A primeira campeã olímpica portuguesa vai ser homenageada no dia 19 do corrente mês, na presença dos Presidentes da República de Portugal e de Timor-Leste.
A primeira campeã olímpica portuguesa será a 106ª personalidade distinguida com o Doutoramento Honoris Causa da U. Porto, em mais de 100 anos de história.
É uma das maiores figuras da história do desporto português e vai juntar mais um “título” à sua notável carreira: o Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto.
Aos 67 anos, a primeira campeã olímpica portuguesa prepara-se para se juntar ao restrito grupo de personalidades distinguidas com o mais elevado título honorífico atribuído pela Universidade.
A concessão do título de Doutora Honoris Causa a Rosa Mota acontece por proposta da Faculdade de Desporto (FADEUP) e é justificada pelo “notabilíssimo percurso de vida” da atleta portuense.
A decorrer a partir das 11h00, no Pavilhão Polivalente da FADEUP, a cerimónia contará com a participação do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, na qualidade de padrinho da homenageada. O Elogio ficará a cargo de Zélia Matos, professora aposentada da FADEUP.
A sessão terá entrada reservada a convidados e terá transmissão em direto, no canal da U. Porto no Youtube.
Com a atribuição do Doutoramento Honoris Causa a Rosa Mota, a U. Porto cumpre um desígnio que começou a ganhar forma em 2018, com a assinatura do despacho de concessão do título, pelo então Reitor Sebastião Feyo de Azevedo.
Para além de ser “detentora de uma extraordinária carreira desportiva, com um desempenho inigualável que a tornou uma lenda do Desporto”, Rosa Mota destaca-se também “como símbolo regional, nacional e mundial de excelência, sublimidade, integridade, virtude, humildade, ética e respeitabilidade”. Predicados que a tornam “uma embaixadora mundial dos valores do Desporto (…), mas também de Portugal em geral, e das gentes do Norte em particular”, lê-se na proposta de atribuição do doutoramento, subscrita por António Manuel Fonseca, João Paulo Vilas-Boas e Jorge Mota, todos eles professores catedráticos da FADEUP.
Na fundamentação da proposta é ainda destacada “a continuada conduta cívica exemplar” de Rosa Mota, para além da sua “disponibilidade e apoio às iniciativas da U. Porto no domínio desportivo e social”, nomeadamente como membro do Conselho de Representantes da FADEUP desde 2014.
Rosa Mota declarou-se “profundamente agradecida à FADEUP e à Universidade do Porto pela confiança” em si depositada com esta distinção. “Sinto-me honrada por ver reconhecido tudo o que fiz pelo nosso país… e o que continuo a fazer!”.
Nascida no Porto a 29 de junho de 1958, Rosa Mota foi a primeira mulher portuguesa a conquistar uma medalha de ouro olímpica. Um feito alcançado a 23 de setembro de 1988, quando venceu a prova da maratona nos Jogos Olímpicos de Seul, quatro anos depois de ter conquistado a medalha de bronze nas Olimpíadas de Los Angeles.
As suas conquistas não se resumem, contudo, às medalhas olímpicas. Considerada uma das melhores maratonistas de sempre, venceu 14 das 21 maratonas que disputou, incluindo a primeira prova oficial de maratona feminina, realizada nos Europeus de Atletismo de 1982, em Atenas. Seguiram-se vários títulos mundiais (1987) e europeus (1986 e 1990), além de triunfos em grandes maratonas como Boston, Chicago, Tóquio e Londres. A sua marca pessoal de 2 horas, 23 minutos e 29 segundos, estabelecida em Chicago em 1985, continua a ser recorde nacional.
Rosa Mota é, até hoje, a única mulher a ter ostentado em simultâneo os títulos de campeã europeia, mundial e olímpica da maratona.
Após a aposentação das grandes competições, Rosa Mota manteve-se ligada ao atletismo e ao movimento desportivo. Em 2004, foi escolhida para transportar a chama olímpica pelas ruas de Atenas antes da cerimónia oficial de abertura dos Jogos da XXVIII Olimpíada, uma honra que viria a repetir em 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro.
Rosa Mota é também embaixadora mundial dos valores do Desporto, tendo-se notabilizado pela intensa intervenção cívica e pelas causas sociais que adotou: promoveu, por exemplo, a maior corrida feminina em Portugal, na qual participaram cerca de dez mil atletas, com o objetivo de arrecadar fundos para combater o cancro da mama.
Entre as inúmeras homenagens e distinções nacionais e internacionais de que foi alvo, incluem-se a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1987), a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1988), o Prémio Abebe Bikila (1998) e a Ordem Olímpica de Prata (2000), concedida pelo Comité Olímpico Internacional (COI).

