A Seleção Nacional, orientada por João José, alcançou ontem um triunfo expressivo (3-0: 25-13, 25-20 e 25-20) sobre a Macedónia do Norte, na Arena de Sófia, no jogo que encerrou a sua participação na Pool B do Campeonato da Europa.
A participação aos oitavos de final continua dependente de terceiros, mais concretamente de uma vitória dos macedónios, por qualquer resultado, frente aos israelitas, em encontro agendado para esta quarta-feira (14h00/RTP Play).
Frente aos macedónios, o capitão Alexandre Ferreira exibiu-se em grande plano e assumiu o protagonismo no ataque, cotando-se como o melhor pontuador da partida ao assinar 17 pontos. Kelton Tavares e Lourenço Martins também tiveram uma contribuição determinante para o desfecho positivo, terminando ambos com 10 pontos.
No cômputo geral das estatísticas, Portugal revelou uma clara superioridade sobre o adversário, registando 51% de eficácia no ataque contra 35% da Macedónia e dominando a rede com 11 blocos vitoriosos contra 7 da formação opositora. Além dos 17 pontos de Alexandre Ferreira e dos 10 de Kelton Tavares e Lourenço Martins, sobressaíram ainda as contribuições de Manuel Figueiredo (9 pontos) e Filip Cveticanin (8 pontos). Na seleção macedónia, Aleksandar Ljaftov e Stojan Iliev foram os elementos mais concretizadores, somando 8 pontos cada.
Alexandre Ferreira, Lourenço Martins e Filip Cveticanin alcançaram um marco histórico ao registarem a quarta presença conjunta no Campeonato da Europa (2019, 2021, 2023 e 2026), um feito que consolida o trio como o núcleo veterano do voleibol nacional.
O percurso iniciado com o regresso de Portugal à fase final do EuroVolley em 2019 estabeleceu uma nova exigência competitiva, transformando a qualificação continental num padrão de continuidade para a seleção.
Com percursos consolidados em grandes ligas europeias, os três atletas assumem o papel de espinha dorsal da equipa. Ferreira aporta a serenidade tática e a capacidade de decisão como capitão; Martins garante a agressividade ofensiva no ataque e no serviço; e Cveticanin assegura o equilíbrio defensivo no bloco. Em conjunto, oferecem a bagagem e a estabilidade necessárias em momentos de alta pressão num torneio exigente.
Esta longevidade lado a lado serve também como ponte geracional numa fase de transição para o voleibol português. Ao transmitirem a sua bagagem tática e a vivência ao mais alto nível aos jovens talentos que se estreiam na competição, os três veteranos atuam simultaneamente como suporte motivacional e como a principal referência de liderança da seleção.
Em balanço após a partida, o selecionador nacional, João José, destacou a boa prestação da equipa ao afirmar que “trabalhámos bem e conseguimos ganhar”, reconhecendo, contudo, a dificuldade do cenário que se segue: “sabemos que é difícil a Macedónia conseguir ganhar a Israel, mas o desporto é mesmo assim, nunca se sabe. Agora é aguardar.”
Apesar do desfecho pendente, o Selecionador valorizou a atitude do grupo em terminar a prova a vencer, frisando que “acabar esta fase de grupos com uma vitória e mostrar que a equipa consegue jogar bem até ao final e ganhar é sempre importante”.
João José não escondeu o “amargo” relativo ao desaire anterior frente a Israel, admitindo que nos momentos decisivos Portugal devia ter decidido “um bocadinho melhor”, mas sublinhou a importância de “aprender com isto e andar para a frente”.
No plano desportivo, o técnico lembrou que o grande objetivo era a passagem à fase seguinte. Paralelamente, enalteceu a evolução do grupo de trabalho e a forma como os jogadores assumiram novas responsabilidades perante percalços como a lesão de Nuno Marques. Segundo João José, o futuro exige continuidade: “É preciso tempo, é preciso trabalho, é preciso meses, anos, para que eles se desenvolvam e consigam encontrar também o seu espaço dentro deste tipo de competições.”
Entre os jogadores portugueses, o sentimento geral é de dever cumprido e de orgulho pela entrega demonstrada.



