da sua equipa confirmou-se. Não preciso de dizer muito: têm o melhor ponta de lança do mundo, Odegaard, que é um dos melhores segundos avançados do mundo, e uma equipa muito completa e fisicamente forte. Só com muita qualidade técnica é possível vencer esta equipa. Ganhámos sem fazer um jogo como aquele que fizemos na Dinamarca, mas o mais importante era garantir o apuramento. Fizemos um percurso que não pensava ser possível, apesar de acreditar na equipa. Agora, é esperar pelos últimos dois jogos.”
Sobre se vai chamar novos jogadores, Jesus adiantou que “o importante foi Portugal ganhar mais uma vez a uma das melhores seleções da Europa neste momento, com Haaland e Odegaard. Portanto, isso é que tem de ser valorizado. Sem fazermos um jogo com nota artística. Com a Dinamarca tivemos, hoje não tivemos. Podíamos tê-la tido nos últimos 15 minutos, quando Francisco Conceição foi expulso. A Noruega estava partida: uns atacavam e outros defendiam, e nós íamos fazer pelo menos mais um golo. Nesse espaço, senti a Noruega mais cansada do que nós e com a expulsão isso complicou-se. Mas o importante era a vitória. Foi uma boa vitória contra uma boa seleção. Sobre a nova convocatória, vamos ver. Vou escolher em função daquilo que esses jogadores mais jovens possam fazer nos clubes. Se não jogarem, é mais difícil serem convocáveis, mas pensamos nisso.”
Quanto a Cristiano Ronaldo, referiu que “não sei o que vai acontecer. Para mim, está tudo em aberto. O Cristiano é que tem de decidir a vida dele antes da próxima convocatória. Se quiser estar na Seleção e estiver a jogar, por que não? Não há ressentimento, porque isto foi um mal-entendido. Acho que é fácil de resolver. Quando, não sei. O jogo acabou e agora é que vamos ver como as coisas vão acontecer.”
Sobre o que Bruno Fernandes referiu (“disse que Cristiano Ronaldo tem de se despedir em festa. Concorda?] Jorge Jesus salientou: “cem por cento. O que o Bruno Fernandes disse, concordo completamente, porque essa era também a minha ideia. Estamos a falar de várias coisas. Uma das que disse ao Cristiano era que não podia acabar a perder e a chorar no Mundial. Tinha de acabar na Seleção a jogar e, por isso, foi jogar o primeiro jogo. Calhou ser em Alvalade. Era para jogar hoje aqui, mas, face ao que aconteceu, tudo foi diferente. Praticamente está tudo dito. Agora, isto não tem nada a ver… Eu sou o selecionador, convoco quem quero. Não pergunto a ninguém quem quero convocar nem quem vai jogar. Como treinador, há vários momentos inegociáveis e, portanto, mais claro do que isto não posso ser.”



