Quinta-feira 03 de Dezembro de 2020

E a tolerância zero do COI para o doping foi por água abaixo

coi_logo_newFace à decisão – esperada para quem há muito tempo trata de assuntos relacionados com a luta contra a dopagem (um deles o Prof. Dr. Luís Horta, actual conselheiro do Governo do Brasil para estes assuntos e um dos “mestres” que ajudou a criar o Laboratório do Rio de Janeiro, já certificado para fazer todas as análises inerentes às várias modalidades em disputa dos Jogos do Rio’2016) – tomada pelo Comité Olímpico Internacional (COI) face ao caso da Rússia, sem dúvida que muita coisa vai mudar após os Jogos, senão mesmo ainda antes.

Isto porque ao “passar a bola” para as federações internacionais das modalidades do programa olímpico, a decisão de quem pode ou não pode participar, está a “lavar as mãos” sobre um gravíssimo problema que está a “empestar” ou a “minar” todo o mundo no que à luta antidopagem diz respeito.

Só por isso – apesar de apenas uma ou outra modalidade ter já dado ordem para que alguns “infectados” pudessem participar (caso dos tenistas russos) – o problema aumentou exponencialmente quando se tomou conhecimento público das posições contrárias tomadas pelos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, de que todos os implicados no caso de dopagem (de Estado, já comprovado pela comissão de inquérito para efeito nomeada pela AMA/WADA) na Rússia.

Mantendo uma postura de verdade, realidade e responsabilidade, a única federação internacional que marcou posição (afastando os atletas russos dos Jogos Olímpicos sem esperar pela decisão do COI) foi a de atletismo que, acrescente-se, foi a primeira a lutar (Primo Nebiolo, o antigo presidente da IAAF, foi o grande instigador de afastar todos os que fossem dopados na altura em que Ben Johnson se tornou campeão mundial com um recorde mundial que ficaria para a história quase como imbatível) por este tipo de batota, enquanto outras fizeram “orelhas mocas”.

Esta abertura do COI, levou, de novo, a Rússia a apelar à IAAF para permitir que os atletas “limpos” possam estar presentes, o que promove mais pressão perante Sebastian Coe e seus pares, aguardando-se o que vai acontecer. Por certo vai haver mais.

Uma delas foi a de ténis, que nunca se livrou das dúvidas que existiram desde aí para cá.

Como se sabe, a WADA/AMA (Agência Mundial Antidopagem), foi criada para acabar com uma certa “teia de interesses” que grassava na Comissão Médica no seio do Comité Olímpico Internacional, tornando-se uma agência independente de países e de interesses, mas cujo funcionamento depende (em função dos quocientes definidos) das contribuições que os países que assinaram a adesão atribuem.

Com este sacudir da “água do capote” por parte do COI, dando poder às federações internacionais, à independência desta luta ficou “chamuscada”, não se sabendo se poderá levar (ou não) a algum movimento que leve, por exemplo, à demissão (forçada ou não) do actual executivo do COI, num desfecho que seria único e, eventualmente. Catastrófico para todo o desporto.

Soe dizer-se que “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas” mas um eventual efeito “boomerang” pode mandar tudo a abaixo num ápice.

Estes próximos dias podem ser cruciais para atitudes deste tipo, legítimas, pela falta de cooperação de quem comanda os Jogos Olímpicos.

Por outro lado, se se avançar para “entrar toda a gente” que se diz estar limpa – e aqui não podemos dizer se será A ou B, porque não se conhecem os resultados das análises às amostras recolhidas de há anos (Londres e mesmo Pequim) na sua plenitude – a verdade desportiva e o olimpismo ficarão abalados de tal forma que poderão fazer cair este belo edifício construído com muito saber pelo Barão Pierre de Coubertain, no que ao olimpismo diz respeito.

Cento e vinte anos depois, os alicerces de Atenas “abanam” de forma tal que, como se referiu, poderão cair de vez.

Só se espera que, apesar de tudo, a razão das razões sejam debeladas – não se sabendo bem como – para que em 2020 há Jogos Olímpicos. Mas até lá terá que existir “limpeza” completa por toda a parte onde a dopagem seja uma prioridade do desporto e de quem o dirigir.

Como está actualmente é que não, como se tem provado nestes últimos meses.

Antes desta decisão do COI, o seu porta-voz, Mark Adams, há alguns dias, salientou a implementação da “tolerância zero” e que havia um reforço de quinhentos mil dólares para o programa de testes, que tinham como destina, em especial, a Rússia, Quénia e México, cujos laboratórios foram suspensos, tal como aconteceu posteriormente em relação a Lisboa e ao Rio de Janeiro, este já “recomposto” e certificado para fazer todas os procedimentos relativamente ao controlo antidopagem nos Jogos Rio’2016.

Provavelmente muita água ainda vai correr por debaixo das pontos, ficando por saber se haverá “cheias” ou não e quem se “safará” da torrente de protestos que se prevê por parte de muitos países, ou talvez não para não “ferir” ainda mais a organização dos Jogos do Rio’2016.

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