Quarta-feira 29 de Janeiro de 2020

Carlos Lopes aos 70 anos – Um museu olímpico no renovado pavilhão

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DR / COP

Perante uma plateia composta por muitos dos atletas e dirigentes que o acompanharam ao longo de uma carreira ao mais alto nível, para além de figuras da Nação, como primeiro-ministro António Costa, Carlos Lopes sentiu-se mais pequeno mas orgulhoso pela obra – que tem o seu nome – que a Câmara Municipal levou a cabo para recuperar o velhinho Pavilhão nascido em 1921.

A nova sala polivalente, com 2.000 metros quadrados, suportou uma “avalanche” de multidão interessada em rever o primeiro campeão olímpico que Portugal deu ao mundo em 1984, depois da prata conquistada em 1976, no começo de uma carreira longa e fulgurante, fulminante também nalgumas vezes, sendo uma das personalidades mais significativas da nossa sociedade, porquanto obter o que Lopes obteve, feitos assentes apenas no seu querer de vencer, sem ajudas para correr contra ele próprio e defronte dos outros, sem dúvida que é o maior ícone no desporto nacional.

Aparte o futebol, pela máquina “infernal” de dinheiro que produz – o que só teve resposta favorável o ano passado com a conquista do Campeonato da Europa de Futebol (um desporto colectivo, em que uns jogam para os outros e vice-versa), Carlos Lopes teve que calcorrear milhares de quilómetros para chegar à prata e ao ouro olímpicos.

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Inacreditável e impensável para muitos e durante muito tempo.

Lopes foi o exemplo de que Portugal também é grande no desporto.

Abriu, com o seu exemplo, o caminho para muitos mais se guindarem ao mais alto pedestal olímpico, como se verificou posteriormente com Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson Évora: os únicos campeões olímpicos que Portugal dispõe no seu “carnet” de apresentação.

Por isso, esta homenagem prestada pela Câmara Municipal de Lisboa – através de um serviço prestado pela Associação de Turismo de Lisboa, que investiu oito milhões de euros para a recuperação da infra-estrutura – veio no tempo certo para Carlos Lopes, que completou 70 anos e também para a cidade, que passa a ter mais uma sala de visitas, mais a mais agora que a capital portuguesa continua na moda e a somar milhões sobre milhões de receita com o aumento da entrada de turistas. O que é excelente.

Mais do que as palavras, assertivas, de Fernando Medina e António Costa – e

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da chave do pavilhão que foi entregue a Carlos Lopes , porque “já tem idade para a poder ter”, como salientou António Costa – ficam as imagens (as cinco principais medalhas conquistadas, os equipamentos olímpicos e do Sporting usados, a plêiade de outras medalhas, o troféu enorme conquistado na São Silvestre de São Paulo, Moniz Pereira e Carlos Lopes, a chave da cidade), porque essas é que recordam a carreira deste campeão de excelência.

“Valeu a pena”, como se diz no fado criado por Moniz Pereira – também recordado e aplaudido quando nele se falou, pelo trabalho desenvolvido com Carlos Lopes e outros atletas de gabarito mundial – todo o esforço feito pelo grupo de fundistas (e não só) que o Senhor Atletismo comandou.

Para além da referida sala de 2.000 metros quadrados, existem ainda mais quatro espaços apropriados a outros eventos, de menor dimensão, como são dois foyers com 280 m2 e um salão nobre com 180 m2, para além de outras salas de apoio.

Nascido em Lisboa, o Pavilhão começou por ser o Pavilhão de Portugal na exposição Internacional do Rio de Janeiro (1922), sendo construído por vigas de ferro, o que facilitou a sua ida (de barco) para o Brasil, sendo desmontado, regressado a Lisboa e montado no espaço que actualmente ocupa, por altura da construção do Parque Eduardo VII.

Foi reinaugurado por altura da Exposição Industrial Portuguesa (1932), tendo sido posteriormente adaptado para ser o palco do mundial de hóquei em patins (1947), onde Portugal conquistou o seu primeiro título de campeão. História sobre história, que muito poucos falam e que se vai perdendo ao longo dos tempos.

E são esses tempos que devemos ter presente, porventura para recordarmos que, ainda que pequeno (Portugal) em tamanho temos gente com muita alma e coração, capazes de voltar a descobrir o mundo que começámos a construir há 500 anos.

Não podemos – e muito menos devemos – deixar de recordar os nossos extraordinários antepassados.

Setenta anos, nem sempre vividos a correr, que marcam a história de Portugal.

Parabéns Carlos Lopes. A cidade de Lisboa e Portugal não te podem esquecer!

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