Quarta-feira 22 de Janeiro de 2020

Encontro nacional de atletas olímpicos a caminho de Tóquio 2020

COP-JOli-Atletas2020-20-11-2019“Se falhas na preparação, preparas-te para falhar.” A frase do nadador norte-americano Mark Spitz, com sete medalhas ganhas nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, deu mote ao Encontro Nacional de Atletas Olímpicos 2019, realizado em Sintra, pela Comissão de Atletas Olímpicos (CAO), quando faltam 251 dias para o arranque dos Jogos de Tóquio 2020, evento que foi acompanhado por João Paulo Rebelo, Secretário de Estado da Juventude e Desporto.

Os atletas reunidos durante dois dias partilharam experiências de competição no Japão, aprofundaram os conhecimentos sobre as condições atmosféricas que encontrarão no período dos Jogos Olímpicos, cuidados de nutrição a seguir, questões que se colocam na área da psicologia, da logística de organização da Missão, das alterações ocorridas na regra 40 da Carta Olímpica, manipulação de competições, doping, e ficaram a par do Programa de Educação Olímpica do Comité Olímpico de Portugal (COP).

Ana Cabecinha (Atletismo), José Costa (Vela), João Neto (Judo, actual treinador de Catarina Costa) e João Rodrigues (Vela, actual presidente da Comissão de Atletas Olímpicos) falaram da experiência já adquirida em competições realizadas em Tóquio, nomeadamente das condições atmosféricas extremas, das diferenças no regime alimentar e das dificuldades causadas pelo “jetlag”.

Pedro Roque, director desportivo do COP, apresentou a plataforma informática em desenvolvimento pelo Instituto Português do Mar e da Atmosférica, que permitirá à Equipa Portugal ficar a saber das condições meteorológicas em cada local de competição de Tóquio 2020.

A Direcção de Medicina Desportiva do COP abordou questões ligadas à nutrição, por Cláudia Minderico, e à psicologia, por Ana Bispo Ramires.

Cláudia Minderico vincou a necessidade absoluta dos atletas fazerem uma boa hidratação e de ingerirem uma percentagem significativa de hidratos de carbono e electrólitos.

Ana Bispo Ramires falou na necessidade que aumentar a consciência do corpo faz parte da preparação psico-emocional para os Jogos Olímpicos, identificando as condições de Tóquio como um adversário.

Marco Alves, director do Departamento de Missões e Preparação Olímpica do COP e chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, esclareceu algumas questões relacionadas com a organização da Missão e a importância de ter uma preparação rigorosa, que não coloque em causa o desempenho dos atletas.

A alteração da Regra 40 da Carta Olímpica flexibilizou a norma existente e prevê, em alguns casos, a utilização da imagem dos atletas associada aos parceiros comerciais sem violação das propriedades olímpicas, e esse foi o objecto de esclarecimento pelo assessor jurídico do COP, João Maltez, e pela gestora de marketing, Sofia Macedo.

João Paulo Almeida, Director-geral do COP, e Joana Gonçalves, gestora de projecto, intervieram no ENAO para abordar a questão da manipulação de competições desportivas.

“A admiração pela persistência, resiliência e capacidade de sofrimento” foi a mensagem deixada pelo Secretário de Estado da Juventude e Desporto à audiência do ENAO, tendo dado o exemplo de Nuno Laurentino, atleta olímpico da Natação que trabalha no seu gabinete, como o de alguém que fez uma transição de carreira bem-sucedida.

A Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) promoveu uma formação no âmbito do protocolo recentemente celebrado com o COP, a cargo de António Júlio, director executivo, Carlos Santos, responsável pela área da educação, e Sofia Neves, da área do sistema de localização, num momento que proporcionou grande interactividade, com o esclarecimento de dúvidas suscitadas pelos atletas.

O Programa de Educação Olímpica do COP e os Valores Olímpicos foram objecto da apresentação de Rita Nunes e Joaquim Videira, do Departamento de Educação Olímpica do COP.

Carlos Gomes e José Esteves, da Academia Olímpica de Portugal, apresentaram o Guia Olímpico editado pelos Comités Olímpicos Europeus.

26mar 4135 eleicoes cop siteO Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, encerrou os trabalhos que decorreram ao longo de dois dias, reunindo cerca de 40 atletas, dizendo-se satisfeito por poder “verificar o crescimento e desenvolvimento das pessoas” com as quais trabalha, numa alusão também ao progresso empreendido pela CAO, que levou a cabo o evento. “Mais importante do que fazer campeões no desporto é fazer campeões para a vida”, disse, inspirando-se no pensamento de Coubertin. “O grande campeão é aquele que se supera.”

A reedição dos seis lugares de pódio obtidos em Mundiais de modalidades olímpicas em 2019 nos Jogos Olímpicos Tóquio2020 deixaria os portugueses satisfeitos, assumiu hoje o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, frisando que “era uma satisfação muito grande, minha e de todos os portugueses, porque foram, de facto, um número de lugares de pódio em 2019 pouco comum, quase invulgar, portanto, repetir esse quadro seria extraordinário”, reconheceu José Manuel Constantino, após o encontro nacional de atletas olímpicos, em Sintra.

O presidente do COP recordava o ouro de Jorge Fonseca no judo, as pratas do marchador João Vieira e da judoca Bárbara Timo e os bronzes do canoísta Fernando Pimenta, do ‘skater’ Gustavo Ribeiro e de Rui Bragança, no taekwondo, nos campeonatos do mundo de 2019.

“São indicadores excepcionais, que revelam que os nossos atletas têm valor suficiente para discutir posições de pódio em Jogos Olímpicos. Se vão conseguir ou não, vamos ter de aguardar”, referiu.

José Manuel Constantino voltou a indicar a expectativa de que a missão olímpica portuguesa contará com “entre 70 a 80 atletas”, realçando a existência de vários processos de qualificação ainda em curso, para reconhecer que os atuais 28 “estão muito aquém do número estimado”.

“Se a expressão me é permitida, a única decepção que, nesta data temos, quanto a apuramentos olímpicos, tem a ver com a modalidade de futebol. Porque a convicção que eu tenho é que há valor mais do que suficiente para estar nos Jogos Olímpicos com a selecção de sub-21”, lamentou Constantino.

Muito há por acontecer e espera-se que os objectivos se cumpram, dentro do que é mais importante: fazer mínimos e comprová-los nos Jogos Olímpicos.

 

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