As equipas dos países vizinhos – EUA e Canadá – enfrentam-se no jogo valendo a medalha de ouro pela quarta vez na história neste domingo. Finlândia e Eslováquia lutam pelo bronze.
O caminho teve alguns percalços, mas Estados Unidos e Canadá confirmaram um aguardado duelo pela medalha de ouro do hóquei no gelo masculino nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. As equipes da América do Norte passaram pelas semifinais nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, em Milão.
Os EUA derrotaram a Eslováquia por 6 a 2, após o Canadá ter virado contra a Finlândia por 3-2. A final definirá a última medalha de ouro dos Jogos, no domingo.
O jogo do bronze, entre Finlândia e Eslováquia, acontece neste sábado (16h40). Os dois países estiveram no pódio em Beijing 2022: os finlandeses com o ouro e os eslovacos com o bronze.
Será a quarta vez que a final olímpica masculina terá os países vizinhos lutando pela medalha de ouro, após Antuérpia 1920 (quando o desporto fazia parte dos Jogos de Verão), Salt Lake City 2002 e Vancouver 2010, todas vencidas pelos canadenses.
Noutras quatro oportunidades, uma das equipas foi ouro e o outro prata, mas a fase final era decidida por pontos, sem “mata-mata”.
Os EUA já foram ouro em Squaw Valley 1960 e em Lake Placid 1980, no famoso “Milagre no Gelo”, derrotando a então dominante União Soviética. Já o Canadá tentar ser o primeiro time a chegar a 10 ouros Olímpicos.
Os dois países enfrentaram-se em 19 partidas na história dos Jogos Olímpicos, com 12 vitórias canadenses, três empates e quatro triunfos dos EUA.
O torneio feminino – em que as seleções da América do Norte são bem mais dominantes – de Milano Cortina 2026 também teve EUA e Canadá na final, com vitória das estadunidenses por 2-1.
Após um susto nas quartas de final contra a Suécia, os EUA golearam a Eslováquia, “vingando” a derrota que sofreram nas quartas de Beijing 2022.
“Acho que fomos melhorando com o passar do torneio”, disse Zach Werenski. “Nós tínhamos jogado muito bem contra a Suécia, e hoje melhoramos ainda mais. Domingo será difícil, mas gosto de como está o nosso jogo agora.”
“Pensamos em um jogo de cada vez, mas é o que as pessoas queriam [EUA x Canadá]. Vamos dar o nosso melhor para tentar dar o ouro aos EUA”, acrescentou o defensor.
Auston Matthews ressaltou a humildade de uma equipe repleta de estrelas da NHL. “Não importa qual é o seu papel, você está lá para fazer seu trabalho e dar o seu melhor, não importa quem faz gol, quem faz a jogada. É sobre a equipe, e essa é a melhor parte desta equipe”, declarou.
No Curling, Suécia e Suíça vão disputar o ouro após vencerem, nas meias finais, o Canadá e Estados Unidos, respetivamente, no Cortina Curling Olympic Stadium.
A grande final acontecerá no domingo. Canadenses e americanas vão jogar pelo bronze este sábado (21).
Duas décadas depois, suecas e suíças farão reedição da decisão feminina de Turim 2006. Será a sexta medalha consecutiva da Suécia no torneio desde então, a última vez em que a Suíça foi ao pódio.
Nas medalhas, a Noruega atingiu 17 de ouro e bateu o recorde dos Jogos Olímpicos de Inverno.
Comité Olímpico de Portugal com balanço positivo sobre presença portuguesa
Terminado o calendário competitivo para os atletas portugueses, e ainda antes que a Chama Olímpica se apague no próximo domingo em Verona, o Chefe de Missão da Equipa Portugal nos Jogos Olímpicos de inverno Milão Cortina 2026, Pedro Flávio, realizou o balanço da presença portuguesa em Itália.
Com três atletas, dois em Esqui Alpino e um em Esqui de Fundo, Pedro Flávio considerou a “participação digna, competitiva e historicamente relevante”. Vejamos porquê.
