Quarta-feira 28 de Outubro de 2020

Usain Bolt no adeus com bronze ante monumental ovação de 60.000 espectadores

IAAF World Championships London 2017O Estádio Olímpico de Londres viveu, este sábado, mais uma noite de sonho, desta vez não para ovacionar o habitual campeão olímpico e campeão mundial Usain Bolt (15 medalhas, sendo onze de ouro), mas para se despedir de um atleta que teve uma carreira longa e brilhante a todos os títulos notável.

O jamaicano encantou – só faltou “cantar” – os fans de todo o mundo com as extraordinárias corridas que fez, que originaram a queda dos recordes dos mundo dos 100 e 200 metros – a que se juntam ainda os obtidos na estafeta de 4×100 metros – e teve a homenagem que muito poucos tem tido, isto porque verdadeiros Deuses do Atletismo (e do desporto mundial) também cada vez há menos.

Juntando à parte atlética, onde foi coroado de várias formas, ao porte social irrepreensível, apenas faltou a Bolt mais uma medalha de ouro na despedida do hectómetro, se bem que as previsões apontavam que o jamaicano já tinha “desligado” os “turbos” quando anunciou que este ano acabaria a carreira em Londres.

Sem dúvida que o factor psicológico teve impacte demasiado alto que Bolt não conseguiu controlar de todo, levando-o a um resultado completamente fora do normal em termos comparativos com o Rio’2016 e anteriores. Nunca se viu Bolt a correr para 9,95 como agora se verificou que, acrescente-se, até foi a melhor marca que fez esta época.

Ainda assim, Bolt ainda tem mais uma hipótese de chegar ao ouro, através da estafeta de 4×100 metros, atendendo a que não participará nos 200 metros, como era habitual.

O “renovado” campeão mundial foi, doze anos depois de ter chegado ao ouro no hectómetro, o norte-americano Justin Gatlin, com 9,92, atleta que lutou sempre para ser campeão mas que foi perfeitamente “coberto” pelo domínio de Bolt nestes três últimos ciclos olímpicos. Medalha de prata para outro norte-americano, Christian Colemann, com 9,94.

Nas outras finais deste sábado, o lituano Andrius Gudzius conquistou o ouro no disco, com um lançamento de 69,21 (recorde pessoal), apenas mais dois centímetros que o prateado Daniel Stahl (Suécia), com 69,19.

No salto em comprimento, ouro para o sul-africano Luvo Manyonga, com 8,48, à frente do norte-americano Jarrion Lawson, com 8,44 (marca pessoal do ano).

fpatletismo_logo_novoPortugueses no sim e no não

Na única final com portugueses, Carla Salomé Rocha não deu conta do recado ao classificar-se na 28ª posição (entre as 33 participantes), com 32.52,71 nos 10.000 metros, muito aquém dos 32.07,62 quando cumpriu os mínimos (máximos quiçá) para chegar a Londres.

Muito melhor esteve Susana Costa, que foi a atleta portuguesa com maior evidência na jornada desta sábado, ao bater o record pessoal no triplo salto quando atingiu os 14,35, ao terceiro ensaio, depois de 13,83 e 13,88 nos dois primeiros ensaios. O que se chama fazer os “máximos” depois de (não) ter feito os mínimos (14,09), porque a presença em Londres ficou a dever-se a convite da Federação Internacional.

Com tudo perfeito desde o início da corrida de balanço, Susana superou-se de forma categórica – a primeira a conseguir este desiderato – fazendo ainda melhor do que a recordista nacional, Patrícia Mamona, que se ficou pelos 14,29 ainda que não cumprindo o terceiro ensaio (13,97 no primeiro) por ter atingido a marca estipulada pela IAAF.

Tal como nos Jogos Olímpicos do Rio´2016, Portugal terá duas atletas na final do triplo salto, marcada para este domingo.

Ainda pela positiva, Lecabela Quaresma está a fazer um Heptatlo a bom nível, chegando ao fim da primeira parte com 3.465 pontos (26ª entre as 31 participantes), correspondentes a 12,94 nos 100 metros barreiras, 1,71 no salto em altura, 13,48 no peso e 25,38 nos 200 metros.

Lecabela tem como recorde pessoal (segunda melhor marca de sempre no atletismo português) 6.174 pontos (também está em Londres com um convite da Federação Internacional por não ter obtido mínimos), correndo e saltando para tentar chegar ao recorde nacional que Naide Gomes fixou em 6.230, em 16 de Julho de 2005. Já lá vão doze anos.

Este domingo fará o salto em comprimento, o lançamento do dardo e os 800 metros.

Pela negativa, a prestação dos dois lançadores de peso, que estavam entre os melhores antes do campeonato, depois de fazerem uma época muito exaustiva, com excesso de provas, o que esteve na origem, por certo, dos desaires deste sábado.

O recordista nacional, Tsanko Arnaudov (21,56 este ano) não foi além de uns modestos 20,08, num percurso que começou com 19,83, seguiu-se 20,02 e terminou ao terceiro ensaio com mais seis centímetros, ficando no 17º lugar (só 12 foram apurados para a final) entre 32 participantes.

Quanto a Francisco Belo (20,85 este ano), começou com 18,28, seguiu-se 19,47 e o terceiro foi nulo, acabando na 29ª posição.

Mais dois que regressam a casa mais cedo, tal como e Marta Pen, eliminados no primeiro dia (sexta-feira) da competição.

David Lima (também afastado nos 100 metros) ainda terá uma hipótese de poder brilhar nos 200 metros, na próxima segunda-feira.

Este domingo, para além de Lecabela (Heptatlo), que começa pelas 10 horas da manhã, Diogo Ferreira estará (10h40) na qualificação do salto com vara, onde se apresenta com um recorde nacional de 5,71, seguindo-se Ricardo Ribas (10h55) na maratona (2.13.21 como recorde pessoal, não tendo participado em qualquer maratona este ano) e Cátia Azevedo participará nas eliminatórias dos 400 metros (11h55), onde chega com 51,90 deste ano e 51,63 de recorde pessoal.

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