Segunda-feira 22 de Julho de 2024

No melhor jogo até agora, Portugal despachou uma Turquia que só incomodou durante vinte minutos

Portugal, apesar dos turcos terem sido mais incisivos na parte inicial, criando algum “frisson” nas hostes lusitanas, não precisou de forçar muito – para lembrar a batalha de Ourique, que nem foi preciso – para conquistar o direito de estar nos oitavos de final do UEFA Euro 2024.

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Entrando com uma tática que talvez Martinez não esperasse, a formação lusa “viveu” os primeiros dezassete minutos à procura do caminho certo para a obtenção de golos, aliás o que mais se procura neste tipo de fases finais, seja em que modalidade for, ainda que a defesa nacional avançou demais pelos dois flancos e não encontrou ponto de encontro no ataque.

Revisto o filme previsto, os lusitanos começaram a entrar nos eixos a partir do quarto de hora, ainda com alguma “atrapalhação” porquanto a bola chegava à frente, mas sem que alguém dominasse o esférico para poder proporcionar um “olhar” mais fresco na direção da baliza contrária.

À passagem da vintena de minutos, a formação lusa aventurou-se mais um pouco e numa jogada sempre com a bola como que “teleguiada” por imans, o esférico subiu até aos pés de Bernardo Silva que, ajeitando-a para o pé esquerdo rematou em arco e a bola foi entrar junto ao poste, ainda com o guardião a desviar, mas pouco, porque entrou na baliza.

Uma jogada (21’) quiçá inesperada, pela rapidez e pelo resultado, como que parecendo que os jogadores portugueses envolvidos não tinham ninguém pela frente, passando do seu meio-campo para o do adversário, porque essa parte do terreno estaria “ensombrada” por um manto de nevoeiro.

Tal foi a “paragem mental” que, sete minutos depois (28’), Portugal chegou aos 2-0, num auto-golo feito pelo turco Akaydin, que em vez de atrasar a bola para o guardião, enviou a bola diretamente para a baliza, apesar do esforço do próprio guarda-redes e de um defesa que tentaram evitar que a bola entrasse.

Na verdade, fosse do “nevoeiro” fosse de uma questão de “desorientação” momentânea, a verdade é que a Turquia “morreu” ali mesmo. Nunca mais teve “chama” para fazer fosse o que fosse para retornar ao jogo em pé de igualdade, ainda que a defesa lusitana tivesse ficado a “dever” a Pepe a salvação em muitos bolas aéreas, dado que só ele chegou a quase todas.

Com uma vantagem de dois golos, Portugal começou a retrair-se, passando mais a bola (total de 567 contra 431 dos turcos), mas o capitão Ronaldo lá estava para fazer o gosto ao pé, se o deixassem. Teve uma grande oportunidade (34’) quando surgiu com a baliza à vista, com boas perspetivas de a “atacar”, mas a bola subiu de mais e perdeu-se.

Logo a seguir (38’), tal como vinha a fazer desde o início do encontro, Rafael Leão fez-se (como o tinha feito frente â Chéquia) à grande penalidade, atirando-se “à peixe” para a relva, com o árbitro a não ir na fita (nem o VAR por certeza) e a mostrar o amarelo, que o afasta do último jogo desta fase de grupos, ficando o aviso, chegando o intervalo pouco depois.

No segundo tempo, por razões óbvias, Leão saiu para dar lugar a Pedro Neto e Ruben Neves ocupou o lugar de Palhinha, que também tinha visto um cartão amarelo.

Mantendo o “stato quo” trilhado nos minutos finais do primeiro tempo, a formação portuguesa manteve o estilo e foi observando o desenrolar dos acontecimentos, sem perder de vista aumentar o resultado, para manter a calma até final.

adeptos portugueses euro 2024 22 junho

Luis Macedo / Jogada do Mês

Em mais uma situação de apatia, quase global, da equipa turca, Ronaldo e Bruno Fernandes ficam como que isolados na grande área, com o capitão luso, que podia ter rematado, preferiu endossar a Bruno Fernandes para este fazer o golo mais à vontade. Passavam 55’ de jogo e a partida estava decidida. O resto era cumprir os 90 minutos (que foram 90+5’) e confirmar o segundo triunfo e o apuramento.

Os turcos ainda fizeram mais duas substituições, mas sem forma de reagir, enquanto Portugal aproveitou para estrear mais dois jogadores neste âmbito, com António Silva a entrar para o lugar de Pepe (que grande desafio fez!) aos 83’, entrando depois (88’) João Neves para o lugar de Vitinha.

Nos últimos minutos, Bernardo e Ronaldo, numa situação de 4×3 (em vantagem numérica), mas que não surtiu o efeito desejado e o jogo terminou, com a vitória lusitana (3-0), perfeitamente justificada e, melhor, porque está a subir de forma na altura própria.

Resta agora a Portugal descansar até ao dia 26 deste mês de junho (20h) para fechar o grupo F, frente à Geórgia, ainda que o jogo Rep. Chéquia-Turquia só se realiza no mesmo dia e horário.

Portugal soma 6 pontos, seguido da Turquia (3).

Para este sábado, estão programados os jogos Suíça-Alemanha e Escócia-Hungria, a fechar o grupo A (a partir das 20 horas).

Roberto Martínez: “Foi uma vitória brutal”

O selecionador nacional, Roberto, Martínez, ficou satisfeito com o segundo triunfo de Portugal na fase final do Europeu, desta vez diante da Turquia.

“Foi um jogo muito importante para dentro e para fora. Foi uma vitória brutal e pode dar uma mensagem diferente. Precisámos de fazer mudanças ao intervalo por causa dos amarelos. É uma satisfação enorme ver que todos estão preparados. A Turquia tem bom jogo interior, com jogadores com pé trocado. Trabalham para tentar jogador de forma interior. Foi importante termos o Palhinha na primeira parte e o Rúben Neves na segunda. Um sistema ajuda as nossas ações defensivas, defendemos bem a Chéquia, hoje defendemos muito bem a Turquia”.

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“Melhoramos e isso é sempre bom. Foi um bom desempenho, mas podemos melhorar”.

«Não existe isso da descompressão no balneário, não há esses valores, são os valores de superação e companheirismo. Acho muito importante ver mais jogadores. Todos os jogadores durante a fase de preparação mostraram que estão preparados e é o momento de dar oportunidades e melhorar a competitividade”.

“Não há revolução nenhuma. Vou rodar jogadores? Sim. Há jogadores que merecem estar no onze. A minha dificuldade é utilizar 23 jogadores, 10 de campo. O treino é importante. Vamos utilizar todos os jogadores. Mas não revolução. Não gosto dessa palavra. Todos os jogadores são parte importante na Seleção. Há dias em que precisam de estar preparados no banco, noutros no relvado. Queremos melhorar sempre, os jogos são diferentes quando marcamos o primeiro golo. É algo que fazemos bem. Contra a Chéquia foi difícil por situações diferentes. É rever o jogo, avaliar e ganhar 3-0 frente a uma equipa com a qualidade da Turquia é bom”.

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