Terça-feira 27 de Outubro de 2020

Apoteose com queda e triunfo de italiano em Lisboa

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© 2015 JCMYRO / JCSERV

Com espanhol Gustavo Veloso a repetir 2014, perante uma plateia com milhares de espectadores – a que se somam outros milhares mais largos via tv – o italiano Matteo Maluccelli venceu a última e a etapa, este domingo

da consagração da 77ª Volta a Portugal Liberty Seguros mercê de um vigoroso sprint final em que bateu o seu compatriota Davide Vigano por pouco mais de uma roda.

Nada que tivesse influência para evitar o triunfo final (segundo consecutivo) do espanhol Gustavo Veloso – ao serviço da formação portuguesa W52 – Quinta da Lixa – que passeou a sua classe (e a camisola amarela) desde a segunda etapa.

Depois do “passeio” inicial durante cerca de 50 km, um quarteto constituído por Ricardo Vilela, Heiner Parra, Stef Van Zummeren e Georg Loef deu uma “sapatada” e isolou-se, chegando à Avenida da Liberdade com uma vantagem apreciável, mas que apenas durou até à entrada para as duas últimas voltas ao percurso citadino, quando acabou a “festa”, isto é foram apanhados pelo pelotão, puxado pelos homens da W52.

O facto menos positivo desta última etapa deu-se no decorrer da terceira das seis voltas, quando se registou uma queda no meio do pelotão – ao que parece devido a um buraco junto a uma tampa de esgoto na zona da entrada para a estação da CP antes de se entrar no Rossio, que levou ao abandono do belga Joeri Calleeuw, com suspeita de fractura num braço, pese embora também tivessem sido afectados mais três ciclistas que, entretanto, seguiram viagem logo após se recomporem minimamente.

No final, o espanhol salientou que “é preciso sacrificar muitas coisas na vida. Sacrificamos o tempo com a mulher e com os filhos em prol de estágios, para estarmos na melhor forma. Se a Volta não fosse tão importante como é para mim, não sacrificaria todas essas coisas.”

Com 35 anos, nascido em Villagarcia de Arosa, na Galiza, Veloso referiu ainda que “muitos de nós aprendemos a ser ciclistas em Portugal, é aqui que temos essa oportunidade. O que somos hoje deve-se a Portugal” – o que é um excelente comentário para o nosso país, tendo concluído que “para isto acontecer, é preciso amar Portugal”.

Na etapa, despois de Malucelli (3.33.27), da Idea 2010 ASD, chegaram o também italiano Viagano (mesma equipa), o espanhol Eduard Prades, (Caja Rural), e os portugueses Manuel Cardoso (Team Tavira) e Pedro Paulinho (LA-Antarte), todos com o mesmo tempo do vencedor.

Para além de ser coroado Rei da Volta 2015, perante um mar de gente que inundou a Praça Marquês de Pombal, Veloso (W52-Quinta da Lixa) terminou a competição no topo da classificação dos Pontos (camisola vermelha Banco BIC), por ser o mais regular em prova, e que valeu também o Prémio Kombinado KIA, fruto do somatório das diferentes classificações.

Nos festejos tiveram ainda destaque Bruno Silva (LA Alumínios-Antarte), vencedor do Prémio da Montanha (camisola azul Fundação do Desporto) e o jovem russo Aleksey Rybalkin (Lokosphinkx) que venceu a classificação da Juventude (camisola branca RTP). A equipa líder ao longo de toda a competição, a W52-Quinta da Lixa, foi a melhor.

As classificações finais desta 77.ª Volta a Portugal, após a última etapa (Vila Franca de Xira a Lisboa, na distância de 135,2 quilómetros):

Na classificação geral, Gustavo Veloso, Esp (W52-Quinta da Lixa), somou 40.00.39, à frente de Joni Brandão, Por (Efapel), a 2.12; Alejandro Marque, Esp (Efapel), a 2.19; Delio Fernández, Esp (W52-Quinta da Lixa), a 2.57; Rui Sousa, Por (Rádio Popular-Boavista), a 2.58; António Carvalho, Por (W52-Quinta da Lixa), a 3.20; Sérgio Sousa, Por (LA-Antarte), a 3.45; Hernâni Broco, Por (LA-Antarte), a 4.33; Amaro Antunes, Por (LA-Antarte), a 5.27 e Marcos Garcia, Esp (Louletano-Ray Just Energy), a 06.13.

Por equipas triunfou a W52-Quinta da Lixa, 120.07.56 horas, seguida da Rádio Popular-Boavista, a 6.29; LA-Antarte, a 7.36.

Por pontos, o espanhol Gustavo Veloso, (W52-Quinta da Lixa) foi o mais pontuado (138), à frente do seu compatriota Delio Fernández (W52-Quinta da Lixa), 103 e David Vigano, Ita (Idea 2010 ASD), 93.

Na montanha, o português Bruno Silva (LA-Antarte), somou 77, não deu “abébias”, batendo os espanhóis Delio Fernández, 50 e Gustavo Veloso, (ambos da W52-Quinta da Lixa), 44.

Na juventude, o russo Aleksey Rybalkin (Lokosphinx) foi considerado o melhor, à frente do ucraniano Anatoliy Budyak (ISD Continental Team) e do também russo Evgeny Shalunov (Lokosphinx).

Depois destas 77 voltas, o espanhol David Blanco, com cinco triunfos (2005, 08, 09, 10, 12), continua a ser o mais vitorioso, à frente de Marco Chagas, com 4 (1982, 83, 85, 86); Alves Barbosa (1951, 56, 58) e Joaquim Agostinho (1970, 71, 72), com 3.

Com duas estão nomes como Alfredo Trindade (1932/1933), José Maria Nicolau (1931/1934), Ribeiro da Silva (1955/1957) e Joaquim Gomes (1989/1993), além do agora Gustavo Veloso.

Fechado o pano sobre a 77ª, a 78ª já está no papel e com uma primeira novidade: a última etapa manter-se-á entre Vila Franca de Xira e Lisboa mas em contra-relógio.

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