No Super G masculino, Emeric Guerillot “confirmou as expectativas” ao “igualar o melhor registo português no Esqui Alpino”, com o 32.º posto. Vanina Guerillot tornou-se a primeira atleta feminina portuguesa a competir em duas edições dos Jogos Olímpicos, “alcançando o melhor resultado feminino português de sempre em Slalom Gigante” (41.º lugar).
E o José Cabeça abriu caminho com a “primeira participação na prova de sprint” de Esqui de Fundo. Em jeito de resumo às expectativas desportivas, o Chefe de Missão relembra que “o foco estava na superação pessoal, na melhoria de resultados e afirmação internacional”, objetivos que considera terem sido atingidos, classificando a 10.ª presença portuguesa nos Jogos Olímpicos de inverno como um momento que “confirmou a consolidação de Portugal nos desportos de inverno e demonstrou a evolução e crescimento das nossas modalidades”.
Para além dos resultados desportivos, as instalações e logística são também um ponto essencial para o sucesso da
Missão. Nesta edição a dispersão geográfica dos recintos competitivos era um dos pontos mais sensíveis. No entanto a “organização revelou-se eficiente” e o balanço nesta área é também positivo. “Alojamentos funcionais, boas condições alimentares, transportes coordenados e estruturas técnicas adequadas permitiram que a Equipa Portugal pudesse trabalhar da melhor forma”, resume o Chefe de Missão.
Ao todo Pedro Flávio percorreu mais de 2000km em estradas de montanha de forma a acompanhar ao máximo os atletas portugueses, o que exigiu planeamento e capacidade diária de adaptação. A nível pessoal considerou a “experiência intensa”, fruto da necessidade constante de gestão de horários, deslocação e articulação de equipas.
O Chefe de Missão destacou o momento em que viu Emeric Guerillot a competir no Super G: “Depois da última participação nacional em Lillehammer 1994 foi muito bom ver Portugal representado numa disciplina de velocidade no Esqui Alpino, ainda por cima pelo atleta mais jovem em competição”. Uma palavra de apreço vai também para a superação pessoal de José Cabeça: “Mesmo em muito esforço, depois de uma queda violenta logo no início da competição, deu tudo para concluir a prova de 10km. Mais do que as classificações obtidas, fica a imagem de atletas que representaram Portugal com profissionalismo, ambição e orgulho”.
Daqui a dois anos há mais competições olímpicas de inverno, com os Jogos Olímpicos da Juventude planeados para voltar aos Alpes Italianos, na zona de Dolomitas. Pedro Flávio antevê a tendência para a participação portuguesa: “Penso que teremos jovens atletas com bastante potencial em modalidades onde nunca participámos como o Snowboard e a Patinagem Artística no Gelo”, que somados aos qualificados em Patinagem de Velocidade no Gelo e Esqui Alpino representarão um “momento-chave para renovar a base competitiva nacional nos desportos de inverno”.
Em 2030 voltam as emoções dos Jogos Olímpicos de inverno e nos Alpes Franceses haverá oportunidade para que a Patinagem de Velocidade no Gelo e o Snowboard consigam a qualificação juntamente com o Esqui Alpino e o Esqui de Fundo, não estando afastada a hipótese de também a Patinagem Artística no Gelo e o Bobsleigh integrarem a Missão portuguesa. Pedro Flávio, que é também Presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, revela que nos próximos tempos “a estratégia passa por desenvolver ativamente as modalidades de inverno e alargar gradualmente o universo competitivo, apostando na formação e na presença regular em competições internacionais de relevo”.
O resumo foi o seguinte:
Esqui Alpino
Vanina Guerillot – Slalom Gigante – 41.º lugar
Vanina Guerillot – Slalom – 45.º lugar
Emeric Guerillot – Super G – 32.º lugar
Emeric Guerillot – Slalom Gigante – 38.º lugar
Emeric Guerillot – Slalom – DNF
Esqui de Fundo
José Cabeça – Sprint – 91.º lugar
José Cabeça – 10km – 99.º lugar



