Sábado 16 de Janeiro de 2021

Comité Olímpico promove II Cimeira das Federações Desportivas esta terça-feira, em Odivelas

A segunda Cimeira das Federações das Desportivas realiza-se esta terça-feira, entre as 15 e as 18 horas, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, dando continuação à inicialmente realizada em meados de 2020.

Cimeira-painel-300x200_3O encontro, promovido pelo Comité Olímpico de Portugal, Comité Paralímpico de Portugal e Confederação do Desporto de Portugal, que conta nesta sua segunda edição com a adesão da Comissão de Atletas Olímpicos, Comissão de Atletas Paralímpicos e Confederação de Treinadores de Portugal, decorre em formato presencial, salvo se a situação epidemiológica o não permitir, realizando-se em alternativa no mesmo horário, com recurso a uma plataforma digital.

Cerca de meio ano após a realização da primeira edição, na qual 52 entidades aprovaram, por unanimidade, uma moção entregue ao Governo e à Assembleia da República, com propostas que visavam a retoma do desporto em segurança e a criação de condições para a sustentabilidade do tecido associativo de base seriamente posto em causa pela pandemia, a reedição do encontro pretende voltar a mobilizar o Movimento Desportivo na discussão das melhores medidas a adoptar no actual contexto pandémico, face à ausência de resposta política concreta aos problemas estruturais que o sector do Desporto atravessa.

Em adição às preocupações já apresentadas relativas ao tecido desportivo nacional, o Relatório da Comissão Europeia sobre o Impacto Económico da COVID-19 no sector do Desporto, na União Europeia, reportou que o PIB de todos os Estados-Membros seria afectado em cerca de 10% em resultado das perdas do sector, que se estimam em cerca de menos 50 mil milhões de euros. O Relatório alertou ainda para a importância dos apoios estatais no sentido de fazerem face à perda abrupta de receitas e às consequentes dificuldades das organizações desportivas no cumprimento das responsabilidades financeiras de curto, médio e longo prazo, e sublinhou a progressiva necessidade do desporto ser tratado numa lógica mais integrada, em estreita ligação com outros sectores correlacionados, como o da saúde.

Ao contrário do que tem vindo a ocorrer no País, noutros sectores mais vulneráveis ao impacto da crise e na generalidade dos países europeus, com a injecção de apoios públicos ao desporto, Portugal prima pela ausência de medidas significativas, cenário que impõe a realização da segunda Cimeira das Federações Desportivas como momento capaz de assumir uma tomada de posição efectiva, no sentido de levar as autoridades governativas nacionais a alinharem a sua acção pelos padrões internacionais.

Tornando ainda mais robusta esta iniciativa, juntam-se-lhe agora, na qualidade de observadores, o Conselho Nacional de Associações dos Profissionais de Educação Física e Desporto e a Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal.

Entretanto, nos primeiros dias de 2021, o Comité Olímpico de Portugal partilhou, com as Federações Desportivas, uma “mensagem de solidariedade e preocupação com o contexto” que se atravessa, ao salientar que “o ano que terminou foi muito difícil para todos nós, pois a crise de saúde pública que atingiu todos os recantos do mundo veio colocar-nos problemas para os quais não estávamos preparados” e frisando que “sofreu um forte abalo com perdas avultadas e outras, teme-se, irrecuperáveis”.

Na missiva, o COP referiu ainda “não foi possível evitar a paragem da actividade de um número muito significativo de atletas e de ver modalidades com competições canceladas ou adiadas, ginásios e espaços de treino encerrados e restrições de mobilidade que inibiram ou eliminaram a possibilidade da prática desportiva regular com um efeito severo sobre o nosso sistema desportivo, num país com baixos indicadores de prática desportiva federada e assentes numa economia associativa frágil”.

Mais à frente, o COP adiantou também que “a retoma da prática desportiva, em especial nos escalões de formação, é uma das principais preocupações de todos os intervenientes do movimento associativo, porém, o problema mais premente que o sistema desportivo atravessa no cumprimento da missão que os poderes públicos lhe confiam em promover o direito constitucional ao desporto é, precisamente, o risco da sua sustentabilidade, agravado pela total ausência de medidas políticas de apoio urgentes e extraordinárias para o mitigar, ao contrário do que tem ocorrido na generalidade dos países europeus”, acrescentando que “temos a noção clara que é irreversível retomar-se o cenário – já de si bastante vulnerável – existente no desporto português antes da crise pandémica, apenas e só pelo progressivo retomar das actividades desportivas, como se este despertasse incólume de uma longa hibernação”.

Frisou, por outro lado, que “importa, com efeito, estarmos focados na absoluta necessidade de preservar ao máximo as nossas capacidades na sustentabilidade do desporto em contexto de pandemia, protegendo um bem público e a sua importância social, pois todos sabemos que, sem apoios, a retoma será ainda mais dolorosa, como denota o actual cenário marcado pelo considerável decréscimo de agentes desportivos filiados nas nossas federações, quebra de receitas, abandono da prática desportiva e consequente crise das organizações desportivas.”

Sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio – para o que o comité organizador se “recusa” a anular ou voltar a adiar – salientou que “2021, assim o esperamos, será o ano da realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, porquanto estamos concentrados na reprogramação de tudo o que envolve a nossa Missão, adaptando-nos a um contexto distinto daquele para o qual nos tínhamos preparado”.

“Por isso – referiu ainda o COP – sem esquecer aquele objectivo nacional, devemos reforçar a coesão do sector desportivo, por forma a encontrar mecanismos solidários e activar plataformas colaborativas, designadamente para ajudar clubes e associações desportivas de base que são a pedra angular do modelo desportivo nacional e europeu, e os que mais sofrem com a situação que estamos a viver”, uma situação que vai depender das novas medidas governamentais que serão disponibilizadas após a reunião a realizar no INFARMED, precisamente nesta terça-feira.

Ainda assim, o COP salientou que “o desânimo é o principal perigo que nos espreita. A ausência atempada de respostas políticas à gravidade do momento pode acentuar esse sentimento. Mas não podemos desistir. Não podemos deixar de lutar. E nem todos os combates têm resultados imediatos”.

A terminar, “o Comité Olímpico de Portugal estará sempre, e mais do que nunca, disponível para colaborar, juntando a sua motivação à das diferentes organizações desportivas, de modo a que solidariamente sejamos capazes de superar este momento, retomar progressivamente a normalidade das nossa vidas e defender o desporto, que é o grande desígnio que temos pela frente nestes tempos difíceis que vivemos. E, porventura, a nossa maior missão”.

No plano desportivo, não há dúvida que o COP e seus parceiros apresentam um conjunto de razões que pretendem implementar, com o apoio do governo que, por seu lado, trem andado muito atarefado com outras questões nucleares (saúde da população), ambos com razões consideráveis, para o que é preciso um senso comum.

É isso que se espera, já agora, a Bem da Nação!

 

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