Portugal perdeu por 3-1 com a Finlândia, em Tampere, mas o resultado não alterou o desfecho do Grupo B3 da UEFA Women’s Nations League, com a formação lusa a assegurar o primeiro lugar da série e consequente subida à Liga A.
A Seleção Feminina de Portugal que terminou a fase de grupos com 15 pontos, 17 golos marcados e quatro sofridos, com a Finlândia a ficar com os mesmos 15 pontos, 15 golos marcados e seis sofridos.
A Equipa das Quinas entrou em campo com iniciativa e protagonizou o primeiro lance de perigo da partida aos dois minutos, quando Jéssica Silva conseguiu ganhar espaço pela esquerda e conquistar um pontapé de canto. Contudo, a partir daí, a Finlândia foi equilibrando as operações e começou a criar dificuldades à construção portuguesa, através de transições ofensivas rápidas.
O primeiro sinal de perigo surgiu aos oito minutos, com Adelina Engman a obrigar Inês Pereira a uma intervenção segura. Três minutos depois, a equipa finlandesa chegou ao golo. Após uma recuperação de bola sobre Kika Nazareth – num lance contestado pelas jogadoras portuguesas, que reclamaram falta -, a bola chegou a Adelina Engman, que cruzou para a área e Lehtola apareceu em boa posição para desviar para o fundo da baliza.
Quando a Finlândia parecia estar mais confortável no jogo, Portugal encontrou em Kika Nazareth o momento de inspiração que mudou o rumo do encontro. Aos 29 minutos, na cobrança de um livre distante e junto à linha lateral, a avançada do Barcelona surpreendeu toda a defesa das nórdicas ao colocar a bola diretamente na baliza. Sem que ninguém conseguisse fazer o desvio, o cruzamento ganhou direção, passou por toda a gente e entrou junto ao canto inferior da baliza de Anna Koivunen, devolvendo a igualdade ao marcador.
Aos 34 minutos, Lotta Lindström obrigou Inês Pereira a nova defesa apertada e, no minuto seguinte, a guarda-redes portuguesa voltou a ser determinante ao vencer Adelina Engman num duelo cara a cara. Na sequência dessa jogada, Emma Koivisto acertou no poste, naquele que foi o momento de maior perigo das anfitriãs após o empate.
A Finlândia reentrou no jogo a todo o gás e voltou a colocar-se em vantagem logo no arranque da segunda parte (47’), com Nea Lehtola a bisar na partida. No primeiro lance de perigo após o intervalo, Eveliina Summanen descobriu espaço entre setores e ‘rasgou’ com um passe a defesa portuguesa, permitindo que Lehtola surgisse novamente em zona de finalização e assinasse o 2-1.
Apesar do golo sofrido, a equipa de Francisco Neto respondeu de imediato e passou a assumir maior iniciativa ofensiva. Catarina Amado, Kika Nazareth e Ana Capeta estiveram em destaque na construção de jogo, conseguindo ligar setores e aproximar-se com perigo da baliza adversária.
A pressão portuguesa aumentou com o passar dos minutos. Aos 60 minutos, Jéssica Silva cruzou para as mãos de Koivunen, e aos 62 surgiu a grande oportunidade: um excelente passe de Andreia Jacinto isolou Ana Capeta, que cruzou para Jéssica Silva rematar à queima-roupa, mas a guarda-redes finlandesa estava atenta.
Apesar da reação e do aumento de pressão, Portugal não conseguiu concretizar e acabou por sofrer o terceiro golo aos 79 minutos, num canto em que Eva Nyström apareceu completamente solta na área para cabecear e fazer o 3-1.
A segunda parte ficou marcada pela eficácia da Finlândia e pela resposta portuguesa com várias ocasiões de perigo, embora sem capacidade de transformar o volume ofensivo em golos.
As finlandesas pressionaram Portugal nos últimos instantes, mas as Navegadoras souberam como suster a pressão e seguraram a liderança do grupo até ao final, garantindo o regresso de Portugal à Liga A da UEFA Women’s Nations League.
Para Francisco Neto, o selecionador, “não foi um Portugal igual àquele que esteve em campo em Vizela, diante desta mesma seleção. Não, nem igual ao que fizemos em Vizela, nem igual àquilo que fizemos nos outros jogos de qualificação. Sem dúvida que o resultado é justo. É verdade que, até em alguns momentos de jogo, acabámos por ter alguma sorte. Independentemente disso, não é pelo que se passou hoje, mas continuo a achar que é uma injustiça na qualificação não haver um VAR. Sinceramente, acho que tem de haver um VAR, se a UEFA quer realmente dar o passo em frente. Já falámos muito disso e não sou só eu: todos os treinadores comentam isto. Acho que o futebol feminino merece. No entanto, não é desculpa, hoje não foi por aí. Fomos inferiores à Finlândia, não conseguimos encontrar-nos, raramente conseguimos ter bola como costumamos ter. E nos duelos, não os conseguimos ganhar, não igualámos o nível de intensidade. Quando assim é, as coisas tornam-se mais difíceis”.
Acrescentou ainda que “agora é fazer o nosso processo: 95% da equipa vai entrar de férias, vão encontrar também quais são os objetivos individuais, com algumas mudanças de clube de algumas jogadoras, por isso novos contextos e nós cá estaremos, em outubro, para as receber e prepararmos o apuramento para o Campeonato do Mundo da melhor forma. Fica acima de tudo um grupo de jogadoras que foi crescendo, que não terminou da forma como gostava, mas isso também faz parte da mentalidade. Apesar de termos subido divisão, apesar de irmos para o sorteio com a melhor classificação, disse às jogadoras que, quando se representa Portugal, não se festejam derrotas. Portanto, hoje é um dia que nós não queremos e não iremos celebrar, apesar de termos cumprido os dois grandes objetivos. Vai servir, acima de tudo, para crescer para o futuro.”



