Terça-feira 24 de Novembro de 2020

Ivo Oliveira conquistou o ouro que lhe faltava no europeu de ciclismo em pista

Ivo Oliveira sagrou-se, este sábado, campeão da Europa de ciclismo em pista, ao vencer na disciplina de perseguição individual, em Plovdiv (Bulgária).

Bettini Photo / CEP

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Na disciplina que já lhe dera três medalhas de prata na categoria de elite – duas em europeus e uma em mundiais – o corredor português subiu ao lugar mais alto do pódio.

O ciclista luso foi o mais consistente no conjunto da qualificação e da final. No contra-relógio matutino de 4 quilómetros, que determinava os corredores que passavam à final, Ivo Oliveira estabeleceu a nova melhor marca nacional, 4’07”528, retirando 3,301 segundos ao anterior máximo português, que lhe pertencia desde 28 de Fevereiro.

Apesar da marca histórica, Ivo Oliveira foi batido na qualificação pelos 4’06”890 do italiano Jonathan Milan. Ficaram, assim, encontrados os dois finalistas. .

No frente a frente decisivo, Ivo Oliveira foi o melhor, conseguindo manter uma constância de tempos ao longo dos 4 quilómetros que o italiano não logrou acompanhar. Jonathan Milan fez os primeiros dois mil metros mais rápido do que o português, mas a capacidade de Ivo Oliveira rodar praticamente à mesma velocidade durante toda a prova fez com que a medalha de ouro fosse conquistada pelo gaiense.

Na final, o registo foi ligeiramente mais lento do que na qualificação, sinal de que a capacidade de recuperação e o equilíbrio entre as duas mangas foi o segredo do sucesso. Ivo Oliveira completou a final em 4’08”116, menos 656 milésimos do que o adversário. O russo Lev Gonov conquistou a medalha de bronze. Iuri Leitão participou também nesta corrida, sendo o décimo classificado, com 4’21”852.

No final da competição, Ivo Oliveira referiu ao site da Federação Portuguesa de Ciclismo que “vim da Vuelta para tentar ganhar o título. Sabia que chegava com algum desgaste, mas também com ritmo. Foi importante descansar bem durante esta semana. A qualificação foi uma autêntica final, pois foi preciso dar tudo para passar à discussão das medalhas”.

O novo campeão europeu realçou ainda que “estava farto de segundos lugares. Quando passei à final meti na cabeça que tinha de ser hoje o dia de ganhar a medalha de ouro. Sabia que tinha de gerir bem o esforço e foi o que fiz. Ia olhando pelo canto do olho para controlar o adversário. Também estava a sentir-me bem e a conseguir manter o andamento. Quando ouvi gritar que o italiano estava a quebrar, senti que podia ser o meu dia”.

Para o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, “Foi um dia em que tudo saiu bem ao Ivo, melhorando a marca pessoal e vencendo a final. O Ivo Oliveira fez uma excelente gestão da corrida, adaptando-se às características do adversário e guardando energias para a parte final. Estou extremamente satisfeito com este desempenho que quebrou o enguiço dos segundos lugares”.

Maria Martins esteve perto de conseguir o segundo pódio pessoal neste Campeonato da Europa, mas ficou-se pelo quarto lugar na corrida por pontos, uma prova em que se mostrou muito activa ao longo dos 20 quilómetros (100 voltas).

Um ataque a 35 voltas do fim rendeu a Maria Martins a vitória num dos sprints pontuáveis e a dobragem ao pelotão, consumada, já na companhia de mais três ciclistas, a 25 voltas de terminar a prova. Esta iniciativa valeu à portuguesa os 25 pontos com que terminaria a corrida, no quarto lugar, a dez pontos da medalha de bronze, conquistada pela polaca Karolina Karasiewicz. A britânica Katie Archibald venceu, com 57 pontos, secundada pela italiana Silvia Zanardi, com 39.

Para o seleccionador português, “a Maria talvez tenha sido demasiado voluntariosa em alguns momentos do início da prova, mas depois direccionou bem a corrida para os nossos interesses. A vitória num sprint e a volta de avanço colocaram-na na discussão das medalhas. Na fase final, algum cansaço impediu a Maria de chegar ao pódio. Devo dizer que é um cansaço natural, porque a corredora fez todas as provas de resistência, e não apaga tudo de bom que aqui conseguiu fazer”.

Rui Oliveira, que não competia em pista desde o início do ano, não teve as melhores sensações na corrida por pontos masculina, acabando por abandonar antes do final das 160 voltas. O espanhol Sebastián Mora sagrou-se campeão europeu, seguido pelo italiano Matteo Donega e pelo romeno Daniel Crista.

 

A participação da Equipa Portugal neste Europeu, marcada já pela conquista de cinco medalhas, termina no domingo.

A selecção vai participar na disciplina de madison, devendo ser composta pelos gémeos Oliveira. As más sensações de Rui Oliveira farão o seleccionador avaliar, em conjunto com o corredor, a participação na corrida de domingo, marcada para as 13h45.

 

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