A exatamente uma semana do início do campeonato mundial de atletismo de Sub-20, que se disputa entre 5 e 9 de agosto em Eugene, Oregon, Estados Unidos da América, a equipa portuguesa prepara-se para levar a maior comitiva de sempre a um Mundial de juniores.
A viagem, que começará em Lisboa, vai realizar-se em duas vagas, com partidas marcadas para amanhã (sexta-feira) e sábado.
Com uma diferença de oito horas em relação a Portugal, a adaptação ao fuso-horário tornou-se uma das prioridades da preparação final dos atletas. Para responder a este desafio, foram alargados os horários de funcionamento do CAR Jamor, permitindo que os jovens atletas realizem os treinos mais tarde e comecem, ainda em Portugal, a ajustar o seu relógio biológico ao horário que vão encontrar em Eugene.
A comitiva portuguesa mais numerosa de sempre em Mundiais de juniores, com 19 atletas, prepara-se para uma viagem de mais de 8.500 km e oito horas de diferença horária.
Francisco Barreto, responsável técnico da seleção, explicou a origem da ideia, referindo que “esta iniciativa, autorizada pela FPA e o IPDJ, surgiu para nos adaptarmos, de forma gradual, ao horário de Oregon, de modo que a preparação para os Mundiais seja a melhor possível.” O responsável técnico sublinha ainda o acompanhamento médico dado à comitiva: “O médico que vai estar com a comitiva, o Dr. Francisco Belo, também se disponibilizou para uma sessão online onde passou conselhos e dicas de preparação para o novo fuso-horário.”
Questionado sobre as expectativas para a prova, Francisco Barreto mantém um discurso equilibrado: “Temos alguns atletas muito bem classificados em top-lists, mas, enquanto responsável técnico do grupo, ficarei sempre satisfeito se os atletas entrarem em pista para darem o seu melhor.”
Também Pedro Leite, um dos treinadores que vai integrar a comitiva, destaca a fase final do processo: “Uma vez que o trabalho está praticamente desenvolvido, só estamos a retocar certos detalhes físicos. O importante, a duas semanas da prova, é, ainda em Portugal, preparar o ritmo biológico dos atletas para um mais parecido com o que vão encontrar em Eugene, para chegarem lá com tudo pronto.”
Cristina Neves, atleta dos 400 metros barreiras, partilha a sua experiência com este tipo de preparação: “É a primeira vez que estou a fazer treinos específicos para mudar de fuso-horário. Não está a ser muito difícil, por enquanto, e está a correr bem fazer as coisas um pouco mais tarde que o habitual. Espero conseguir adaptar-me da melhor forma possível, para que a competição em Oregon seja a muito boa.”
Já Eduardo Carrolo, atleta do salto em altura, para quem esta será a viagem mais longa da carreira, descreve os ajustes na rotina diária: “Nunca viajei para tão longe. Estou a deitar-me e a acordar mais tarde, assim como também tenho atrasado as refeições, tudo em vista aos horários dos Estados Unidos.” O atleta admite que nem todos os ajustes são igualmente fáceis: “A verdade é que sempre fui uma pessoa que gosta de estar acordada durante a noite, e essa parte não me tem custado tanto, mas almoçar às quatro ou cinco da tarde ainda é difícil.”

