Depois de ter vencido o prólogo, o corredor da UAE Team Emirates XRG voltou a mostrar que tem bons pergaminhos no esforço individual e foi o mais rápido no contrarrelógio desta segunda-feira, que ligou Anadia a Águeda.
O percurso de 17 quilómetros e 400 metros iniciou-se no Velódromo Nacional de Sangalhos, um local especial para o ciclismo nacional, num dia especial: cumpriram-se dois anos que Rui Oliveira e Iúri Leitão conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, na prova de madison.
A propósito, Iúri fez uma visita especial ao amigo Rui: os dois estiveram juntos antes da etapa e o primeiro acompanhou o contrarrelógio do, até domingo, camisola amarela, no carro do presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, e com mais dois convidados ilustres: Gabriel Mendes, selecionador nacional de pista, e Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal.
“É um dia em que lembramos aquele feito absolutamente fantástico do Iúri Leitão e do Rui Oliveira e quis, de alguma maneira, fazer um tributo ao talvez maior feito do ciclismo português”, afirmou Montenegro, a repetir a presença na Volta de 2026, depois de já ter marcado presença no prólogo de abertura, em Lisboa.
Foi do velódromo que os 113 corredores ainda em prova partiram rumo a Águeda, com final técnico e em subida na Avenida 25 de Abril. A liderança foi mudando de mãos durante alguns minutos, mas assim que Julius Johansen saiu para a estrada, às 15h46, percebendo-se que era o dinamarquês que ia ficar na liderança até ao final da tarde.
“Sinto-me espetacular, estou muito feliz. Ganhar o contrarrelógio era um dos meus objetivos para esta Volta a Portugal. Queria ganhar depois do prólogo e hoje provei que também consigo vencer quando o esforço é mais longo. Foi uma belíssima vitória”, referiu o UAE Team Emirates XRG, após o segundo triunfo da semana.
Johansen terminou o esforço individual em 21 minutos e 13 segundos – velocidade média superior a 49 km/h -, um marco do qual ninguém ousou aproximar-se. Tiago Antunes, um dos homens a quem o dia mais sorriu devido às pretensões na Geral, foi quem esteve mais perto, mas ainda assim gastou mais 30 segundos para cruzar a meta.
Axel Van der Tuuk (Euskaltel-Euskadi) fechou o pódio, logo à frente de Artem Nych: duplo vencedor da Volta, o corredor da Anicolor/Campicarn continua a ser o segundo classificado da geral, apesar de ter conseguido reduzir a diferença para o líder e colega de equipa Alexis Guérin.
O ciclista francês foi oitavo no dia, a 53 segundos do melhor tempo. Para Nych, perdeu 14 segundos e conseguiu defender a Amarela: continua a ter uma confortável vantagem de um minuto e 12 segundos na liderança.
“A Volta nunca é fácil, com a Amarela ou não. Uma corrida é sempre dura, todos querem ganhar. Vou descansar bem agora, aproveitar o tempo com a minha família. Não tenho medo, temos uma equipa muito forte, um grande coletivo e todos sabem que o objetivo é ganhar a Volta, comigo ou com Nych”, garantiu.
O mais direto perseguidor da Anicolor/Campicarn é agora Tiago Antunes, depois de um salto de cinco lugares na geral por parte do corredor da Efapel Cycling, o português mais bem classificado do dia.
A tarde serviu sobretudo para mexer na classificação geral. Nas restantes classificações, Daniel Cavia (Burgos-Burpellet-BH) continua na liderança dos Pontos e mantém a Camisola Laranja Galp, Oscar Rota (Feira dos Sofás-Boavista) segue de Camisola Azul Continente na Montanha e Adrià Pericas (UAE Team Emirates XRG) conservou a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, reservada ao melhor jovem da corrida.
Concluída a primeira metade da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, o pelotão vai agora para o dia de descanso. A sexta etapa é na quarta-feira, uma ligação de 132,6 quilómetros entre Santa Maria da Feira e o Peso da Régua.



