
Foram muitos sócios e simpatizantes do Belenenses que hoje que acorreram ao Complexo de Piscinas do CF Belenenses, para dar o seu ultimo mergulho na piscina olímpica, que hoje encerra, por decisão da direcção do clube do Restelo.
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in Jornal “A Bola”, 1974 …
“Um sonho … hoje nado eu !” ( 1974 )
em Textos
Hoje nado eu … mas em seco. Não que não saiba nadar. Até poderia fazer o auto-elogio dos meus dotes natatório, pois não seria o primeiro. No entanto, apenas direi que aprendi a dar as primeiras braçadas ( quando ainda era um rechonchudo menino de 7 anos ) no já naquela altura insuficiente tanque do Jardim do Ultramar – no tal que serviu de mostruário de crocodilos quando da exposição do Mundo Português. E como de lá tiraram os bichinhos, nele consegui iniciar-me na natação e, até cheguei a ganhar inchadamente, as minhas medalhas.
Pois não fui o único indígena belenense que aprendeu a nadar nesse tal tanque dos
crocodilos que hoje é domicílio de dezenas de peixinhos assustados que se escondem debaixo da ponte a cada mergulho humano. Não senhor. Nessa fingida piscina, aprendem a nadar, todos os anos, várias dezenas de miúdos porque ali têm as suas escolas e ainda se treina o Clube de Futebol «Os Belenenses», que, até na própria natação, possui os seus pergaminhos, pois costumava, pelo menos no meu tempo, ser o grupo que mais se aproximava do Algés e Dafundo, o monopolista dos bons nadadores.

Só lhes digo que tinha a sua graça ver a força de vontade de atletas e treinadores que, afincadamente, se batiam por se manter à frente de alguns donos de piscinas a sério.
Porém, os «carolas» acabaram ou, pelo menos, passaram a um número reduzido e certo é que a natação em Belém não mais conquistou lugar de projecção.
Há cerca de dois anos, no entanto, renasceu a esperança. E os jornais deram a notícia, com toque de sensação :«Uma piscina municipal no Restelo». Lá se foi construindo a piscina nos próprios terrenos do estádio precisamente no local do velho ringue de patinagem. Aconteceu, então, que, já em fase adiantada da obra, os trabalhos cessaram e deles apenas ficou um enorme buraco, que só tem água por altura das grandes chuvadas … que, mesmo assim, não chegaria para tapar os tornozelos dos mais pequeninos. E, francamente, aprender a nadar em seco é capaz de não dar muito resultado.
Já agora, quero acrescentar que a construção da piscina não só poderia beneficiar o clube, mas também muita gente da zona ocidental de Lisboa.
Ora, numa altura que as pessoas são comandadas por «slogans», parece-me oportuno evocar dois deles, todavia, com certas emendas : «Há mar e mar, há ir e voltar … mas voltarão ? Isso já não está na nossa mão. Que se façam as piscinas porque todos lucrarão.»
Fotografias: JCSERV PortugaL PhotO NewS / JCMyro

