Quarta-feira 26 de Fevereiro de 2020

Daniel Mestre bisou mas ainda … não é campeão!

VencedorEtapa6

DR _ Podium

Apesar dos quase 40 graus de temperatura na Serra da Arrábida, verdadeiros fãs do ciclismo apoiaram a corrida e viam o grupo da frente perder unidades. Na descida para Setúbal começou a definir-se a corrida restando na frente Daniel Mestre (Efapel) e o italiano Alessio Taliani (Androni Giocattoli).

A menos de 10km para a chegada, com os fugitivos quase alcançados, Alejandro Marque (LA Alumínios-Antarte) imprimiu um ritmo mais forte à bicicleta e foi ao encontro dos dois da frente. Já em plena Avenida Luísa Todi, em Setúbal, com uma multidão entusiasmada que não via uma chegada da Volta na cidade há 45 anos, aconteceu o sprint de onde saiu vitorioso Daniel Mestre.

Uma vitória mais saborosa pela luta que o italiano deu na última fase da etapa e também pelo “não descola” do espanhol Alejandro Marque, que foi uma sobre até à linha de chegada.

A 400 metros da chegada, o galego atacou mas teve resposta imediata de Mestre que, pouco antes do risco de meta, tirou todas as dúvidas sobre a vitória da penúltima etapa da Volta.

Para o alentejano foi o segundo triunfo depois do êxito inicial, em Braga, na primeira etapa em linha. “É sem dúvida uma enorme volta que estou a fazer. É o realizar de um sonho grande. Consegui andar de amarelo, mas a equipa não resistiu para vencer esta Volta. Para o ano voltaremos mais fortes”, disse, já em jeito de balanço, Daniel Mestre que também conquistou este sábado o Prémio da Combatividade Conselheiros da Visão.

Mestre venceu com o tempo de 4.12.50, seguido de Alejandro Marque (LAA), com o mesmo tempo, enquanto Alessio Taliani (Ansdroni) foi 3º a três segundos. Davide Vigano (Androni) foi 4º, a 5 segundos, o mesmo tempo que Adan Phelan (Drapac), que lideraram o pelotão de 25 unidades.

Dos 117 que iniciaram esta penúltima etapa, apenas dois não chegaram ao fim.

O líder da prova, Rui Vinhas, chegou à cidade sadina cinco segundos depois do vencedor, mas o homem da W52-FC Porto não perdeu tempo para os mais directos adversários.

Para o contra-relógio final, Vinhas leva 2’25’’de vantagem sobre o companheiro de equipa e especialista em cronos, Gustavo Veloso, e 2’53’’ para Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista).

Confrontado com o que pode acontecer este domingo, Vinhas voltou a assumir o favoritismo e a liderança de Veloso. “Tenho de ter respeito pelo líder, sou apenas um outsider. O respeito é muito bonito. O que é certo é que amanhã vou dar o meu melhor.”

Antes de chegar a Setúbal, a Volta regressou, quase meio século depois, às estradas do Alentejo. As gentes de Alcácer do Sal receberam em festa um pelotão de 117 resistentes que tinham pela frente 176,1km até à Cidade Europeia do Desporto 2016. Após mais um início de etapa muito rápido, deu-se a fuga de 16 corredores que passaram isolados em Montemor-o-Novo e em Vendas Novas.

Na geral individual (camisola amarela), Rui Vinhas (W52/F.C.Porto) continua a comandar com 40.16.16, à frente do seu colega de equipa Gustavo Veloso, a 2’25” e de Daniel Silva (Rádio Popular/Bavista), a 2’53”, seguindo-se Joni Brandão (Efapel), a 3.11 e Raul Alarcon (W52/F.C.Porto) a 3.37.

Nas equipas, a W52/F.C.Porto é a virtual campeã, somando 79.56.51, à frente da Rádio Popular/Boavista (a 11.45) e da Efapel (a 28.43). Seguem-se a Anatroni Giocattoli (a 32.43) e a LA/Aluminios (a 34.28).

Nos pontos (camisola verde), Gustavo Veloso continua na dianteira (99) e pode considerar-se um vencedor virtual se nada de anormal não acontecer no contra-relógio), à frente de Daniel Mestre (89), Francesco Gravazzi e Vicente Rubio (70) e José Gonçalves (62).

Na Montanha (camisola azul), Ramiro Diaz /FSC) já é o vencedor (acabaram as montanhas), com 70 pontos, seguido de Joni Brandão (57) e Bruno Silva (55).

No Kombinado Gustavo Veloso também lidera (9 pontos), bem longe de Joni Brandão (17) e Daniel Silva (19).

Na Juventude (camisola branca), liderança para Alexandr Vdovin (LOK), seguido de Diego Ochoa (BOY) e Vitor Etxebarria (Rádio Popular/Boavista).

Este domingo, dia da consagração, ainda pode haver surpresas (e por certo irá tê-las), em especial porque se trata de uma etapa realizada no sistema de contra-relógio, onde tudo pode acontecer.

De Vila Franca de Xira a Lisboa ao ritmo do contra-relógio individual de 32 km, a grande festa do final da 78ª Volta a Portugal Santander Totta está marcada para a capital portuguesa, uma vez que vai definir e confirmar o vencedor da Volta.

O primeiro homem a fazer-se à estrada será o último da classificação cabendo ao espanhol Pablo Urtasun (Funvic/Soul Cycles) abrir a etapa às 14h41. De minuto a minuto haverá corredores a partirem de Vila Franca de Xira. As saídas passam a ser de dois em dois minutos apenas para os últimos dez.

Rui Vinhas, o 115º homem em prova e que enverga o sonho de uma vida, a camisola amarela, será o último a partir às 16h45.

Os sobreviventes da Volta, uma das mais difíceis dos últimos anos, vão terminar a competição na Praça do Comércio, uma das mais majestosas praças portuguesas e do mundo.

Imediatamente antes de terminarem o crono, os corredores passam, antes de cortar a meta, no triunfal Arco da Rua Augusta. Com a chegada a Lisboa estarão concluídos os 1608,7Km da 78ª Volta a Portugal Santander Totta.

 

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