Sábado 25 de Abril de 2026

Índia com risco de doping “extremamente alto” e Bahrein teve “grande melhoria”

O Conselho da Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) deliberou, de acordo com a recente decisão tomada e divulgada, recategorizar a Federação de Atletismo da Índia (AFI) da “Categoria B” para a “Categoria A”, de acordo com a Regra 15 das Normas Antidopagem da World Athletics.

AIU-Integridade-24-04-2026A decisão, tomada recentemente, está relacionada com o risco, de forma consistente e “extremamente alto” de dopagem na Índia, que ficou entre os dois primeiros colocados em número de violações das regras antidoping (ADRVs) no atletismo entre 2022 e 2025.

Em 2022, a Índia registou 48 ADRVs (2º lugar); em 2023, 63 (2º lugar); em 2024, foram registados 71 casos (1º lugar no ranking); e em 2025, a Índia apresentou, até o momento, 30 casos de doping (1º lugar no ranking), ainda que haja um atraso considerável na divulgação dos números finais de casos.

De acordo com as Regras Antidoping da World Athletics, o Conselho da AIU classifica todas as Federações Membro de acordo com o risco de doping que representam para o desporto. As Federações Membro da ‘Categoria A’, que representam o maior risco, estão sujeitas a requisitos mais rigorosos, incluindo requisitos mínimos de testes para os atletas da seleção nacional.

“A situação de dopagem na Índia é de alto risco há muito tempo e, infelizmente, a qualidade do programa nacional simplesmente não é proporcional ao risco de dopagem”, explicou o presidente da AIU, David Howman.

“Embora a AFI tenha defendido reformas antidopagem na Índia, as mudanças não foram suficientes. A AIU vai trabalhar com a AFI para implementar reformas que salvaguardem a integridade do atletismo, assim como fizemos com outras federações-membro da ‘Categoria A’”, acrescentou.

Em contraste com a situação na Índia, Howman anunciou que, após intensos esforços de reforma, a Associação de Atletismo do Bahrein (BAA) será recategorizada da ‘Categoria A’ para a ‘Categoria B’ em 2027, desde que as medidas atualmente em vigor sejam mantidas ao longo de 2026.

Howman salientou que: “A BAA deve ser parabenizada pela grande melhoria na situação antidopagem no Bahrein”.

Entre as conquistas importantes, destaca-se a criação de uma nova Organização Nacional Antidopagem (NADO) independente no Bahrein, que aumentou significativamente o número de testes realizados em nível nacional, realizando testes fora de competição sem aviso prévio e testa rigorosamente atletas do Bahrein que residem noutros países. A própria BAA implementou medidas eficazes para a monitorização do desempenho e a formação dos atletas, a seleção criteriosa de pessoal de apoio aos atletas e medidas para monitorar atletas que atuam no exterior.

“Esses altos padrões precisam apenas ser mantidos em 2026 para que a BAA seja recategorizada para 2027 – o ano do nosso próximo Campeonato Mundial”, referiu também Howman.

Noutros lugares, as federações da ‘Categoria B’, Botsuana, Peru e Cuba, estão sujeitas a obrigações mínimas de testes para atletas que competirem nos seguintes eventos: o Mundial de Estafetas em Gaborone, em maio (atletas de Botsuana); o Campeonato Mundial de Marcha Atlética em Brasília, realizado no início deste mês, em 12 de abril (atletas peruanos); e o Campeonato Mundial de Atletismo em Pequim 2027 (atletas peruanos, de Botsuana e cubanos).

Embora essas federações da ‘Categoria B’ não tenham sido classificadas como de ‘alto risco de dopagem’ até o momento, o Conselho da AIU impôs obrigações mínimas de testes devido aos níveis consistentemente inadequados de testes nas equipes nacionais.

“A imposição de obrigações mínimas de testes para Botsuana no Mundial de Estafetas de 2026 e no Campeonato Mundial de Atletismo de Pequim 2027 decorre de uma resposta inadequada aos repetidos alertas sobre os baixos níveis de testes e de um aumento no desempenho em nível internacional”, explicou Howman.

A equipa peruana já estava sujeita a obrigações mínimas de testes em 2024 para os Jogos Olímpicos de Paris, antes que essas obrigações fossem suspensas em 2025.

 

“No entanto, testemunhamos um retrocesso total por parte do Peru em 2025 – quase retornando aos níveis de testes que foram a base para a imposição das obrigações mínimas de testes para os Jogos Olímpicos de Paris”, revelou o presidente da AIU.

Na preparação para o Campeonato Mundial de Atletismo de Tóquio do ano passado, Cuba registou a maior percentagem de atletas com zero testes fora de competição entre as 40 principais nações, e o número total de testes a nível nacional também diminuiu 50% em comparação com o período que antecedeu os Jogos Olímpicos de Paris.

Os atletas de cada uma dessas equipas devem ter um mínimo de 3 testes fora de competição na preparação para o respetivo evento para serem elegíveis para competir.

A Regra 15 das Regras Antidopagem da World Athletics entrou em vigor em 2019 e estabelece obrigações para as federações nacionais, que podem ser responsabilizadas pelos programas implementados nos respetivos países.

Um requisito fundamental é a existência de um programa antidopagem razoável e proporcional para as equipas nacionais que competem em campeonatos importantes do atletismo. As federações podem ser categorizadas de acordo com o risco de dopagem que representam para o desporto, com diferentes obrigações específicas aplicáveis ​​a cada categoria.

 

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